Você tem fome do que?

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O comer emocional pode acontecer tanto em emoções agradáveis quanto em emoções desagradáveis

Você alguma vez já ouviu falar de “comer emocional”? Como o nome mesmo sugere, nada mais é do que comer na ausência de fome, comer como uma resposta a uma emoção intensa ou um desconforto emocional. O comer emocional pode acontecer tanto em emoções agradáveis quanto em emoções desagradáveis; podemos comer quando estamos comemorando uma conquista, quando nos frustramos, quando estamos ansiosos. A comida atua então como um complemento para acompanhar um bom momento ou como uma bengala para amparar as dores da vida. 

Isso acontece porque desde o nosso nascimento recebemos estímulos que estão sendo associados à alimentação, por exemplo, quando um bebê chora vamos descartando o motivo desse choro: ou trocamos a fralda, ou tentamos dar a chupeta, ou verificamos se a roupa está adequada para temperatura… também vemos se a criança tem fome. Conforme vamos crescendo, a alimentação pode ser associada a outras situações. Não é incomum o alimento (principalmente doce), ser associado com premiação – por exemplo, “se você se comportar, ganha um chocolate!”. 

Se você acredita que muitas vezes acaba se alimentando em função de suas emoções, o primeiro passo é que você aprenda a distinguir entre fome e apetite. A fome é uma necessidade fisiológica do corpo quando ele está precisando de energia; já o apetite é um desejo psicológico de comer, é quando a gente sente antecipadamente um prazer só de pensar em comer alguma coisa que a gente gosta. Na verdade, a fome produz o apetite, mas o apetite também pode existir de uma forma independente da fome e há casos a onde o nosso estado emocional altera esse nosso apetite, aumentando ou diminuindo. 

É bastante importante que você faça essa autoanálise porque quem come devido à questões emocionais tem a tendência a se descontrolar, e visto que comer é um comportamento, precisamos compreender o que o está motivando para que então possamos mudá-lo.

Com relação às emoções desagradáveis que podem gerar a alimentação emocional, a comida atua como uma forma de obter conforto, agindo como um calmante e ajudando a descarregar todo o acúmulo de emoção ruim. Com o tempo, se nada for feito para travar esse comportamento disfuncional, podemos acabar por desenvolver um hábito vicioso de se apoiar na comida para aprender a lidar com as emoções. 

O impulso de comer em situações em que nos sentimos mal nasce de uma tentativa do nosso cérebro de voltar a um equilíbrio porque ele fica desestabilizado quando vivenciamos fortes emoções e já que alimentos ricos em açúcar e gordura aumentam a quantidade de serotonina e endorfina, que são substâncias cerebrais ligadas a sensação de bem-estar e prazer, fica fácil de entender porque é fácil cairmos nesta armadilha. Pesquisas apontam que estresse e ansiedade são atualmente os fatores que mais aumentam a ingestão de alimentos ricos em carboidratos. Outra explicação importante é que o estresse é compreendido pelo nosso organismo como uma ameaça à vida e para reagir, o nosso organismo busca estocar energia, acabando por recorrer à alimentos mais energéticos e calóricos. 

A fome emocional também pode ser desencadeada por outras questões mais intensas do que apenas emoções passageiras, como transtornos mentais como a depressão, ansiedade, problemas relacionados com a autoimagem, excesso de demandas no trabalho ou na vida pessoal, expectativas e frustrações, problemas na vida familiar, amorosa e financeira, entre outras tantas situações. Aqui cabe um alerta: se perceber alterações em seu comportamento alimentar, seja ele qual for, busque ajuda profissional especializada (nutrição aliada à psicologia apresenta resultados excelentes).

Para finalizar, o que quero salientar é a importância da auto-observação e autoconhecimento  dos seus pensamentos e emoções. Nos conhecer nunca deixa de ser engrandecedor e na parte da alimentação, quanto mais na conhecemos, menos comemos por causa das emoções. 

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