The Boys: Série mostra que nem todo Super é tão Herói assim

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Muita gente reclama da atual onda de super-heróis no mundo dos filmes. Não adianta ficar bravo. Este gênero é o que tem levado milhões de pessoas para as filas de cinema e para a frente da TV. Certamente é uma tendência que deverá passar, mas por enquanto é o hipe do momento. Prova disto é que “Vingadores – Ultimato” (2019) recentemente sagrou-se a maior bilheteria da história do cinema mundial. No entanto, se você é da turma que pensa que super-heróis estão muito fora da realidade, existe um programa que talvez lhe agrade. Estou falando da série “The Boys” lançada pelo canal de streaming Amazon Prime Vídeo. O show parece uma mistura de Breaking Bad (2008-2013), Hancock (2008) e Watchmen (2009). Nela entendemos que nem todo Super é tão Herói assim.

Celebridades Poderosas

The Boys é baseado nos quadrinhos homônimos, escritos por Garth Eniss, entre 2006 e 2012. A série traz um mundo onde os super-heróis de capa e máscara atuam livremente. Eles são mais que reconhecidos pela humanidade, são verdadeiros ídolos. As pessoas, ao invés de comprarem cartazes e produtos de astros e times de futebol, fazem isto com as imagens de super-heróis e suas equipes. Dentre todos grupos superpoderosos existentes, o principal é “Os Sete”. Este é uma espécie de Liga da Justiça daquele universo. O time é composto pelo invisível “Translúcido”, o anfíbio “Profundo”, o vigilante “Black Noir”, a guerreira “Rainha Maeve”, o velocista “Trem Bala”, o superpoderoso “Capitão Patriota” e a novata “Luz Estrela”.

Anotaram a placa?

Logo no início da série somos apresentados a Hugh Campbel, um vendedor de loja de eletrônicos, que é fã assumido dos heróis. No dia que Hugh está pedindo sua namorada em casamento um acidente terrível acontece. Na entrega do anel de noivado, um raio de velocidade rasga a calçada estraçalhando a menina. O evento aconteceu devido a passagem do herói “Trem Bala”, que parecia fugir de algo. Sem perceber que a garota estava a sua frente, o super acaba destroçando-a em vários pedaços. Ele foge em disparada e não socorre o rapaz em choque.

Quanto custa?

Devido ao ocorrido, advogados da Vought, a empresa que gerencia as ações dos Sete, buscam Hugh para oferecer-lhe dinheiro em troca de seu silêncio. Mesmo abalado, o ex-fã os enxota para fora de casa. Não demora e Hugh é procurado por outra pessoa, Billy, que se diz ser um agente do F.B.I. e precisa da ajuda do rapaz. Conforme Billy os heróis fazem parte de uma estrutura maléfica que só quer lucrar com seus feitos e tem deixado enormes mazelas por onde passam, como a perda de vidas e a destruição de propriedades. Billy precisa que Hugh se infiltre na sede dos Sete para conseguir informações. A ideia é provar os danos que os heróis causam para a sociedade. Agora Hugh terá de decidir se pode confiar em alguém que recém conheceu, para se vingar de Trem Bala, os Sete e todos seus antigos ídolos. Mas até onde Billy está disposto a ir para alcançar seus objetivos?

Heróis ao avesso

From left: Butcher (Karl Urban), Frenchie (Tomer Capon), Mother’s Milk (Laz Alonso) and Hughie (Jack Quaid) conduct some supersurveillance in The Boys.

The Boys é uma das melhores desconstruções já feitas do mundo dos super-heróis. Aqui eles parecem perfeitos, mas na verdade são imorais, sádicos, depravados, viciados e tudo de pior

que a humanidade pode oferecer. Mesmo com estes terríveis defeitos, eles ainda mantêm seus superpoderes. Em uma das primeiras cenas com os Sevem assistimos um assédio sexual feito por um de seus membros. Em outra tomada acompanhamos um herói que precisa usar anabolizantes. Numa terceira observamos assaltantes de um carro forte serem trucidados. Os heróis são poderosos, sem limites e ainda contam com uma grande estrutura de publicidade e comunicação para fazer sua defesa na mídia. O contraponto deles na série é o grupo desorganizado de humanos formado por Billy Carniceiro. Este utiliza técnicas de espionagem para obter informações e de guerrilha para atacar algo que notadamente é muito mais forte.

Você pode sangrar

A violência é outro ponto que se destaca em The Boys. Certamente não é uma série para crianças, embora o colorido uniforme do Capitão Patriota. As lutas são impressionantes, garantidas por um ótimo CGI. Isto possibilita que vejamos a Rainha Maeve atravessando um carro forte com detalhes impressionantes. Em outro momento, assistimos Billy confrontar Translúcido, sendo guiado apenas pelo seu próprio sangue, derramado no rosto invisível do herói.

Além da Máscara

O melhor da série mesmo é a leitura subliminar que faz da nossa realidade. Esta traz uma análise abstrata do mundo real. O programa realiza uma reflexão do mundo político atual, das seitas religiosas e mesmo da forma que é criada a imagem dos famosos, construída por empresas de comunicação, independente da sua face real. A melhor alegoria certamente é a do embate de humanos normais a seres superpoderosos. Ela faz lembrar como as pessoas comuns poderiam agir contra nosso sistema atual, que também induz, oprime e discrimina.

O verdadeiro poder

O mundo dos super-heróis criados pela Marvel e DC são ótimos. Eles nos trazem a nostalgia dos antigos gibis, nos divertem e, principalmente, proporcionam que os produtores de cinema soltem a imaginação, para criar uma realidade completamente inovadora. No entanto é muito bom quando somos chocados com universo como o mostrado em The Boys. Mais que nos entreter ele obriga a refletirmos sobre a realidade que estamos vivendo. O melhor de tudo é que como o serviço Amazon Prime está entrando no Brasil, os primeiros sete dias para sua utilização são grátis. Ou seja, dá para fazer maratona de toda a série, na faixa. Aproveite, com The Boys você vai perceber que ser poderoso não te torna uma pessoa especial. Ter um bom caráter sim. Este certamente é o principal poder de qualquer super-herói, ou mesmo de um ser-humano normal.

Trailers

Elenco, citações e referências

  • Billy Butcher – Karl Urban, Thor: Ragnarok, 2017
  • Hughie Campbell – Jack Quaid, Jogos Vorazes, 2012
  • Leitinho – Laz Alonso, Avatar, 2009
  • Francês – Tomer Kapon, De amor e trevas, 2015
  • A Fêmea – Karen Fukuhara, Esquadrão Suicida, 2016
  • Madelyn Stillwell – Elisabeth Shue – De Volta para o Futuro 2, 1989
  • Luz-Estrela (Starlight) – Erin Moriarty, Capitão Fantástico, 2016
  • Capitão Pátriota – Antony Starr, Without a Paddle, 2004
  • Rainha Maeve – Dominique McElligott, Casa Comigo?, 2010
  • Trem-Bala – Jessie T. Usher, ndependence Day: O Ressurgimento, 2016
  • O Profundo – Chace Crawford, O Pacto, 2006
  • Black Noir – Nathan Mitchell, Scorched Earth,2018
  • Translúcido – Alex Hassell, The Is

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