Tecnologia X Educação

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É cada vez mais comum vermos crianças que sabem acessar a internet, essas habilidades são muitas vezes adquiridas fora do ambiente escolar. Não incentivar o seu uso nas escolas é negar sua presença na vida dos alunos, o que acaba sendo um grande erro

Vivemos em um mundo globalizado, onde os avanços tecnológicos crescem num ritmo acelerado, novas tecnologias surgem a todo momento e alavancam o desenvolvimento da sociedade. Diante desse cenário, não há como ficar estagnado no tempo e se faz necessário buscar atualização constantemente.

No contexto escolar isto não é diferente, a escola é constantemente convocada a se atualizar para acompanhar as mudanças que ocorrem na sociedade, que se comunica, trabalha e vive imersa em um ambiente tecnológico. Para que a escola cumpra sua missão de educar, é preciso que esteja adequada à realidade dos alunos e consiga atrair o interesse deles, uma vez que nossas crianças estão nascendo imersas num universo cada vez mais tecnológico. Hoje nossos pequenos apresentam domínio sobre muitas tecnologias antes mesmo de saberem ler ou escrever. É cada vez mais comum vermos crianças que sabem acessar a internet, usar o computador, smartfone, tablet desde muito pequenas. Essas habilidades e competências são muitas vezes adquiridas fora do ambiente escolar. Não incentivar o seu uso nas escolas é negar sua presença na vida dos alunos, o que acaba sendo um grande erro. O computador não substitui o professor, é apenas mais um recurso que este se beneficia para atingir os objetivos educacionais propostos e melhorar a qualidade do ensino. Seu uso na educação infantil deve ser um aliado para despertar a curiosidade, estimular o desenvolvimento motor, a linguagem verbal e não-verbal das crianças, entre outros.

Segundo Piaget, a etapa dos dois aos seis anos é uma das fases mais importantes do desenvolvimento humano, pois nela ocorrem inovações radicais na inteligência, por que então não utilizar as ferramentas digitais para despertar a curiosidade e a imaginação de nossas crianças, explorando história, vídeos, jogos, cores, entre outros e assim gradativamente ir favorecendo a construção do conhecimento e, consequentemente, estimulando a construção da cidadania.

Ainda segundo Vigotsky (1998), a criança é um sujeito histórico pertencente a uma dada cultura que a influência e por ela é influenciada, assim a partir das interações que ela estabelece com as pessoas a sua volta e fazendo uso dos recursos disponíveis ela vai construindo gradativamente seu próprio conhecimento.

É preciso, portanto, abrir mão da resistência que alguns professores possuem em relação ao uso dessas ferramentas e passar a enxergar a tecnologia como aliada, e não como inimiga do aprendizado, porém temos que ter em mente que seu uso deve ser intencional e planejado, e o seu foco deve ser sempre na melhoria da qualidade do aprendizado do seu aluno e não apenas como um passatempo. Também é importante destacar aqui que o professor necessita estar preparado para receber e utilizar a tecnologia e, se o mesmo não estiver é importante que participe de programas de formação inicial e continuada para poder articular e viabilizar o uso da tecnologia em suas práticas pedagógicas.

A utilização desses recursos, é cada vez mais necessária, pois torna a aula mais atrativa, proporcionando aos alunos uma forma diferenciada de aprendizagem, mas para isso é preciso saber como equilibrar o acesso para um uso benéfico tanto na escola

quanto em casa. Apesar de ser uma ótima ferramenta, que estimula a aprendizagem, melhora a comunicação, desperta a criatividade, também sabemos que alguns cuidados são essenciais, pois nem todos os conteúdos são benéficos as nossas crianças, para isso é importante equilibrar o tempo e incentivar as crianças a terem uma relação saudável com a tecnologia. Manter um diálogo aberto para instrução, orientação, para esclarecer dúvidas e alertar sobre perigos e riscos é muito importante.

Sabemos que a tecnologia está aí e cada vez mais estará presente em nossas vidas, e que o problema nao está na tecnologia em si, mas no modo como muitas vezes ela vem sendo utilizada, apesar de fornecer muitos pontos positivos para a aprendizagem ela também pode trazer vários efeitos negativos para o desenvolvimento do indivíduo, como o déficit de atenção, transtornos de ansiedade, depressão, isolamento, baixa autoestima, a dificuldade de concentração, a diminuição da capacidade de memorização, dificuldades para ler e fazer cálculos, a precocidade no desenvolvimento da sexualidade na infância, prejuízo na rotina, menor satisfação com a vida diária, dificuldades no desenvolvimento de suas habilidades sociais repercutindo negativamente na qualidade da sua interação e comunicação, como a capacidade de lidar com o outro, prejuízos físicos como problemas na coluna, na visão, auditiva, obesidade, sedentarismo, entre tantos outros problemas não podemos privá-los desse contato porque essa é a nossa realidade, e proibir não é o melhor caminho, porque proibir gera resistência, principalmente entre os adolescentes.

Diante desse cenário muitas vezes fica difícil saber o que fazer, mas acreditamos que o equilíbrio e a prevenção sempre serão o melhor caminho. Portanto, cabe aos adultos a tarefa de orientar e, de certa forma, fiscalizar o que as crianças e adolescentes estão acessando no mundo virtual. Contudo não podemos esquecer que a tecnologia, em especial na educação infantil, deve ser utilizada como um instrumento que colabora no aprendizado e que ela jamais poderá substituir as tradicionais brincadeiras, as atividades físicas, o contato com a natureza e as interações sociais, pois estas são de extrema importância para o desenvolvimento infantil.

Professoras: Jaqueline Becker de Moraes

Rosângela Terezinha Gobbi Zafonatto

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