SOLIDÃO

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Mais do que sobrevivência física, estar em contato com outras pessoas nos garante sobrevivência psicológica e emocional

Nossos ancestrais já sabiam sobre a importância de viver em grupo desde os primórdios da existência humana: para além da procriação, assegurar a proteção pessoal e a sobrevivência era a principal função de se conviver com outras pessoas. Sofrer ataques de animais ou inimigos se tornava algo mais difícil quando se contava com a companhia de um grupo, além de que, estar em grupo favorecia que a procura por alimentos tivesse melhores resultados, afinal, mais pessoas, mais chances de se obter alimento em uma mesma quantidade de tempo – se comparado à procura individual. Nesse sentido, ao que tudo indica, nosso cérebro foi moldado evolutivamente para possuir uma tendência inata a se manter próximo às outras pessoas.

Hoje em dia sabemos que mais do que sobrevivência física, estar em contato com outras pessoas nos garante sobrevivência psicológica e emocional e acima disso, sabemos o quanto um aspecto interfere no outro: problemas emocionais causam sintomas físicos, bem como, doenças vêm acompanhadas de sinais emocionais.

Para se ter ideia do quanto são importantes os relacionamentos que estabelecemos, em termos neurológicos, estudos apontam que a solidão pode sinalizar ao cérebro que o corpo está sobre estresse e provocar alterações não apenas emocionais, mas também físicas, como aumento da pressão arterial e do colesterol, por exemplo. Além disso, a solidão é capaz de perturbar o sono, aumentar a depressão e diminuir a sensação de bem-estar em geral. O sistema imunológico também sofre abalos, estando a pessoa em solidão sujeita a mais enfermidades (há pesquisas que apresentam índices de que a solidão aumenta em 14% a chance de mortes prematuras em adultos mais velhos).

Um ponto a se ter cuidado é com relação aos pensamentos negativos associados à solidão, pois podem estimular a pessoa a buscar negativamente o afastamento ainda maior do seu círculo social, evitando justamente aquilo que curaria sua solidão – ter com quem compartilhar os momentos bons e ruins da vida.

Cabe aqui salientar que o sentimento de solidão não depende de quantos relacionamentos temos, mas sim da intensidade, estreitamento e conexão que estabelecemos em cada um deles. Melhores são os índices de saúde emocional naquelas pessoas que possuem relacionamentos próximos nos quais se sentem acolhidas, compreendidas, aceitas e amadas. Por isso, se em algum momento julgar que está solitário(a), busque ampliar suas conexões e relacionamentos – conhecer nossos problemas não cura, o que cura é ter com quem dividir esses problemas.

“OS SERES HUMANOS SÃO CRIATURAS SOCIAIS, E SENTIR-SE VALORIZADO PELOS OUTROS É A PRÓPRIA BASE DA VIDA” – Dalai Lama

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