Sobre a conhecida gratidão

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Tanto tem se falado sobre gratidão que julguei importante trazer esse assunto à tona para uma reflexão aos olhos da Psicologia. Segundo a Psicologia Positiva, conhecida como a ciência da felicidade, junto com a generosidade, a gratidão é um dos pontos de maior poder para intensificar a sensação de felicidade.

Quando falamos desse assunto, é importante fazer uma diferenciação entre dois tipos diferentes de gratidão; um deles é uma questão de comunicação (quando agradecemos alguém por algo que recebemos) e outro é uma dimensão afetiva e espiritual (sentimento ou estado de espírito de ser grato).

Sobre o primeiro tipo, a palavra obrigado faz parte do nosso vocabulário mais básico e transmite de uma forma muito simples a mensagem: “gostei do que você fez por mim”. Agradecer faz bem para quem agradece e para quem recebe porque supre uma necessidade de reconhecimento e de autoestima que temos dentro de cada um de nós. Todos nós gostamos de carinhos e gostamos de ser reconhecidos aos olhos dos outros. Ao mesmo tempo, estamos deixando claro ao outro aquilo que apreciamos, o que cria mais oportunidades para que voltemos a nos sentir assim na relação.

Nesse sentido, quero levar essa reflexão para outro patamar: a dificuldade que temos de algumas vezes receber um elogio por modéstia ou vergonha. Por vezes costumamos minimizar os elogios que recebemos recusando ou procurando encontrar motivos pelos quais o elogio foi dado. Na verdade é muito mais simples aceitar um elogio como presente e agradecer. Nem sempre um elogio precisa ter um motivo oculto e segundas intenções por trás.

Já o segundo tipo de gratidão diz respeito à sensação interna que surge da conscientização e da percepção de todos os privilégios que temos em nossa vida. Mas como nem tudo dura para sempre a sensação de gratidão também precisa se renovar todos os dias. Assim, os pequenos inconvenientes, preocupações e aborrecimentos do nosso dia-a-dia podem ser vistos como uma possibilidade para relembrar dos privilégios que desfrutamos normalmente, os quais por diversas vezes estamos tão acostumados que nem nos damos mais conta.

Para finalizar quero citar a frase de um autor que diz: “felicidade é ter alguém para perder”. Sempre é doído perder algo ou alguém que gostamos e que amamos, mas se olharmos bem, para perder antes é preciso ter, apreciar e desfrutar disso que agora está fazendo falta. Nossas vidas são marcadas por perdas e tudo acaba um dia. A duração não deve ser o ponto de avaliação da importância das pessoas ou coisas que amamos, mas pelo contrário, a intensidade do apreço. Que saibamos agradecer os instantes de felicidade da vida. Gratidão é uma escolha e, portanto, podemos escolher olhar com mais atenção para o que temos do que para aquilo que nos falta.

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