São Marcos colhe uva de qualidade diferenciada

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Produtores e indústria da uva comemoram boa safra no município. Foto: Parreiral de uvas orgânicas na Santana. SMO.

Maior produtor brasileiro de suco de uva, município se destaca na vitivinicultura: Fenasuco valorizará produtor, produção e produtos derivados da uva: ‘Divulgará São Marcos’

Conhecida como a capital gaúcha dos caminhoneiros, São Marcos também poderia ser a capital brasileira do suco de uva. O título faria jus a realidade: o município é o que mais produz suco de uva natural no país! Para fabricar o produto – que cada vez mais tem conquistado mercados – as vinícolas utilizam como matéria-prima as excelentes uvas cultivadas pelos agricultores são-marquenses. E esse é um diferencial importante: diferente do vinho, que é mais elaborado, o suco de uva depende de uma uva de qualidade para ser bom.

“A qualidade do suco depende muito da uva: ao contrário do vinho, que é elaborado e onde conta muito o trabalho do enólogo, o suco é produzido, contanto muito a matéria-prima (uva), com o índice de frutose (graduação) sendo fundamental. Por isso precisamos dar condições para o produtor investir e ter uva de qualidade”, ensinou Rodrigo Poggere, que produzo o suco Dom Celesto, em matéria especial publicada pelo São Marcos Online na última safra. https://www.saomarcosonline.com/viva-a-uva-2-sao-marcos-e-a-terra-do-suco-e-campestre-a-do-vinho/

‘Foi um ano bom, deu quantidade e qualidade’

Na Linha Edith, Rizzo cultiva variedades destinadas às cantinas. Foto: SMO

Investir e produzir uva de qualidade diferenciada é o que fazem diversos produtores de São Marcos. Um deles é Valderez Rizzo, que cultiva 6,5 hectares de parreiras na Linha Edith. São 2 hectares de Isabel comum, 2 com Isabel precoce, 1 com Niágara e 1,5 hectare com Bordô.
A maior parte da produção foi colhida em fevereiro e só a Isabel Comum, que é mais tardia, será retirada no início de março.

Agricultura Familiar garante safra de qualidade no município. Foto: SMO

“Foi um ano bom, deu quantidade e qualidade. A Bordo prejudicou um pouco por causa da seca e o grão ficou mais miúdo e não pesou tanto, mas no geral deu um ano muito bom. A Niágra preta deu muito boa e a Isabel nem se fala, a precoce foi um dos melhores anos e só a comum que falhou um pouco o cacho porque choveu demais na florada”, aponta o produtor.

Ele diz que a média da colheita gira em torno de 30 mil quilos por hectare e que o preço (tabelado em R$ 1,08 a Isabel de grau 15) ficou razoável.

“Pela qualidade vai conseguir um preço um pouco melhor porque esse ano deu o grau que a uva precisa”, comentou, informando que toda sua produção é vendida às vinícolas.

‘Orgânico é qualidade de vida pra quem produz e pra quem consome’

Suliani cultiva diversos orgânicos na Linha Santana. Foto: SMO

Além do cultivo no sistema convencional, utilizado pela maioria dos viticultores são-marquenses, há quem invista na produção de uva orgânica. É o caso de Vanderlei Suliani, que cultiva 1 hectare de uva Niágara Rosada em parreirais cobertos na Linha Santana. Ele diz que a colheita ultrapassou as 22 toneladas e que a uva é vendida para consumo in natura .

“Orgânico é qualidade de vida pra quem produz e pra quem consome. Além de ter um pensamento diferente, colhe e armazena na propriedade, vende direto pro consumidor e isso é legal”, revela Vanderlei, que cuida dos parreiras junto com a esposa Carla Dal’Prá Suliani.

Ele cita os cuidados no manejo.

“Além de não utilizar agrotóxicos, temos muito cuidado na adubação. Por exemplo, o esterco de aviário fica 6 a 12 meses para fermentar no monte antes de ser usado e é feita análise. Também usamos muita adubação verde, que cria uma camada no solo”, assinala, destacando que só usa produto registrado e com selo de orgânico.

Parreiral coberto garante produção de qualidade de Vanderlei Suliani. Foto: SMO

Há oito anos trabalhando com orgânico, Vanderlei montou a empresa Suliani Hortifruti. Ele conta que antes de se tornar um empreendedor rural, fez curso no Sebrae. Há dois anos investiu em marketing e divulgação. Tem colhido frutos.

“Através do Sebrae fui a Porto Alegre divulgar no Mercado Público”, conta.

Em 2019, Suliani expôs suas uvas orgânicas na Festa da Uva, em Caxias do Sul. A qualidade dos cachos chamou a atenção dos visitantes. https://www.saomarcosonline.com/produtores-de-sao-marcos-se-destacam-na-festa-da-uva-2019/

Além de uva, Suliani investe em outros cultivos orgânicos.

“A uva orgânica é o carro chefe. Depois vem o alho orgânico com uma produção ainda pequena, mas que vendo embalado (150 gramas). Também temos uma produção razoável de laranja, alguma coisa de chuchu e plantação de nozes. Mas o que está se destacando mesmo é a batata favo de mel, que planto em parceria com outro produtor”, revela, informando que está buscando oficializar um grupo de orgânicos com outros três produtores da comunidade.

FENASUCO pode sair do papel em 2021: ‘Valorizar produto importante e divulgar São Marcos’

Don Celesto produz para o mercado nacional e também exportação. Foto: SMO/arquivo

Nona cidade do Rio Grande do Sul no processamento de uvas para sucos, vinhos, espumantes e derivados, São Marcos possui em torno de 1.088 hectares de área plantada com parreirais, conforme dados da Uvibra (União Brasileira de Vitivinicultura).

A produção gira em torno dos 24.350.324 quilos, sendo 23.922.703 de uvas comuns e 427.621 de viníferas. Boa parte dessas uvas é usada na fabricação de suco natural, produto que na última década passou a ser o carro-chefe das principais vinícolas são-marquenses.

É o caso da Vinícola Poggere, que produz o suco Don Celesto e que há anos voltou-se exclusivamente para o suco.

“A agricultura, setor importante da economia de São Marcos, tem a uva como carro chefe e grande parte é destinada para suco. Então, sem dúvida estamos falando do produto mais importante hoje”, pondera Rodrigo Poggere.

Sucos de São Marcos chegam na mesa de brasileiros de outras regiões. Foto: SMO/arquivo

Em entrevista https://www.saomarcosonline.com/1a-fenasuco-sera-em-2021/ concedida ao São Marcos Online em janeiro – semanas após a Câmara de Vereadores ter aprovado projeto de Lei que colocou a Fenasuco no calendário oficial de eventos do município, com a perspectiva de ser realizada em 2021 –, Poggere salientou a relevância de São Marcos ter um evento desse tipo.

“Esse passo administrativo de registro é somente o primeiro. Muito precisa ser feito em termos de organização, captação e disponibilização de recursos e estrutura, para depois se pensar em executar”, adverte.

Para o prefeito Kuwer, a Fenasuco valorizará um produto importante para a economia e cultura locais, ajudando a divulgar São Marcos.

“É uma maneira de valorizarmos esse produto importante para nossa economia e mostrar São Marcos de forma regional e nacional”, comentou, salientando que as características saudáveis do suco podem alavancar a Fenasuco.

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