O presente trabalho tem por objetivo resgatar memórias e a ludicidade no cotidiano escolar de professores, alunos e interessados em valorizar um novo modelo educacional de modo que atualmente atividades em sala de aula e pátios escolares possam ser elaboradas, desenvolvidas e pensadas com prazer e praticidade

Essas brincadeiras possuem o intuito de vincular valores éticos, e estéticos obtendo diferentes entendimentos e aperfeiçoamentos por meio de experiências artísticas criativas e motoras. O material descrito está pensado para compartilhar valores lúdicos, morais e estéticos que muito são apagados e substituídos por gramáticas e regras rígidas para com a educação. Sendo assim, são elaboradas sugestões práticas de brincadeiras para renovar e melhorar o dia a dia de quem preocupa-se com adaptações positivas.

A palavra lúdica, ludicidade que vem de ludus, e quer dizer jogo relativo ao entretenimento, divertimento, até bem pouco tempo somente era mencionada em livros e, raramente alguns professores de séries iniciais ou finais a utilizavam para referir-se às práticas realizadas com alunos em sala de aula. Em aspectos positivos, atualmente, essa realidade vem sofrendo modificações consideradas importantes e assertivas em relação as práticas educacionais.

No decorrer de minhas vivências profissionais demorei para entender o termo, mas percebi que de certa forma, estava inclinada a fazer uso de seus recursos e, gradativamente meu desejo de elaborar, praticar e aplicar ideias pensadas na mudança só fizeram com que meu educar melhorasse ano pós ano. Pois, segundo os pensamentos de Velasco,

Em todos os tempos, para todos os povos, os brinquedos evocam as mais sublimes lembranças. São objetos mágicos, que vão passando de geração a geração, com um incrível poder de encantar crianças e adultos. (VELASCO, 1996)

certamente o poder de educar brincando fortalece vínculos de modo que o aprender possa se tornar recíproco e prazeroso. Antes de mais nada para dar sequência à minhas reflexões necessito resgatar algumas memórias para entender por que meu mundo é lúdico, bem como trabalhar a importância de resgatar brincadeiras de gerações passadas.

Já que elas são muitas, se realizaram há tempos e vão acontecendo sem perceber como e traçam caminhos na vida, muitas vezes, difíceis de serem revertidos. Em todo pensar, memórias percorridas por aspectos quase sempre positivos.

Começo a lembrar do giz de cera e o primeiro estojo transparente de canetinhas coloridas e como seria possível esquecer o primeiro estojo em preto e vermelho comprado com tanto esforço pelos pais.

Sem perceber fui criando… Gostaria de dizer vínculos, porém “correntes” soam melhor porque formei elos bem moldados com pequenos livros que davam-se carinhosamente o nome de “gibis” e que logo deram vida a minha imaginação de criar histórias no jardim de casa e sem dúvidas copiar desenhos de todos os lugares inimagináveis até mesmo do saquinho de leite ou no guardanapo da mesa da cozinha, cogumelos e vaquinhas para todos os lados. Balanços de pneus velhos e, claro, como poderia faltar pular corda com panos velhos trançados!

E, há um tempo, notei que minhas escolhas resultaram dos meus momentos, de minhas memórias carreguei uma infância nos braços com coleções que remetiam ao ensino. Jogos de memória, pega varetas, dominós etc.

Livros grossos e finos que no início pareciam apenas belos e vermelhos, mas que nos seus interiores revelavam mais desenhos e mais histórias para serem criadas.

Instantaneamente, como um passe de mágicas as letras não eram apenas desenhos e sim faziam sentido e cansavam tanto porque estavam em todos os lugares até em meu nome!

Amparada pelo futuro da sala de aula meu encanto foi quebrado ao chegar à famosa primeira série onde tudo passa a ser difícil… Falar e escrever… Parece que tudo passa a ser proibido e só será despertado novamente por um milagre.

De qualquer forma, sempre existe um milagre e diria que ele pode ser chamado de persistência, pois quando não posso fazer algo persisto no acerto ou erro dependendo do ponto de vista até conquistar o conhecimento necessário para grandes mudanças.

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Assim, sou instigada a ler e não parar mais de criar. Ler tudo aquilo que aparecesse diante do campo de visão dentro da escola, nos murros, nas calçadas, nos cartazes e criar, pintar, inventar, modelar e estragar sem medo de errar, pois é errando que se aprende e aprendendo que se sabe que não se sabe tanto assim.

Finalmente, sabendo tanto percebi que pouco tinha aprendido. Os sinais estavam estampados em todos os lugares de minha infância persistindo eu queria mais do que apenas sentir o cheiro da sala de aula todas as manhãs. Eu queria sentir o cheiro da riqueza e do poder. Enganada! Mal percebi que a maior riqueza e poder estavam e estão na sala de aula, basta buscar aquilo que por algum tempo vai sendo esquecido no passado e precisa ser lembrado para que no futuro possa melhor ser escrito, desenhado, criado e por que não vivenciado! É de memórias que se faz e se vive a vida. E, de criações que se molda o futuro.

Vale lembrar, que posso defender ideias e encadear bons argumentos mantendo uma íntima relação com o leitor. Claro que no quantum satis1, pois é com palavras que posso modificar o mundo e com palavras elegantes e serenas posso resgatar mais memórias esquecidas, bem como as do leitor e instigá-lo a criar e fazer a diferença.

Pois bem, falar é fácil mesmo, difícil é escrever sobre memórias e trabalhar com ludicidade, um processo lento, porém prazeroso que pode ser trabalhado por diversos vieses desde que bem fomentado para na prática mostrar seu propósito. Basta um princípio pensado com materiais criativos e de fácil elaboração para as mudanças começarem a acontecer e a teoria ser aplicada.

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Todavia, uma educação pedagógica de qualidade e consistente perpassa diversas gerações. A prática pedagógica nas escolas

contemporâneas possui reflexos nas diversas concepções de educação e necessita sempre ser revista.

De toda forma, após esse relato, compreendo que por intermédio de meu passado bem criativo e bem vivido basta-me instigar a tudo e a todos a compartilhar meu mundo de modo que nada na vida possa ser esquecido que eu possa brincar com práticas simples e bem elaboradas até mesmo com materiais diversos e recicláveis que divirtam muito e estimulem a motricidade. Sempre amparada por e com pesquisas conscientes e consistentes!

Aos familiares e colegas. Sejam criativos sempre!

Flávia Grison

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