PROCRASTINAÇÃO: a mania de deixar tudo para depois

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Por trás do comportamento de procrastinar existe uma dificuldade de regular e equilibrar processos relacionados a pensamentos, emoções e comportamentos

Você costuma deixar as coisas que precisam ser feitas para depois, para amanhã, para a semana que vem? Junto com esse “empurrar com a barriga”, ansiedade, estresse e culpa te acompanham, como sombras que te lembram a todo momento que você adiou algo e que agora você está encrencado? Pois bem, isso tem um nome: procrastinação.

Primeiro, é importante saber que procrastinar é diferente de adiar uma tarefa para obter maiores informações sobre um assunto ou ter mais tempo para refletir sobre uma dificuldade; isso se chama adiamento de tarefa sensata e saudável. Procrastinar é quando adiamos uma tarefa desnecessariamente mesmo quando queríamos realizá-la e quando sabemos que teremos consequências desagradáveis com esse atraso. É normal procrastinarmos algumas vezes ao longo da vida, mas quando isso se torna um hábito, acaba impedindo o funcionamento normal do dia-a-dia e atrapalhando a rotina.

Geralmente é acompanhada de sentimentos como culpa, ansiedade, vergonha, inadequação e arrependimento e pensamentos auto sabotadores como: “hoje não tenho tempo suficiente”, “hoje estou cansado(a)”, “eu já passei por muitas dificuldades essa semana, mereço um descanso”, entre outros.

Por trás do comportamento de procrastinar existe uma dificuldade de regular e equilibrar processos relacionados a pensamentos, emoções e comportamentos. Vou explicar: quando sentimos ansiedade ou medo antes de realizarmos uma tarefa, podemos não conseguir enfrentar essa situação de uma forma adequada, dando uma atenção muito maior ao desconforto do que a situação mereceria, o que faz com que fujamos da tarefa buscando nos sentir mais calmos. Também existe uma maior dificuldade em controlar impulsos, ou seja, há uma preferência em se envolver em atividades que tenham recompensas e prazeres imediatos em relação às atividades que tenham recompensas e prazeres a médio e longo prazo.

As pessoas que procrastinam sentem menos desconforto inicial do que pessoas que não procrastinam. Contudo, perto do prazo de entrega das tarefas, acabam sentindo um aumento excessivo do estresse e apresentam, com frequência, um desempenho inferior do que poderiam ter. Portanto, se formos colocar em uma balança, o saldo é negativo.

O que precisamos compreender é que a procrastinação é um comportamento, mas como todo comportamento, pode ser treinado e alterado. Contudo, isso só acontecerá se entendermos que por trás de toda procrastinação existem pensamentos e emoções que fazem com que ela aconteça e se mantenha. Neste sentido, a procrastinação é um comportamento que tem o papel de protegê-lo(a) de emoções e pensamentos desagradáveis e não há como evitá-la se você não aprender a controlar esses causadores. Em geral a procrastinação está associada ao desconforto de uma tarefa (pensamento) e o medo de fracasso (emoção).

A pergunta que fica é: se a procrastinação é um comportamento que tem consequências negativas, porque continuamos nos comportando assim? A resposta é simples: apesar das consequências ruins que a acompanham, com frequência conseguimos cumprir os prazos e porque traz um alívio momentâneo à estados de desconforto emocional. Mas lembre-se: apesar de funcionar, não é adequado manter este tipo de resolução de problemas, porque podemos ter um rendimento pior do que o esperado, além de apresentarmos exaustão após finalizar a tarefa.

Resumindo: não deixe para amanhã o que pode ser feito hoje. Seu emocional agradece.

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