Meio ambiente, inovação e sustentabilidade: pequenas ações, grandes resultados no ambiente escolar

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Imagem: Blog FCE/diculgação

“A vida é um dever que nós trouxemos para fazer em casa… dizia Mario Quintana em sábias palavras e faço uso desse poema para mostrar no presente trabalho desenvolvido com pensamento crítico e com enfoque na necessidade de fazer algo diariamente para tornar o mundo onde vivo em um lugar sustentável e nada melhor do que começar fazendo isso no dever de casa. No dever de viver de forma sustentável em harmonia com meu cotidiano e minhas práticas.

Soren Kierkegaard (1813-1855) escreveu que “A vida só pode ser compreendida olhando-se para trás. Mas só pode ser vivida olhando para frente”. Esforço-me para compreender o passado e viver o presente sempre pensando no amanhã ou talvez num futuro, horas distante, mas na maioria das vezes mais próximo do que imagino, pois digo que sonho muito alto e preciso colocar os pés no chão. Com isso, esqueço que sou escrava do relógio e faço o que tenho que fazer todos os dias sem me dar por conta de que preciso sim pensar no passado, presente e futuro, porém de maneira crítica e responsável para deixar um legado para deixar minha marca.
Preciso ser o professor do futuro, mas que pensa o hoje o agora antes mesmo de me perder na imensidão do fazer por fazer sem consciência sem destino e sem objetivos.

Deve haver toda uma preocupação com afazeres cotidianos, ações que venham fazer a diferença para as gerações que também aparentam estar murchas de atividades que relacionem o meio ambiente e práticas sustentáveis. Estudantes que se encontram em carteiras lotadas vinculados a emaranhados de tecnologias presos pela solidão da falta do que fazer.

Quando tem oportunidades de mostrar seus talentos para com o planeta, muitos aparentam assumir um compromisso infindável de responsabilidades e comprometimentos, mas muito disso só renasce se for fortemente estimulado e cabe a toda comunidade escolar trabalhar em função desse mérito a ser atingido por todos os cidadãos. Uma etapa a ser conquistada diariamente sem pensar em desistir. O mundo grita por socorro e como diz o ditado popular que “a união faz a força”. Existe a grande necessidade de buscar ajuda de todos que queiram se engajar em atividades que envolvam reciclar, repaginar, redescobrir ideias de reaproveitamento de todos os infindáveis materiais de que dispomos na natureza e sob os quais também, o homem polui.
Pois como dizia Paulo Freire (1996, p.40),

Precisamos contribuir para criar a escola que é aventura, que marcha que não tem medo do risco, por isso que recusa o imobilismo. A escola em que se pensa em que se atua, em que se cria em que se fala, em que se ama. A escola que apaixonadamente diz sim à vida.

Busco uma educação onde a criança, o adolescente, o jovem sejam protagonistas da sua aprendizagem e que seja voltada aos interesses dos estudantes, que seja atrativa e transformadora, onde possa contribuir para a formação de pessoas comprometidas com o desenvolvimento e bem-estar da comunidade.

A escola, como organização educacional, deve oferecer ao estudante condições que favoreçam sua formação como cidadão consciente crítico e participativo da vida social em todos os níveis e modalidades de ensino, principalmente o que concerne práticas renováveis e/ou sustentáveis, pois essas podem permear todas as áreas de estudo.

E, como objeto e/ou objetivo de estudo, essa modalidade de ensino pode fornecer ao professor uma riqueza de possibilidades de atividades podendo também ser avaliativas. Com essa prática, o professor busca e encontra em recursos sustentáveis formas de trabalhar transdisciplinar mente com seus alunos modelos prazerosos para os estudantes encontrarem uma maneira de sair do comodismo ou viver só por viver.

O processo avaliativo demanda tempo, pois trata-se de um método longo onde em inúmeros momentos o estudante pode ser avaliado desde o ato em que se inicia o processo de arrecadação de materiais, durante a organização das tarefas, empenho e dedicação de cada componente do grupo para com seus afazeres até o processo de conclusão.

Um fator muito positivo é ver o empenho e dedicação que é apresentado pelos alunos para com a experiência de vida de que estão desfrutando, dificilmente um professor encontrará dificuldades em avaliar um processo como esse em que criar e recriar parece fazer parte da vida destes jovens.
Sendo assim, com uma infinidade de práticas sustentáveis apresento aqui possibilidades (roteiros de aula) para serem trabalhadas com estudantes das mais variadas idades, bem como suas possíveis adaptações para realizar as sugestões a partir de trabalhos manuais e retornáveis. Pois, a vida não cessa e os trabalhos também não!

Trabalhar com recursos sustentáveis trata-se de uma prática árdua, porém prazerosa, pois existe uma gama de modelos que podem ser adaptados para serem utilizados em escolas, bem como podem ser recriados ou criados para uso em residências também.

A construção social convida todos a somarem esforços, trocarem experiências e mudarem comportamentos hoje consolidados na busca por um caminho mais digno para a humanidade. Precisamos superar modelos cristalizados para reorganizar a prática pedagógica. Por isso, pensar passado focando habilidades e competências do presente sempre encaminhadas para o futuro.

A comunidade precisa perceber que algo está sendo feito para com seus estudantes e assim o professor terá seu valor. Envolver-se no tecido social para ser reconhecida. A escola, as matérias, as práticas não consistem somente em acúmulos e memorizações dos conteúdos, mas sim necessito ter/desenvolver a capacidade de selecionar as informações de que procuro e transformá-las em conhecimento digno de ser utilizado em um contexto plausível e relevante que é o universo escolar que grita por melhorias (grifo meu). (GÓMEZ-GRANEL E VILA, 2003, p.20).

Para as pessoas que atuam em ambientes educativos há uma necessidade em adaptar-se ao contexto propenso a mudanças, pois, hoje, sua atividade profissional requer projetos inovadores e bem planejados seja na educação formal ou informal, seja na escola ou fora dela. E, com base nestes projetos, sempre buscar o maior números de informações possíveis, bem como, referenciais teóricos que valham a pena e validem a discussão com intuito de firmar parcerias relevantes e importantes.

Alianças estratégicas são sempre bem-vindas no ambiente escolar para angariar fundos ou até mesmo para concluir atividades em tempo hábil, não prolongando propostas, o que pode acarretar desvio de foco ou até mesmo perder o interesse pelo plano.

A equipe diretiva, juntamente com pedagogos, psicólogos, professores, funcionários, pais, conselhos e grêmio estudantil por meio de projetos podem realizar outras parcerias que são sempre bem recebidas como empresas, postos de saúde, associações etc. A valorização de todos é o ponto de partida para o sucesso almejado.

As sugestões desenvolvidas abaixo estão sendo realizadas e outras pensadas, todavia existe grande determinação e empenho em todas as partes envolvidas e, certamente esses projetos serão concluídos até o término do ano letivo e instigarão os próximos.

Inicialmente, como forma de aproximar familiares, às escolas, sugere-se que com a disponibilidade de um espaço amplo na entrada da escola os alunos e toda a comunidade possam montar com materiais recicláveis uma recepção com sofás, quadros, mesas de centro ou de canto e plantas para decoração. Tudo com materiais recicláveis!
Será que a moda pega?

Para embelezar a parte externa da escola e incentivar o melhor convívio entre a comunidade escolar podem ser plantadas nas proximidades da entrada da escola (portão, paredes e parque) para brincadeiras grama, flores e folhagens da estação com caminhos e pedras coloridas.
Semanalmente, havendo interesse dos estudantes, um cronograma de turmas pode ser realizado para que a manutenção e preservação do ambiente seja sempre preservado. Aqui, os alunos recolhem papéis de bala e afins que são consumidos nos horários de lanches e descartados indevidamente. Com compromisso e dedicação de todas as partes, cada dia que passa percebe-se menos dejetos nos arredores da escola e os próprios estudantes estão conscientes de que quanto menos poluírem menos precisam realizar manutenções no local podendo focar o mesmo trabalho nos arredores das dependências da escola e, porque não em seus lares?

Quando chegam na escola, familiares percebem que o ambiente está sempre bem organizado e embelezado. Isso proporciona sentimentos de aconchego e bom recebimento por terem aonde sentar e observar seus filhos nas atividades com professores ou atividades de lazer e intervalo.
Aderida a ideia, a comunidade escolar começa a trabalhar em conjunto arrecadando materiais como estrados, pneus, troncos de madeiras, espumas (esponjas), retalhos de tecidos, potes de embalagens recicláveis etc., garrafas pet. Todos os mais variados materiais que possam ser reaproveitados e que possam embelezar muito o ambiente escolar que, também, possam ser remodelados pelos estudantes.

Arrecadado todo o material nas dependências da escola e possíveis doações, inicia-se o processo de elaborar, criar, pintar, recortar, montar e costurar. Um processo que envolve todos por objetivos que só serão percebidos quando tudo estiver concluído em um esforço de parceria para reciclar, embelezar a escola, fazer a diferença e infindáveis outras formas de ajudar ao mundo e ao convívio coletivo necessário que, por vezes, há intenção de ser resgatado e acaba sendo substituído. Enfim, percebe-se que podem existir obras de arte com bem pouco custo e toda a comunidade fica maravilhada e agradecida por ter produzido tamanho bem.

Presentear o aluno com seu próprio esforço pode parecer uma ação simples sem grande importância, mas visualizar a pessoa recebendo sua produção em mãos e o aluno perguntando se realmente pode levar o presente para casa torna-se um ato sem descrição e muito gratificante.
Após, a conclusão das atividades realizadas sugere-se a criação de encartes (flyers, folders e/ou convites) com a divulgação dos resultados por toda a comunidade com explicações de como fora o processo de elaboração até sua conclusão perfazendo uma avaliação dos aspectos positivos e negativos para com o meio ambiente e para com as atividades e envolvimento de todos que ajudaram a atingir resultados satisfatórios.

Gráficos com pesquisas de participação, processo (metodologia), investimentos, gastos e conclusões também podem ser apresentados para a comunidade a nível de esclarecimentos e, também, autoavaliações. Essas atividades necessitam o envolvimento de todas as áreas de conhecimento humanas, linguagens e exatas e sem dúvida podem ser trabalhadas com auxílio dos estudantes de todas as idades que aprendem de modo a descontrair-se e não percebem que fogem da rotina diária de gizes, quadros ou livros didáticos.

De acordo com a Seed (Paraná, 2008, p.76), “os recursos instrucionais (mapas conceituais, organogramas, mapas de relações, diagramas V, gráficos, tabelas, infográficos, entre outros) podem e devem ser usados na análise do conteúdo científico escolar, no trabalho pedagógico/tecnológico e na avaliação da aprendizagem”.

As propostas aqui sugeridas podem sofrer alterações conforme calendário e podendo ser aperfeiçoadas ou realizadas em menores proporções dependendo do espaço disponível, bem como o tempo disponível das partes envolvidas.

Reuniões envolvendo a comunidade escolar devem ser realizadas, pois dessa forma, podem engajar mais familiares a aderir ideias novas e consistentes para que seus filhos possam sentir-se com propósitos a serem cumpridos e que ao término de suas produções possam ter orgulho do que desenvolveram e que com isso, descubram uma profissão que nunca se findará.

Palestras de familiares que já estudaram na escola são de grande importância para que os alunos se sintam ainda mais engajados. Todavia, palestras com psicólogos e especialistas, também são importantes tanto para familiares como professores para que todos sigam um norte em acordo, pois as oportunidades aparecem, são visíveis, mas cabe ao educador tirar o ideal proveito da situação e fazer as oportunidades acontecerem. Não obstante, as opiniões de estudantes são fundamentais para que todo o processo aconteça, onde por muito, fecha-se os olhos e não se percebe as mudanças necessária a boas práticas e o estudante está aqui, sempre presente, para auxiliar no processo.

Reciclar e aproveitar, mundialmente é moda e uma moda que custa caro adquirir como móveis e objetos de decoração retornáveis e de utilidade diária como prateleiras realizadas com caixas de frutas, estrados que viram sofás, camas, pufes e painéis para fotografias.

As turmas de 9º anos que deixam as escolas de ensino fundamental nem sempre possuem condições financeiras de deixar um quadro de lembranças para a escola. Aqui a criatividade perpassa o dinheiro, pois com alguns retalhos de madeira, cola e fotografias impressas os alunos podem deixar belíssimas recordações para a escola onde estudaram por 9 anos e eles se sentem muito orgulhosos em deixar esse legado.

Ainda encontramos algumas dificuldades em relação ao embate de materiais e as resistências de alguns professores em se opor com relação ao processo acreditando que não valerá todo o esforço dedicado ou que os estudantes não conseguirão desenvolver as propostas ou, até mesmo a comunidade não auxiliará no processo etc.

Essas ações que produzem resultados um tanto que negativos no passado e que podem produzir resultados diferentes e inesperados no presente e futuro somente fortalecem ideais. Não se pode culpar ações baseadas num passado, precisa-se fazer a diferença agora mudando atitudes e pensamentos referentes ao presente para poder deixar um legado de ideias positivas para um futuro próspero e digno de ser aproveitado pelas gerações posteriores.

Nada obstante, é acreditar que ao fazer algo diferente por alunos que se encontram desacreditados com a vida e buscam forças infinitas para não desistir e poder dar continuidade àquilo que se acredita. Um dia ter seu valor e fazer toda a diferença, pois se continuar como um professor monótono que busca ou almeja apenas por uma aposentadoria o que será de meus futuros profissionais alunos de todas as áreas sem um incentivo sem um passado bem planejado para construir-se um futuro predominante.
Para evitar a redução do currículo em um documento estéril Kramer propõe que

A prática pedagógica é transformada a partir de propostas bem escritas; necessariamente, a transformação exige condições concretas de trabalho e salário e modos objetivos que operacionalizem a ampla participação na produção da proposta, de compreensão e de estudo, muitas vezes necessário, de confronto de ideias e de tempos para a tomada de decisões organizadas. (Kramer, 1997)

Eu sou o passado de meus estudantes, cabeças cheias? Ou quero dizer cabeças pensantes com ideias lúcidas pensadas por mim que um dia tentou fazer-lhes mostrar que também podem ser/ter um futuro brilhante e melhor do que aquele que tive!

Sustentabilidade, palavra difícil de grande peso e tamanho. Talvez por isso, que seja tão difícil usá-la, pois trata-se de uma obrigação e quando se fala em obrigações ninguém possui interesse em fazer diferente.

Está na hora de agir, e não somente dizer ou escrever o que se deve fazer se de fato nos escondemos por trás de uma carcaça podre de riquezas insignificantes que não possuem valores!

Não só aproveite o agora, pense, reflita e reorganize seu cotidiano de modo que o seu futuro saiba que você fez algo para mudar para que o planeta pudesse continuar respirando de forma sustentável.
Tento desvencilhar pensamentos obscuros que fazem-me remar para água remotas. Preciso da juventude que me carregue para a vida. Vida que vale a pena ser vivida de prazeres e realizações de fazer valer, de mudar, uma vez que quem não muda dança!

Esse é o lema, e toda vez em que me ponho diante de momentos aflitos como quando um professor acua e diz: Deixa assim! Sempre foi assim, nada vai mudar um dia você se acostuma e aprende! Quem mesmo precisa aprender aqui? Quem precisa desapegar-se de ideias desconectadas e aderir à uma prática sustentável com escritos conscientes e fomentados?

Segundo a Seed (Paraná, 2008, p.770), “o lúdico é uma forma de interação do estudante com o mundo, podendo utilizar-se de instrumentos que promovam a imaginação, a exploração, a curiosidade e o interesse, tais como modelos […], exemplificações realizadas habitualmente pelo professor entre outros”.

Essas habilidades possibilitam a interação social, o desenvolvimento da iniciativa, de respeito entre colegas, de cooperação, de solidariedade e de atendimento às regras nele contidas.

O ensino quer seja para Educação Infantil, Série Iniciais, Finais ou Ensino Médio deve levar às descobertas. E, sabemos, que o momento de uma descoberta é único e pertencerá ao descobridor para sempre. Não posso privar minhas crianças de suas próprias descobertas. Necessito instigá-las para todas as opções que puder que souber ensinar e, por meio da história (remetida ao passado), tão rica em conteúdo, para motivá-las naquilo que de mais têm de importante: a imensa vontade de descobrir, por meio de atitudes impulsivas e vontades de buscar tudo aquilo que é novo. Contudo, em um futuro não muito distante, saberão que terão seus futuros bem trilhados concomitante aos seus passados bem pensados.

Essas e outras atitudes demonstram a importância de estarmos nos aperfeiçoando sempre em busca de novas conquistas e novos saberes para inovar sempre e fazer com que todos ao nosso redor percebam que temos muito a fazer. É trabalhoso, mas extremamente gratificante.

Sendo assim, o professor que participa de forma integrada, progressista e responsável, no processo de educação, além de comprometer-se a atender os alunos em qualquer que seja suas necessidades está dizendo sim a vida, a aventura, sem medo, sem risco de errar, sabendo que pode consertar. Não recusa nem mesmo o passado, pois pensa, cria, atua, faz, fala e acima de tudo ama o que faz e aceita fazer diferente. Esse professor aceita pensar no mundo e para o mundo.

Fica a dica! Produza, pois tudo pode ser transformado. Sabemos que existe esperança ao mudar. Porque na mudança existe na lembrança. Descarte com consciência o que produziu e tenha certeza de que seu papel ficará marcado na memória coletiva de cada geração que precisará consumir aquilo que foi produzido ou descartado.

Repense! Ajude uma/sua escola/família. Reforme seu pensamento, seus móveis, também. Dê uma repaginada nos ambientes de seu lar e… Deixe essa moda pegar você também!

Pequenas ações! Grandes resultados no contexto escolar!

Texto: Flávia Grison

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