It – A Coisa – Capítulo 2

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Filme é bom mas repete a fórmula da primeira parte

Um dia alguém teve uma brilhante ideia no mundo do cinema: “Se filmássemos dois filmes ao mesmo tempo, ganharíamos em dobro, gastando para um trabalho apenas”. Assim foi feito. São várias obras duplas que são filmadas conjuntamente ou com um intervalo de tempo muito pequeno. Isto para aproveitar os custos com locações, cenários, atores, etc. A primeira continuação destas que assisti foi na saga “De Volta Para o Futuro”, partes II e III, de 1989 e 1990. Ficou perfeito e o pouco tempo entre uma edição e outra não deixou a história esfriar na cabeça dos fãs. Depois me lembro de “Matrix Reloaded” (2003) e “Matrix Revolutions” (2003). Embora a qualidade inferior do primeiro Matrix (1999), as continuações tinham seu charme, principalmente por conterem um “To be continue” no meio da história. Houveram também obras duplas para o final de Harry Potter (2010-2011) e Jogos Vorazes (2014-2015). Não funcionaram tão bem, porque o roteiro teve que ser esticado e o enredo acabou cansativo.

Pule de 10

Se existe um filme que tinha tudo para dar certo, como uma obra dupla, certamente este é “IT – A Coisa” (2017). O primeiro longa foi um sucesso. Ele apresentava a cidade de Derry, onde um assassino sobrenatural, em forma de palhaço, aparecia a cada vinte sete anos para raptar e matar crianças. Nisto um grupo de garotos excluídos formam o Clube dos Perdedores e enfrentam a divindade.

Perdedores Passo a Passo

Na primeira película foi possível acompanhar o desenvolvimento da personalidade dos meninos. Também foi possível observar a ótima atuação do ator que interpretava o palhaço. Por último ficamos curiosos com as várias brechas que o roteiro deixava. Os ganchos faziam pensar: Como seriam os perdedores na maturidade? De onde vêm o monstro afinal? Existe como matá-lo? O livro que deu origem ao filme possui 1104 páginas, escritas por Stephen King. Portanto, havia farto material para uma continuação ser bem desenvolvida. E foi, mas nem tanto quanto poderia.

De Volta para Derry

No filme deste ano, “It – A Coisa – Capítulo 2”, após o Clube dos Perdedores vencer o palhaço, quando ainda eram crianças, eles acabam se espalhando pelos Estados Unidos em sua vida adulta. Alguns tem sucesso na maturidade, outros nem tanto. Tudo muda quando a vitória sobre o monstro alcança 27 anos. Novamente crianças começam a desaparecer na cidade de Derry. Nisto um dos garotos, agora adulto, suplica aos colegas distantes para que voltem para enfrentar a criatura e finalmente dar cabo dela.

Hoje ou nunca

Mesmo resistentes os perdedores retornam a Derry e conforme vão ficando mais tempo na cidade conseguem lembrar de seu passado e das atrocidades do palhaço. Agora o grupo deverá reunir vários objetos que foram importantes em suas vidas, para novamente enfrentar a coisa. Eles devem fazer isto através de um ritual indígena. Se conseguirem ter coragem para encarar este desafio os perdedores podem salvar a cidade. Caso contrário estarão perdidos e o demônio só poderá ser morto na sua próxima visita, daqui há 27 anos.

Replay de Terror

“It – A Coisa – Capítulo 2” é um bom filme, mas sofre com várias deficiências de quem elabora uma fita logo após a outra. A maior delas é que o longa é extremamente influenciado pela obra inicial. No primeiro filme vemos todos garotos, um a um, enfrentarem individualmente a coisa, para depois se reunirem e participarem de uma batalha coletiva. No segundo filme o roteiro transcorre exatamente da mesma forma. Não que seja ruim, mas gostaríamos de ver a história evoluir um pouco mais, no lugar de assistir um replay.

Querendo sempre mais

Certamente quem foi ao cinema gostaria de mais informações sobre o ritual que extermina o demônio ou sobre o próprio palhaço. De onde veio, o que é exatamente, quais seus objetivos? Nada disto é bem explicado e faz falta para o roteiro. Os atores adultos também são inferiores as crianças. Embora experientes não tem a mesma empatia e fica difícil se envolver com sua jornada. Por fim o próprio filme tem 2h e 40min. Isto cansa bastante.

O pior dos finais

Nem tudo é perdido. “It – Capitulo 2” é muito bem concebido em cenários, figurinos e CGI. A fita assusta muito também. Por último, é bastante divertido, a participação de Stephen King, em um cameo, tirando sarro da sua incapacidade de fazer finais memoráveis para suas obras. O problema verdadeiro é que a cópia é inferior a primeira aventura. De qualquer forma, vale o ingresso, mesmo que se tenha algumas ressalvas.

Palhaço no ponto

Com algumas dificuldades, os dois filmes são bons. Com certeza são melhores que a cópia de IT do VHS, da década de noventa. No entanto deixam uma dúvida. Talvez se o estúdio tivesse dado um pouco mais de tempo entre os dois filmes poderia ter pesquisado melhor o que deu certo em um e poderia estar desgastado para o outro. Talvez encontrasse formas de apresentar o que os fãs realmente tinham curiosidade. Realmente, um bolo apressado sempre corre risco de abatumar, um palhaço assassino então, se feito às pressas, nunca vai sair com a qualidade que merece. O pior é que a próxima fornada talvez só saia em 27 ou 30 anos. É tempo demais para esperar, tanto para os fãs, quanto para esta coisa sobrenatural.

Trailers:

Elenco Citações e Referências

Pennywise: Bill Skarsgård, Deadpool 2, 2018

Bill Denbrough: James McAvoy, Vidro, 2019

Beverly Marsh: Jessica Chastain, A Hora Mais Escura, 2012

Ben Hanscom: Jay Ryan, A Bela e a Fera, 2012 – 2016

Richie Tozier: Bill Hader, Superbad ‑ É Hoje, 2007

Mike Hanlon: Isaiah Mustafa, Quero Matar Meu Chefe, 2011

Eddie Kaspbrak: James Ransone, A Entidade, 2012

Stanley Uris: Andy Bean, Monstro do Pântano, 2019

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