Entre a realidade e a virtualidade

0
178
Imagem ilustrativa

Estudo liderado por Twenge, professora de Psicologia da Universidade Estadual de San Diego, refere que jovens que passam muito tempo nas telas de aparelhos eletrônicos são menos felizes que aqueles que preferem outras atividades.

Se pensarmos que o desenvolvimento humano é um processo contínuo de aquisições e de transformações que se dão no sujeito, a partir de suas experiências no contexto das relações sociais, a criança/ adolescente que passa a maior parte do tempo nos dispositivos eletrônicos se constitui da mesma forma?

A importância do outro é imprescindível no desenvolvimento da personalidade do ser humano, seja no nível da consciência de si e do mundo, seja no nível da constituição da sua subjetividade e do desenvolvimento de suas funções psicológicas superiores. O outro é de extrema importância na vida psíquica, pois a consciência de si e a formação do eu se desenvolvem em estreita dependência do outro. Se estivesse ocorrendo de forma saudável a constituição psíquica, haveria esta diminuição repentina no bem-estar psicológico dos adolescentes?

Segundo Twenge, entre 2012 e 2016 houve um aumento na quantidade de tempo gasto em redes sociais e o consequente declínio das atividades sociais e do sono onde os índices de satisfação com a vida, autoestima e felicidade despencaram.

Como a criança se desenvolve em um contexto social, as interações e as relações com as pessoas têm um papel crucial para suas aquisições e para a construção de funções psicológicas. O ser humano é um sujeito interativo que se constrói socialmente, ao mesmo tempo que participa ativamente da construção do social. De que maneira o sujeito se situa nessa aparente fronteira entre realidade e virtualidade?

Outro fator que influência no modo como essas experiências afetarão a subjetividade do sujeito é a faixa etária. As primeiras experiências de vida têm importantes efeitos constitutivos para o sujeito, nesse sentido, o fator idade influência na ocorrência de implicações subjetivas a partir do uso tecnológico.

O autor Esteban Levin, no livro Rumo a uma infância virtual? A imagem corporal sem corpo (2007), aponta que nessa nova realidade tecnológica a criança não brinca, mas sim interage. Se percebe a existência de um empobrecimento simbólico na experiência de identificação onde a criança acabaria se reconhecendo apenas através das imagens trazidas pela tela, e não mais através do Outro. Logo quanto menor a criança maior o risco do uso excessivo da tecnologia na sua constituição psíquica.

Para o adolescente podemos supor que esse espaço virtual também ofereça um meio de proteger-se do olhar do outro, possibilitando-lhe evitar os desafios que a adolescência confronta. Esta relação exclusiva do sujeito com o computador e a Internet pode ser propulsionador de uma vivência de despersonalização, os jovens assumem diferentes imagens, criam personagens e ensaiam relações não tendo que lidar diretamente com as consequências das mesmas.

Na medida em que a tela do computador é tomada exclusivamente como via de relacionamento, se supõe a existência de uma fixação no uso dessa tecnologia, onde o adolescente pode dispensar o laço com os outros para não perder o que se passa na tela, ou restringir-se a relações não presenciais.

Conclui-se que várias são as possibilidades que se abrem no contato com o ambiente virtual (composto de ideias, crenças, experiências anteriores, relações interpessoais, discursos sociais) que influenciam o modo como o sujeito compreenderá a sua experiência no ciberespaço.

O espaço pode ser utilizado para lazer, comunicação, criação e fortalecimento de vínculos, busca de informações e conhecimentos, logo experiências enriquecedoras e prazerosas podem derivar do seu uso desde que de maneira adequada, intercalando com outras atividades sociais.

É preciso utilizar as redes sociais com moderação, caso contrário ela torna-se um vício e, como qualquer vício, traz prejuízos para nossa vida.

Deixe uma resposta

Por favor, digite seu comentário
Por favor, coloque seu nome aqui