É sobre todos nós!

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Foto: Unsplash

A crise epidêmica que estamos vivendo devido ao coronavírus, aumenta consideravelmente o nosso nível de tensão principalmente com as incertezas sobre a doença

Mas o pânico não começa de imediato, requer um processo para que as informações sejam absorvidas e processadas, como no luto com todas as suas fases. No começo, acreditamos que estamos seguros, que isso afetará só a China, a Itália…mas de repente chega ao Brasil. Mas continuamos subestimando a probabilidade de que possa acontecer conosco.

Num determinado momento, seja pelo aumento do número de casos, ou sua maior proximidade, ou por nos colocarmos no lugar da pessoa que foi contaminada e esta isolada ou imaginar que poderia ser alguém da nossa família, seja pelas escolas fechando, o toque de recolher, o decreto… rompemos essa bolha otimista e começamos a nos dar conta do real perigo desta pandemia.

Neste momento podemos entrar em pânico ou fazermos nossa parte, tomando as ações que nos cabem para controlar esta situação, como manter o isolamento social e as precauções de higiene como lavar as mãos que, na realidade, é uma das coisas mais importantes que podemos fazer para evitar a dispersão do vírus.

Haverá aqueles que continuarão a negar a gravidade da epidemia como uma espécie de autoengano, que colocarão muitas vidas em perigo pela disseminação do vírus, afetando o bem coletivo e não só individual. Aqueles que creem que não haver AINDA um caso confirmado na cidade signifique que não é necessário a prevenção, esquecendo que provavelmente muitas pessoas contaminadas ainda estão assintomáticas e não foram ao médico realizar o exame mas sim podem transmitir o vírus.

Mas mesmo fazendo nossa parte, a ansiedade se manifestará seja através do nervosismo, agitação, insônia, estado de alerta: necessidade de ver e ouvir constantemente informações sobre o covid 19, dificuldade para realizar tarefas diárias. Procuramos culpados, passamos a imaginar: “Como seria se eu pegasse coronavírus? E se não tiver mais comida? Neste momento devemos usar a razão e ter cuidado com o “efeito manada”.

Steven Taylor, autor do livro sobre a psicologia de pandemias, diz que somos guiados pelo chamado “efeito manada”. Onde as pessoas observam as outras para saber como devem responder- instinto. É como fogo dentro do cinema — as pessoas não fogem por causa da fumaça, mas porque veem outras pessoas correndo. O medo é contagioso.

Temos dificuldade em analisar os riscos com os dados que mudam a cada momento. E quando não sabemos avaliar, decidimos agir com cuidado. Comprar papel higiênico em excesso é o sintoma, não o problema. Infelizmente o medo da escassez pode causar a real

escassez. Devemos ter empatia, pois existem pessoas que vivem com o dinheiro para o dia a dia e não podem estocar. Quando entrarmos no supermercado, devemos lembrar que possivelmente haverá pessoas em pânico ali, e então desmanchar o efeito manada e não agir da mesma forma que as outras pessoas estão agindo.

Temos responsabilidades em relação às outras. Estamos todos conectados na maneira como lidamos com o vírus. Dependemos uns dos outros para enfrentá-lo. É um esforço coletivo. Temos que nos lembrar que não é sobre nós, é sobre todo mundo, como refere Taylor.

Como podemos então manter as emoções sob um certo controle?

Ninguém sabe quando a pandemia terminará ou quando as coisas voltarão ao normal, logo devemos reduzir a ansiedade e isso tornará mais fácil esse momento, nos manterá mais saudáveis mentalmente e com um sistema imunológico mais resistente.

Inicialmente para manter as emoções sob controle o ideal é encontrar um equilíbrio entre informação suficiente para tomar decisões sobre nossas vidas, e sobrecarrega de informações que aumentem o estresse. Escolhamos algumas fontes em que podemos confiar e devemos ter cuidado com as redes sociais, pois muitas informações não são verdadeiras.

Agora devemos apostar numa rotina. Durante a quarentena devemos continuar organizando o nosso dia: descanso, trabalho e lazer. Isto serve tanto para os adultos como para as crianças. Limpar a casa, cozinhar, trabalhar online, organizar aquele armário… fazer as coisas que gostamos, que sejam restaurativas, mas que geralmente não temos tempo, como ler um livro, assistir filmes, fazer um curso a distancia, recuperar laços afetivos: ligar para aquela amiga, conversar por vídeo com a avó, curtir os filhos, auxiliar nos estudos a distancia, aproveitar o amor e o cuidado com os animais de estimação, praticar jardinagem, sentar na varanda e observar, ver o que antes não víamos devido a urgência do dia a dia. Repensar nossas prioridades, nossos excessos e nossas faltas e como diz Freud é uma situação que pode convocar os nossos fantasmas para a gente bater um papo com eles e resolver assuntos pendentes. [Sigmund Freud (1856-1939), médico psiquiatra criador da psicanálise]

É uma situação limite, inédita, que pode trazer o melhor e o pior do ser humano. Portanto se os sintomas de ansiedade e depressão passarem da conta, o ideal é procurar um tratamento psicológico online.

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