Confira entrevista com o tenente Alexandre e com o soldado Vaz

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Bombeiros ficaram 24h num bote inflável. Foto: divulgação

Bombeiros estiveram em ação de resgate em que equipe perdeu contato e passou 24h num bote no Rio das Antas. Confira também, dicas de segurança na água durante o verão

Na última semana um fato causou preocupação durante ação dos bombeiros da Serra que atuavam em resgate de jovem vítima de afogamento no Rio das Antas. No domingo (13), Victor Vinicius Caucir Maciel, 15 anos, se banhava com familiares próximo da ponte entre os município de Antônio Prado e Flores da Cunha quando desapareceu nas águas. O corpo do jovem só foi encontrado na tarde da quarta-feira, dia 16.

O comandante do Corpo de Bombeiros de São Marcos, tenente Alexandre Machado e o soldado Douglas Flores Vaz se juntaram em reforço às buscas durante a semana. Alexandre liderou as buscas em substituição ao comando de Flores da Cunha e Vaz atuou com soldados de Flores, Caxias e Vacaria.

Na tarde da quarta-feira, Vaz, de 28 anos, atuante em São Marcos e os colegas Luciano Maier Rodrigues, sargento, de 44 anos e o soldado Emérson Simonioni Ribeiro, de 27, ambos atuantes em Vacaria, perderam o contato com a equipe que estava em terra, tendo que passar a noite no rio.

O último contato visual com os três bombeiros tinha sido no início da tarde de quarta. Eles deveriam ter voltado ao ponto de encontro, na Capela Santo Antônio, em Flores da Cunha, às 18h de quarta-feira, mas não retornaram.

Eles percorreram 30 km pelo Rio das Antas durante uma noite. Foto: SMO

Conforme relataram ao SMO, na quinta-feira (17), o motor do bote inflável em que estavam acabou molhando durante queda d’água de aproximadamente 3 metros, impedindo o retorno. Eles foram obrigados a passar a noite no bote remando para combater o frio até que chegassem ao segundo ponto de encontro, aonde foram encontrados na manhã da quinta-feira, já na altura dos municípios de Nova Pádua e Nova Roma do Sul.

Eles entraram no bote às 8h30 de quarta e foram encontrados 24h depois. Confira entrevista no vídeo. Durante entrevista ao SMO, o comandante Alexandre repassou dados e dicas importantes de prevenção de afogamentos, que tendem a aumentar durante o período de verão.

No Brasil, mortes por afogamento tem maior índice da América Latina

Risco é ainda maior entre as crianças. Saiba como proteger os pequenos

Se fosse preciso definir o Brasil em uma única estação, é provável que ela seria o verão. Grande parte dos estados são banhados pelo mar e os climas amenos e quentes favorecem as idas à praia. Tanta familiaridade com as águas afasta o medo de acidentes, e vem daí as principais fatalidades e mortes por afogamento.

De acordo com pesquisa da Sobrasa (Sociedade Brasileira de Salvamento Aquático), uma pessoa morre afogada no Brasil a cada 91 minutos, sendo 16 óbitos por dia e 5.840 ocorrências fatais por ano. Os incidentes não fatais são estimados em 100 mil por ano. Ou seja, a cada 100 afogamentos registrados no país, cinco pessoas morrem.

Números tão expressivos fazem com que o Brasil tenha o maior índice de mortes por afogamento da América Latina. Para você entender ainda mais sobre esse cenário, o Violência Social preparou um post completo:

Mortes por afogamento

Ainda segundo o levantamento da Sobrasa, o número de homens que foram vítimas é 6,8 vezes maior do que o de mulheres. O estudo mostra, também, que 47% das mortes por afogamento são de vítimas de até 29 anos.

Em 75% dos casos, os acidentes acontecem em rios e represas. As piscinas são um capítulo à parte e exigem atenção, principalmente para os pais e responsáveis por crianças pequenas, mas a maior parte dos óbitos acontece justamente em águas naturais, em locais de água doce, como rios, represas, lagoas e cachoeiras.

Quando as vítimas são crianças

mortes por afogamento

Atenção é primordial quando as crianças estão na água, já que há risco de afogamento mesmo com poucos centímetros de profundidade

Segundo informações do Ministério da Saúde, entre as pessoas que morrem diariamente por afogamento no Brasil, três delas são crianças.

Em 2016, foram 913 mortes por afogamento de crianças de até 14 anos, segundo a ONG Criança Segura, citando números do Ministério da Saúde.

Essa é a maior causa de morte acidental entre crianças na faixa de um a quatro anos, sendo a piscina o local onde acontece a maioria dos incidentes, também segundo o Ministério.

Isso porque para que uma criança se afogue não é preciso de grandes profundidades, de águas naturais ou perigo iminente. Uma simples distração dos responsáveis pode acabar em tragédia.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), bastam 5 centímetros de água para um bebê se afogar na banheira, por exemplo. Outro risco para as crianças são os ralos de sucção nas piscinas. Por isso, a atenção deve ser redobrada com os pequenos.

Melhor saída é a prevenção

Saber nadar não é uma garantia que evita o afogamento, principalmente em águas naturais. Por isso, é fundamental seguir algumas estratégias essenciais para evitar riscos de afogamento:

  • Prefira nadar em locais com a presença de salva-vidas;
  • Aprenda habilidades básicas de natação e técnicas para boiar, caso seja necessário;
  • Fique atento às placas que alertam sobre perigos no mar, tábua das marés e fuja das correntezas;
  • Caso esteja em uma situação que cause medo, como uma correnteza forte, não entre em pânico e tente agir racionalmente;
  • Não ingira bebidas alcoólicas e nem use drogas antes de entrar no mar.

Com crianças:

  • Nunca deixe crianças sozinhas quando estiverem dentro ou próximas à água, nem mesmo por um segundo;
  • O colete salva-vidas é o equipamento mais seguro para evitar mortes por afogamento;
  • Dê orientações e ensine a nadar. No entanto, não superestime a capacidade de natação de crianças e adolescentes e mantenha-se por perto;
  • Ensine os pequenos a não correr, não empurrar outras crianças na água e nem fingir afogamento;
  • Fique atento e mantenha contatos de emergência sempre à mão.

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