Brinquedo Assassino

0
505

Chuck abandona a magia e parte para a tecnologia

Slasher-movie é um subgênero das fitas de terror que teve ápice na década de 80. Na tradução livre, “slasher” significaria golpeador (ou esfaqueador). Os longas deste tipo sempre trazem um assassino em série que mata muito, sem muito motivo. É deste gênero franquias como “Hallowen” (1978-2018), “Sexta-feira 13” (1980-2013), e “A Hora do Pesadelo” (1984-2010). Quase nos estertores desta tendência, surgiu uma série que era quase uma piada, se comparada com seus irmãos mais velhos. Tratava-se de “Chuck – O Brinquedo Assassino”. Pois este ano, Chuck ganhou um reboot, muito diferente do original.

Com toda Corda

O primeiro “Brinquedo Assassino” foi lançado em 1988. Nele um fugitivo da polícia morre baleado. No entanto, o vilão usa feitiços vodu para transmitir seu espirito para um boneco encaixotado. Logo uma mãe compra o boneco e presenteia seu filho. Ao abrir o pacote, o garoto torna-se o único corpo para onde a alma do assassino pode se transferir. O garoto não demora a perceber que existe algo estranho com o brinquedo. Por sua vez, a mãe não acredita no menino. O boneco parte então para assassinar várias pessoas porquê… porque deu vontade, horas.

Voltando das Nuvens

Depois de várias mortes sangrentas, algumas ridículas, finalmente o boneco é incinerado e a paz volta a reinar. Só que não. Esta versão de Chuck retornaria em mais sete filmes entre 1988 e 2017. O sucesso foi tanto que ele chegou a ganhar uma noiva e até um filho, horroroso e bonzinho. Como a moda agora é fazer reboot de tudo, o boneco assassino não poderia deixar de ter o seu. Esqueçam o vodu, na nova história o que vale mesmo são os programas de computador e a tecnologia em nuvem.

Péssimo Programa

No novo “Brinquedo Assassino” uma multinacional tem o “Boneco Bonzinho” como uma das estrelas de seu mundo completamente tecnológico. Este possui uma inteligência artificial que se adapta a vida na casa que o recebe, podendo controlar seus eletrônicos. Sua principal função é moldar-se aos hábitos da criança que é seu dono. Na fábrica destes bonecos, no Vietnã, um dos trabalhadores que produzem o brinquedo, através de trabalho escravo, se rebela e tira da programação do boneco qualquer inibição. Um destes exemplares ganha a habilidade de falar palavrões, organizar planos maléficos e matar quando bem entender.

Aprendendo Rápido

Não demora e este boneco é adquirido pela balconista Karen. O brinquedo é para que seu filho, Andy, tenha alguma companhia. No início, o presente realiza atividades lúdicas para o garoto, mas logo começa a se tornar possessivo e quer afastar o menino de todos aqueles que o fazem mal, ou até o amam. Agora Andy tem de buscar ajuda de novos amigos, que conheceu em seu prédio, para conter este Chuck tecnológico. Mas será possível destruir um assassino que pode interagir com todos os eletrônicos que utilizam a mesma nuvem virtual que ele¿

Brinquedo Jedi

Por mais boba que pareça a franquia do “Brinquedo Assassino”, este novo filme tem seus aspectos interessantes. O primeiro deles é que no áudio original Chuck é dublado por Mark Hamil, o Luke Skywalker da série Star Wars. Ironicamente Hamil já havia interpretado o mestre dos brinquedos na série do Flash e dublado o Coringa no desenho do Batman. Ambos personagens são da década de 90. Fora a “coincidência”, o filme consegue trazer alguma discussão sobre Assédio Moral e Bulling. Também é legal ver o boneco agindo como a Skynet, de “Exterminador do Futuro 2” (1991), controlando vários equipamentos de forma sanguinária e trazendo à tona novamente a pauta dos perigos da Inteligência Artificial. De ruim mesmo ficou o visual, bem mais fofinho que o antigo Chuck.

Sendo o boneco

O novo Chuck é um filme razoável. É possível assistir, se você estiver de bom humor. O interessante mesmo é utilizá-lo para pensar na sociedade que estamos criando. Nela cada vez mais temos necessidades de equipamentos, aplicativos, brinquedos eletrônicos e gadjets. Os dominamos, mas aos poucos eles nos dominam também. Será terrível se um dia estes programas se voltarem contra nós ou apenas começarem a falhar. Imaginem uma revolta de inteligências artificiais que hoje já controlam o trânsito, aparelhos hospitalares ou aviões em pleno voo. Talvez este filme esteja mais para um alerta do que para um brinquedo. Sinceramente, acho que já estou começando a sentir saudade do Chuck Vodu.

Trailers

Elenco, Citações e Referências

Chucky’s – Mark Hamill – Star Wars: Os Últimos Jedi, 2017

Karen Barclay – Aubrey Plaza, Tirando o Atraso, 2016

Andy Barclay – Gabriel Bateman, Annabelle, 2014

Detective Mike Norris – Brian Tyree Henry, Coringa, 2019

Henry Kaslan – Tim Matheson, Jumanji: Bem‑vindo à Selva, 2017

Doreen – Carlease Burke, Crowded, 2016

Deixe uma resposta

Por favor, digite seu comentário
Por favor, coloque seu nome aqui