Brincadeiras e Brinquedos Atuais

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As brincadeiras tomaram conta na instituição de Educação Infantil nos últimos anos. É através delas que as crianças desenvolvem seu corpo e sua mente, demonstram seu lado afetivo, desenvolvem sua motricidade e permitem adquirir novos conhecimentos.

Desenvolvendo diversificadas brincadeiras na escola, o espaço torna-se mais agradável de frequentar e permite que as crianças, desenvolvam sua aprendizagem com maior sucesso.

Geralmente as brincadeiras são desenvolvidas em conjunto, que aparentemente são as melhores experiências de socialização vividas por elas, é assim que as crianças aprendem, que para brincar com outra tem que ir até seu limite e respeitar o do outro, obedecer a regras e fazer acordos. As crianças aprendem que seus desejos, nem sempre podem ser realizados, precisam esperar sua vez e que tem que ter flexibilidade em tudo que se faz.

Para aprender as brincadeiras que são proporcionadas a elas, precisam estar em contato com outras ou com o adulto, observando todos os passos a serem seguidos. A partir desse momento surge a fase das imitações e do faz-de-contas.

Na imitação, a criança desenvolve a capacidade de observar, é através dessa capacidade e através de repetições que ela vai desenvolver sua aprendizagem, também irá auxiliar no processo de diferenciação dos outros e assim aos poucos, a criança vai construindo sua própria identidade.

Na brincadeira do faz-de-conta a criança brinca com seu imaginário, construindo vários papéis para ela mesma, às vezes é professora, pai, mãe, filhinho, médico. Ela adora imitar o que a professora faz, sua maneira de agir, suas palavras e seu comportamento. A imaginação e a fantasia são elementos fundamentais, para a criança formular seus conceitos sobre as outras.

As brincadeiras alimentam o espírito imaginativo, implorativo e inventivo do faz-de-conta e a isso chamamos de lúdico. Brincar tem o sabor de desconhecer o que conhece, pois cada brincadeira é um universo a ser sempre (re) descoberto, (re) vivido,(re) aprendido. O faz-de-conta tem um sentido muito profundo e repleto de significados em nossa vida, principalmente na vida da criança. Não se faz-de-conta que se faz-de-conta, e brincar não é uma mentira, é uma atitude em que tudo de si esta presente (PEREIRA, 2002, p.7).

A brincadeira é a melhor forma da criança se expressar e colocar para fora o que está sentindo, não importa se é através do faz-de-conta porque essa também é uma atividade regida por regras que devem ser seguidas. Ao brincar de casinha sendo o papai, ele tem que dar sustento a família, trabalhar fora, dar carinho e atenção a sua mulher e seus filhos, enfim papai é coberto de responsabilidades e a criança precisa se esforçar para representar bem esse papel, assim à criança se desenvolve e aprende brincando.

Segundo Winnicott (1975) também ressalta a importância das brincadeiras no desenvolvimento da criança. Ele afirma que:
“A brincadeira é a melhor maneira de a criança comunicar-se, ou seja, um instrumento que ela possui para relacionar-se com outras crianças. Brincando, a criança aprende sobre o mundo que a cerca e tem a oportunidade de procurar a melhor forma de integrar-se a esse mundo que já encontra pronto ao nascer “ (WINNICOTT, 1975, p.78).

Já é de bem pequeno, que a criança se relaciona com o mundo em que vive através das brincadeiras, aprende o que é certo e o que errado e a partir desses momentos é que ela vai escolher que caminho seguir na vida, que cidadão vai querer se tornar, que amigos vão querer para si.

Encontramos muitos tipos de brincadeiras que podem ser desenvolvidas com as crianças e que passam de geração para geração, por esse motivo algumas nem sempre permanecem iguais, também se deve considerar a cultura de cada lugar. Podemos nos lembrar de algumas como: esconde-esconde, coelho sai da toca, pega-pega, telefone sem fio, passa o anel, ovo choco, tira o rabo, gato e rato, enfim são inúmeras e as crianças adoram além de satisfazer seus desejos através dessas brincadeiras estão construindo sua aprendizagem e desenvolvendo sua autonomia.

O jogo é sempre uma maneira da criança se integrar, aparece sempre alguma novidade, que é fundamental para prender a atenção e despertar o interesse da criança, na medida em que ela joga faz novas descobertas sobre si mesmo. A criança só pode participar de jogos depois de se terem formado as coordenações sensório-motoras fundamentais, antes de segurar um objeto na mão e manipulá-lo é impossível jogar alguma coisa. A partir do momento que esse equipamento é acionado o corpo começa a mandar energias e o pensamento também, desafiando a desenvolver habilidades operatórias que envolvem observação, comparação, identificação, análise e generalização, confiando cada vez mais em si mesma. É bem importante no jogo que a criança faça as sua descobertas sozinhas, e para isso acontecer o professor deverá apresentar situações desafiadoras para ela, interferindo se necessário. O jogo é um elemento didático fundamental para o processo de ensino-aprendizagem, ele deve ser motivado pelo professor para despertar o interesse pela criança.

O jogo é, portanto, sob as suas duas formas essenciais de exercício sensório-motor e de simbolismo, uma assimilação da real à atividade própria, fornecendo a esta seu alimento necessário e transformando o real em função das necessidades múltiplas do eu. Por isso, os métodos ativos de evolução das crianças exigem todos que forneça ás crianças um material conveniente, a fim de que, jogando, elas cheguem a assimilar as realidades intelectuais que, sem isso, permanecem exteriores à inteligência infantil (PIAGET, 1976, p.160).

O jogo é uma atividade lúdica que gera conhecimento e desenvolvimento para a criança tornando a aprendizagem mais fácil. Através do jogo a criança mais tarde se torna um cidadão, criativo, conhecedor de sua cultura e com sua autonomia bem desenvolvida. Jean Piaget defende a importância do jogo e classifica os jogos de acordo com o desenvolvimento cognitivo da criança.

Os jogos de exercício que vão do nascimento da criança até que ela comece a falar e que consistem em exercícios simples de repetição.

Os jogos simbólicos que iniciam quando a criança começa a se comunicar e são aqueles que possibilitam a imaginação e a imitação, nesta fase utilizam diversos objetos fazendo de conta que são outros, por exemplo, uma cadeira vira um carro, várias cadeiras enfileiradas viram um ônibus, o importante é que nesta fase a criança satisfaz seus desejos e imita o adulto que quiser, muitas vezes transforma a realidade a sua maneira.

Os jogos de regras iniciam a partir dos sete anos onde as crianças sentem a necessidade que os jogos tenham algumas condições impostas, já possui um espírito competitivo e alguns não suportam a ideia de perder.

A utilização de jogos na escola é sem dúvida uma grande possibilidade de realizar um excelente trabalho pedagógico. Muitas instituições de Educação Infantil já oportunizam momentos em que os pais tiram um tempinho e vão para a escola brincar com seus filhos, esse é um projeto muito bom, pois envolvem as famílias com a escola num momento de descontração e as crianças ficam muito felizes ao verem seus pais participarem. Os adultos também gostam de participar de jogos e brincadeiras, é sempre tempo de aprender algo novo e desenvolver novas habilidades. Existem vários tipos de atividades recreativas que podem ser divididas em diferentes faixas etárias e outras que podem ser aplicadas para todas as idades.


Escrito pela professora Marta Isabel Bugança

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