Boate Kiss: após 7 anos, como está são-marquense que sobreviveu a tragédia

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Juciane se formou em 2018 e está se especializando em medicina veterinária preventiva, pela UFSM. Arquivo pessoal

Juciane Bonella, hoje com 28 anos, falou com a reportagem do São Marcos Online nesta segunda-feira, dia 27 de janeiro

O incêndio que ocorreu na madrugada de 27 de janeiro de 2013, em Santa Maria, provocou 242 mortes e deixou 636 feridos. A são-marquense, Juciane Bonella estava na boate no dia da tragédia e contou ao São Marcos Online como está 7 anos após o episódio e como se sente em relação a impunidade dos responsáveis. Julgamento de três réus está marcado para o dia 16 de março.

Formada há dois anos em medicina veterinária a são-marquense relatou como foram os últimos anos, com a recuperação física e psicológica. Juciane teve 25% do corpo queimado e complicações respiratórias pela inalação de cianeto, substância exalada durante o incêndio na boate.

“Ainda tenho traumas, de fumaça, lugares lotados, não frequento”

“Na questão física, até o ano passado eu precisava de fisioterapia respiratória, mas a questão emocional eu ainda trabalho, faço psicoterapia e preciso de medicamentos para depressão”, revela.

Sete anos depois, nenhum dos quatro réus foi julgado ainda. O júri de Luciano Bonilha Leão e Marcelo de Jesus dos Santos, integrantes da banda Gurizada Fandangueira, e do empresário Mauro Hoffmann está marcado para o dia 16 de março, em Santa Maria. O quarto réu, Elissandro Spohr, dono da boate, conseguiu transferir o julgamento para Porto Alegre. Esse júri ainda não tem data definida.

“Na minha opinião, julgamento é inválido”

Juciane considera o julgamento dos quatro réus, de certa forma inválido, ela destaca que a justiça só teria valor se as autoridades da época também fossem responsabilizadas, dentre elas, o prefeito, o comandante dos bombeiros e os responsáveis por fiscalizar e liberar os alvarás à Kiss.

“Se as pessoas que estão lá para dar exemplo, para fiscalizar e fazer o processo acontecer da forma correta não vão ser responsabilizados, não vai ter justiça”, destaca.

“Pra mim, o trabalho social foi o melhor remédio pra alma”

“Eu perdi muitos amigos e com todo o tratamento que eu passei eu voltei meu foco pra ajudar outras pessoas. Não sai no noticiário os casos de sobreviventes que acabaram cometendo suicídio nesses anos por não aguentar mais a situação, a gente não tem amparo, por isso a gente precisa falar”, revela a sobrevivente da boate Kiss.

Atualmente Juciane está fazendo especialização na área em que escolheu para atuar, medicina veterinária e também auxilia outras pessoas através de trabalhos voluntários com crianças carentes.

Juciane também foi convidada para conversar em escolas de Santa Maria e também com jovens das categorias de base do internacional sobre força, resiliência, superação.

“A minha fé e vontade de ser sempre melhor para mim e para os outros”

Na rede social “Kiss: Que Não Se Repita”, foi lançada a campanha Janeiro Branco, em alusão aos sete anos da tragédia. Dois tipos de ações estão sendo programadas pelos organizadores. A primeira campanha tem seu viés no Janeiro Branco, mês de cuidado com a saúde mental, focando nos sobreviventes do incêndio e em como eles encontraram ajuda para se reerguerem depois do trauma que deixou marcas emocionais e físicas.

Questionada sobre o que mais contribui para sua recuperação, Juciane responde: “A minha fé e vontade de ser sempre melhor para mim e para os outros”.

Ao final de entrevista Juciane Bonella, que está em São Marcos de férias, visitando familiares e amigos, aproveitou para agradecer a todos os são-marquenses que rezaram e torceram por ela durante todo esse tempo.

“Eu sempre gosto de agradecer as pessoas de São Marcos que rezaram pela minha recuperação. Até uma caminhada fizeram em meu nome, isso me ajudou muito”, finaliza.

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