Observamos frequentemente pais beijando seus filhos na boca, comportamento que além de problemas de saúde podem ocasionar em problemas emocionais. O adulto é o exemplo e o limite tem que partir dele

A criança ao nascer é uma tábula rasa que se constitui ao longo de sua vida, principalmente no convívio com os pais e com o meio no qual a criança convive, pois cada família possui suas singularidades.

Ao crescer a criança passa a frequentar a escola, e nesta também acaba manifestando suas singularidades e em contraponto assimilando novas informações adquiridas no convívio social. Ao se tratar de escola, um âmbito mais aprofundado, este processo de aquisição de conhecimento se dá de forma mais organizada de modo que, todas as ações realizadas pela escola e seus profissionais são pensadas, refletidas, discutidas e planejadas, pois todas as ações devem ter intencionalidade e finalidade.

Na Educação Infantil este processo não pode ser diferente, pois o período de 0 ao 5 anos, é a base da formação do ser humano para o desenvolvimento futuro. Deste modo, destacamos a importância da escola como local para além dos cuidados na Educação Infantil, porque é nele que a criança deve se envolver, interagir e agir com o meio, com o outro e com si mesma para apreender o mundo que a cerca e ir além apreendendo para além da imagem, mas também os significados por trás delas.

Esta etapa é marcada pela constituição cerebral onde se cristaliza várias fases do desenvolvimento infantil, desenvolvimento este pautado na interação com o meio, segundo Vygotsky a criança aprende e depois se desenvolve, deste modo, o desenvolvimento de um ser humano se dá pela aquisição/aprendizagem de tudo aquilo que o ser humano construiu socialmente ao longo da história da humanidade.

No entanto, mesmo a criança neste período estar frequentando a creche os pais tem um importante papel na formação da sua personalidade estabelecendo limites, pois todas as vivências experimentadas nesse período terão influência e ficarão registradas em algum lugar da sua memória. Diante disso, observamos frequentemente pais beijando seus filhos na boca, comportamento que além de problemas de saúde podem ocasionar em problemas emocionais, pois sabemos que o adulto é o exemplo e o limite tem que partir dele, afinal é preciso estabelecer limites nas demonstrações de carinho, crianças são fofas e a vontade de acariciá-las e abraçá-las é incontrolável até mesmo de beijá-las, mas este carinho pode ser manifestado sem beijar na boca, ainda mais que o amor dispensado a eles não é somente manifestado desta forma e sim com o convívio diário através de comportamentos e atitudes além do tempo disponibilizado a ficar com o seu filho.

De acordo com a psicóloga, Charlotte Reznick; “a consciência sexual das crianças começa desde muito cedo. É por isso que beijos inocentes podem criar vínculos emocionais que confundem crianças. Segundo ela, não é prejudicial dar beijos na boca aos filhos quando são pequenos, mas é melhor não fazê-lo, pois pode criar muitas confusões no futuro.”

Beijo na boca é coisa de adulto, de pessoas que se relacionam intimamente e este comportamento com efeito normal pode levar a criança a beijar qualquer um como um comportamento natural, pois eles acabam reproduzindo aquilo que ouvem ou veem, levando a despertar precocemente a sexualização, diferente da sexualidade, pois esta é inata ao ser humano e deve ser estimulada de maneira saudável, de modo que a criança tenha familiaridade com seu próprio corpo e possa se apoderar dele, até mesmo para saber identificar onde dói para ajudar os pais e cuidadores a tomar conta de sua saúde. A criança que conhece o seu corpo pode também se instrumentalizar para estabelecer os limites entre carinho e abuso sexual.

Já a sexualização, como o próprio nome indica, é uma ação que ocorre de fora para dentro, ou seja, não é um processo natural da criança, é uma manobra externa que muitas vezes são encabeçadas por atores sociais como publicidade infantil, sociedade de consumo ou mesmo por adultos do seu convívio que indiretamente expõem a criança a repetir padrões de comportamento inadequados para sua faixa etária.

“Crianças pequenas agem muito por imitação, refletindo, em suas atitudes, o que veem em seu convívio diário tendo atitudes que para eles é absolutamente normal.”

Isso não quer dizer que as crianças não possam ter curiosidade a respeito do mundo adulto e queiram satisfazer esse interesse pelo que observam, por meio da interpretação lúdica desses papéis. Mas é fundamental que tenham clareza dos limites que existem entre o brincar e a realidade, o que pode ser compartilhado e o que invade os limites do outro.

Esse norte será dado sempre pelos adultos, por isso sua participação decisiva nessa condução. Contudo, fica claro que a família é a primeira instituição social da qual a criança faz parte, e ela é a peça chave para estabelecer limites nas demonstrações de carinho, pois há inúmeras formas de manifestá-lo sem prejudicar a criança no que diz respeito a estabelecer relações com o mundo ao seu redor.

Artigo escrito pelas professoras

Andreia Ramos dos Reis e Lidiane Leonardelli

Escola Municipal de Educação Infantil Amor Perfeito.

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