Automutilação: sinal de sofrimento psíquico

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A maior parte dos casos de automutilação acontece na adolescência

A maior parte dos casos de automutilação acontece na adolescência, fase de muitas dúvidas, inseguranças e descobertas, repleta de alterações hormonais, formação da identidade, busca de pertencimento a um grupo… enfim muitos jovens usam deste método para o alívio da angústia e também do tédio gerado pelo atual mundo liquido, outros acabam se identificando com amigos, músicas, filmes, mas seja qual for a razão significa que algo não está indo bem, que a maneira de ver alguns acontecimentos da vida precisa ser reajustada. Na automutilação existe uma agressividade contra si mesmo, a qual pode tamponar uma agressividade dirigida ao exterior.

As emoções negativas perturbam, enlouquecem, e estes jovens veem como única possibilidade de resolver estes conflitos internos, os cortes. Possuem sofrimentos difíceis de nomearem, simbolizarem ou expressarem em palavras. O cutting torna-se uma droga viciante e de difícil controle, pois o organismo, foca na dor física dos cortes e a dor psicológica diminui, causando um alívio da dor emocional.

A série Starting Over faz a referência: Para a psiquiatria, a causa mais comum da automutilação nada mais é que um “mecanismo de enfrentamento mal adaptativo, seguido de uma gratificação”. Em outras palavras, por mais estranho que isso possa parecer, ela funciona como uma espécie de “antídoto temporário para a angústia”. Porem com o tempo, depois do alívio inicial, a pessoa sente-se culpada, arrependida e esconde os machucados, mas, a necessidade de aliviar a dor mental permanece, o que leva o jovem a voltar a automutilar-se cada vez mais profundamente, buscando o efeito inicial, optando pela dor à angústia ou o vazio de não sentir nada.

Fisiologicamente, isso pode ser explicado porque no momento do ferimento, o sistema nervoso central libera uma quantidade determinada de endorfina, um hormônio cuja finalidade é proporcionar sensação de bem-estar, funcionando como analgésico que reduz a sensação de dor, aliviando também a dor psíquica.

Baseado no pensamento de Bauman, o avanço da liquidez na sociedade traz consigo a angústia do excesso de possibilidades. As tristezas se escoam por meio de um consumo desregulado, relações frágil e superficiais, perdeu-se a capacidade de encantar-se consigo mesmo, de se estar sozinho – a liberdade de gastar o tempo com nossos próprios pensamentos – hoje vista como solidão, abandono, buscando-se escora no que vem de fora

não usando o tempo disponível para reflexão, auto-questionamento e conversa consigo mesmo.

Não é possível ter uma vida em equilíbrio em todas as instâncias, mas a maior prova de coragem é a capacidade de refletir e tentar compreender os próprios problemas, as possíveis causas deles e as opções para as soluções. Buscar a ajuda de um profissional é de suma importância. Ele auxiliará o sujeito a falar de seus sentimentos, a se posicionar diante do outro, a identificar suas potencialidades, a resgatar sua autoestima e a desenvolver sua capacidade de lidar com seus conflitos.

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