‘As medidas tomadas pela administração municipal liberando comércio e atividades em São Marcos foram corretas’

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Médico Flávio Fontana fala das questões de saúde, política e economia que envolvem a pandemia de Coronavírus: ‘A economia não pode parar senão teremos muita miséria’

“O Prefeito Evandro Kuwer teve coragem e bom-senso, pois um governante tem que governar pelos desejos e anseios da sociedade. É obvio que não ferindo os princípios básicos da administração e da condução da saúde. As medidas tomadas ontem pela administração municipal liberando comércio e outras atividades em São Marcos foram corretas porque atenderam as reivindicações da população de uma maneira geral”.

Foi com essas palavras que o médico José Flávio Fontana avaliou o Decreto promulgado nesta quinta (16) pelo prefeito Evandro Kuwer, que liberou diversas atividades econômicas no município.

Médico que há mais tempo atua em São Marcos, Fontana concedeu entrevista ao São Marcos Online nesta sexta (18), avaliando aspectos de saúde, política e economia que envolvem a pandemia de Coronavírus. Em sua avaliação, o município conta com boa estrutura para atender os casos da doença que poderão aparecer no município.

“O município conta com estrutura regular. Não temos serviço de UTI permanente com plantões 24h e com equipe de intensivistas se revezando, o que só é possível em grandes centros. Mas para manter paciente em respiração mecânica por muito tempo nós temos”, frisou.

O médico explicou como se dará o procedimento se algum são-marquense pegar o Covid-19 e necessitar de atendimento.

“Se isso vier a acontecer os pacientes receberão os primeiros atendimentos em São Marcos e para isso a estrutura do hospital está boa, com respiradores mais que suficientes. Temos estrutura para manter paciente com respiração (ventilação) por muitos dias. Então o paciente será atendido em São Marcos e será pedido vaga num centro maior. Os pacientes de planos, em suas operadores; e os do SUS, nos hospitais Pompeia e Geral. As vagas poderão demorar, mas tempos condições de manter pacientes por muitos dias com nossos respiradores, que são de primeira linha”, afirma o médico.

Em relação a conduta do governo do Estado, Fontana destaca que o governador Eduardo Leite tem agido com cautela. “Primeiro fez o isolamento social, que foi importante e adequado, e agora está sabendo relaxar isso atendendo reivindicações”, observou, ressaltando que não se pode pensar só na saúde como um fato isolado. “Não adianta confinar as pessoas dentro de casa sem que elas tenham o que comer”, advertiu.

‘A curva vai baixar quando 50% da população estiver com anticorpos, é um princípio básico das epidemias virais’

Para o médico Flávio Fontana, mais cedo ou mais tarde o Covid-19 vai chegar em São Marcos, porque o número de casos vem crescendo.

“Essa curva de alta incidência do Coronavírus só vai começar a baixar no momento em que 50% da população tiver passado ou estiver com anticorpos. É um princípio básico de todas epidemias virais, desde o século passado até hoje”, pondera.

Ele explica que as medidas de isolamento e distanciamento social não impedem as pessoas de pegar o vírus.

“Essas medidas têm finalidade de diminuir velocidade de aparecimento da doença, transferindo para semanas ou meses adiante. Por isso considero que o isolamento social muito rigoroso, colocando todo mundo dentro de casa, cria problema social e não resolve a questão de saúde, porque adia a doença para mais adiante. No Rio Grande do Sul poderíamos estar transferindo grande número de casos para o meses de inverno, quando será pior por causa do frio e pelas doenças respiratórias que ocorrem todo ano”, assinala.

‘O isolamento não pode ser muito grande porque vai destruir a economia, 80% dos casos são uma gripe comum’

Para o médico, o principal propósito do isolamento social é para evitar que ocorra grande número de casos, o que congestionaria o sistema de saúde, que não daria conta de atender todo mundo.

“Muitas pessoas poderiam morrer não só por coronavírus. Então o Isolamento não pode ser muito longo porque vai destruir a economia e gerar desemprego, miséria e fome e não podemos correr esse tipo de risco”, aponta, salientando que as atitudes devem ser sensatas.

Fontana diz que não se deve comparar a epidemia que houve na Itália e Nova Iorque com o Brasil.

“E dentro do Brasil não se pode comparar São Paulo com Porto Alegre e com São Marcos e cidades menores onde a incidência da doença será menor. Cada local tem suas especificidades e deve ser mais ou menos flexível de acordo com o número de casos. Uma mesma determinação não pode valer para São Paulo e para São Marcos”, afirma.

Sobre as características do vírus, o médico explicar que em 80% dos casos ele se comporta como uma “gripezinha”.

“Em alguns casos vai ser uma gripezona sem maiores preocupações e nuns 20% dos casos vai complicar e levar os pacientes para o hospital. Esses são os casos confirmados hoje, certamente existem outros casos e há portadores do vírus que nem sabem. Por isso é importante testar e verificar a população. Dos 20 que vão pro hospital, 5 vão pra UTI e 3 precisam de ventilação mecânica. Dos que vão pra ventilação, muitos conseguem sobreviver, dependendo da idade e de doenças associadas. Mas muitos que vão pra a UTI acabam melhorando e se recuperando”, salienta, considerando que o índice de mortalidade não está exagerado. “Estamos numa situação bem razoável e espero que não seja muito intensa a epidemia no Brasil”, comenta, dizendo que setores da imprensa criaram pânico exagerado.

Segundo o médico, o Coronavírus tem poder letal não muito maior que o do sarampo e o do H1N1, ocorrido em 2009. Mas o poder de se espalhar e infectar do Covid-19 é muito grande e a possibilidade de contágio é bem maior.

O médico ainda destaca que existe similaridade do comportamento do Coronavírus com o vírus causador da gripe espanhola, ocorrida em 1919.

“As curvas se comportam exatamente da mesma forma que agora com o Coronavírus. Na gripe espanhola morreu muito mais gente porque os recursos daquela época eram menores, mas as curvas de mortalidade são semelhantes”, revela.

Troca de Ministro da Saúde: ‘O presidente fez o que tinha de fazer, saúde, economia e política tem que andar juntas’

Na entrevista que concedeu ao São Marcos Online, o médico Flávio Fontana também analisou a troca ocorrida no comando do Ministério da Saúde: nesta sexta (17) assumiu o novo Ministro Nelson Teich, em substituição a Luiz Henrique Mandetta, que se indispôs com Bolsonaro. O médico são-marquense considera que Mandetta teve uma boa atuação, mas que o presidente “fez o que tinha que ser feito”.

“O ex-ministro (Mandetta) desempenhou bem o seu papel, mas bateu de frente com o chefe do executivo no tocante as discussões de isolamento, distanciamento, confinamento vertical e horizontal. Num time você até pode discutir e conversar com o técnico, mas na hora de ira pra imprensa tem que transmitir que o time está jogando coeso e unido, mesmo que haja divergências’, pondera.

Flávio ressalta que Bolsonaro não está querendo “liberar tudo”, como seus adversários estão tentando incutir na cabeça das pessoas.

“A parte da imprensa que é contra o presidente gosta de criar esse conflito e me parece que o Mandetta entrou neste jogo político. Então acho que o presidente fez o que tinha que fazer: trocou de ministro e o novo ministro vai desempenhar bem o seu papel, não será irresponsável de liberar tudo, haverá restrições e medidas de distanciamento, as empresas funcionarão com capacidade reduzida e há uma série de cuidados que continuarão”, aponta.

O médico entende que a economia não pode parar.

“Senão teremos muita miséria e surgirão os “salvadores da pátria”. Quanto pior estiver a situação econômica depois da pandemia, mais picaretas aparecerão”, adverte.

Para Fontana, não é possível dissociar, saúde, política e economia. “Tem que andar juntas porque uma depende da outra”, assinala.

Em relação ao alto número de casos registrados em capitais como São Paulo, Rio de Janeiro, Manaus e Fortaleza, o médico entende que o turismo de carnaval influenciou.

“São exatamente os pontos de muita migração através de aeroportos e tem a coincidência do período de infecção com a época do carnaval. Esse foi o primeiro erro: subestimamos o que estava acontecendo no resto do mundo. E pra não ir contra uma festa popular e pelo aspecto financeiro do turismo, não se cancelou o carnaval e hoje esses governantes estão pagando o preço. Outras capitais não tem número tão acentuado e o erro foi que deveriam ter fechado os aeroportos e suspendido o carnaval”, reforça.

‘Lavar as mãos, deixar caçados fora de casa e usar máscara”: médico deu dicas de como enfrentar o Coronavírus sem deixar de trabalhar e viver!

As dicas de prevenção ao Coronavírus estão em todos os canais, mas é sempre bom ouvir algumas sugestões de quem entende do assunto. Foi o que fez o São Marcos Online com o médico Flávio Fontana.

“É importante lavar a mão frequentemente, com água e sabão já é suficiente, sem obrigatoriamente o álcool gel, que deve ser usado se estiver disponível. Mas o importante mesmo é lavar as mãos, porque é pelas mãos que você traz o vírus. Por isso precisa ter cuidado ao manusear dinheiro e tocar em corrimões. Tocou, lave as mãos sem se encostar”, ensina.

Para o médico, o distanciamento das pessoas é importante e usar a máscara é fundamental para as gotículas não circularem. Ele diz que os tapetes na soleira da porta devem ser umidificados com água e 10% de água sanitária.

“Ao chegar em casa deixe o calçado fora e use chinelo. Ao voltar pra casa troque de roupa logo e tome banho, porque o vírus pode estar na roupa ou na sola do calçado. É preciso mudar hábitos e manter distanciamento social para continuar a vida, trabalhando, produzindo e gerando emprego, pois isso é fundamental!”, destaca o médico José Flávio Fontana.

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