A morte pode esperar? Suicídio

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Imagem ilustrativa/divulgação internet

O suicídio é uma das principais causas de morte no Brasil entre jovens dos dez aos vinte e quatro anos. O comportamento suicida é um fenômeno complexo e multifatorial. Fatores pessoais, sociais, psicológicos, culturais, biológicos, ambientais e entre outros, compõem a questão.

O individuo que escolhe morrer está submerso em uma angústia avassaladora. Há um sofrimento tamanho que a própria morte é vista como a melhor solução para este sofrimento. O sofrimento não é questionado, é resolvido. Muitas vezes, a antecipação da morte é uma tentativa de criar uma eternidade na vida, a conseguir um lugar na história.

O ato suicida, compreendido como não racional e não voluntário, permite que se descreva o suicida por características como a presença de sentimentos ambivalentes desde os quais “a pessoa sente um desejo de fugir da dor de viver e sente o desejo de viver ao mesmo tempo. Muitas pessoas suicidas não querem realmente morrer” (WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2002, p.77).

Um dos fatores que contribui para o crescimento do suicídio é que na sociedade moderna há muito pouco espaço para o sofrimento e para o acolhimento de quem sofre. As exigências de felicidade, sucesso, riqueza nunca foram tão intensas. Aquele que sofre, que não está bem, não encontra espaço para expressar o que sente. Estamos vivendo um momento social em que não podemos ficar tristes, errar ou fracassar.

O suicídio também pode estar relacionado ao aumento do número de transtornos mentais na nossa sociedade, tais como a depressão, o alcoolismo, o transtorno bipolar e transtornos de ansiedade, etc. A Organização Mundial de Saúde (OMS) relatou que em 2030 a depressão será a segunda causa mais importante de incapacitação dos indivíduos. Ainda há muito preconceito e desinformação sobre as doenças/transtornos mentais mas como tal, precisam de tratamento adequado.

A psicologia tem um papel fundamental dentro dessa temática, visto que promover a saúde e o equilíbrio emocional é um dos pontos centrais do trabalho do psicólogo. A psicanálise é uma prática, que pode auxiliar o sujeito a fazer uma leitura diferente da vida naquele momento. Pois ao falar sobre o assunto, mesmo que doloroso, arriscado e sofrido é uma alternativa possível pois à medida que o individuo vai podendo falar dessa construção que fez, pode encontrar uma leitura diferente, pode ir encontrando outras perspectivas que não esse amor à morte. Existe também O CVV – Centro de Valorização da Vida que realiza apoio emocional e prevenção do suicídio, atendendo voluntária e gratuitamente todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo por telefone, email e chat 24 horas todos os dias, pelo fone 188 e também pelo seu site (http://www.cvv.org.br).

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