A Gente Se Vê Ontem: Spike Lee se aventura pelo tempo e traz filme engajado e divertido

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Imagens: divulgação

Como viagens no tempo ainda não foram feitas, existem várias teorias dos efeitos que causariam. Isto ao menos no cinema. Na tela grande existe três teses sobre como seria. O filme “Vingadores Ultimato” (2019) defende que ao viajar no tempo você não altera o que já existe, mas cria uma realidade paralela a partir da mudança que ocasionou. Outra tese diz que temos um destino inabalável a cumprir, de uma forma ou outra. Se você altera o passado, isto ocasiona o futuro que está vivendo  . Esta teoria é mostrada em filmes como “Os Doze Macacos” (1995) ou “Looper: Assassinos do Futuro” (2012). 

Muda tudo

No entanto, a teoria mais difundida é a da alteração do contínuo temporal, ou o efeito borboleta. Nela se você viaja no tempo tudo que fizer no passado vai alterar o futuro ou o presente. É baseado nesta teoria que foram feitas as franquias “Exterminador do Futuro” (1984), “De Volta para o Futuro” 1985 , “Efeito Borboleta”(2004) e uma infinidade de outros títulos. Pois a Netflix nos presenteia com mais uma obra desta estirpe. “A Gente Se Vê Ontem”, é este novo filme que possui ainda a curiosidade de ser produzido por Spike Lee.

Ei Mcfly…

Logo no início do longa temos um Easter Egg que vale toda a história. Somos apresentados a um professor interpretado por… Michael J. Fox. Sim, o eterno Martin McFly, da saga “De Volta para o Futuro” é o mestre da protagonista do novo longa. Mesmo com pouco tempo em tela, é permitido ao ator da antiga franquia soltar um “Grande Scott”. Este foi o bordão do seu personagem na saga intertemporal que mais influenciou as histórias sobre viagens no tempo.

Teorizando Einstein

 “A Gente Se Vê Ontem” nos apresenta dois jovens gênios e afro-americanos. São eles a menina, C.G. e o garoto, Sebastian. Os estudantes estão realizando pesquisas em como voltar no tempo. Suas máquinas são mochilas desengonçadas, feitas com material “emprestado” do laboratório da Escola. Após vários testes, e muitas explicações de como o feito pode ser realizado, finalmente os dois tem um resultado positivo. Eles conseguem retroceder 24h. Ao voltarem ao presente, infelizmente C.G. descobre que seu irmão mais velho foi assassinado pela polícia branca da cidade, confundido com um assaltante.

O tempo necessário

Obviamente a garota não se conforma com o ocorrido e decide voltar no tempo para tentar salvar a vida do irmão. No entanto, o período que os dois conseguirão ficar no passado é mínimo, devido à pouca energia das mochilas. Portanto, eles devem saber exatamente o que fazer ao chegar na época pretendida. A primeira tentativa não dá certo. Pior, a visita dos jovens cientistas ao passado, parece ter causado uma série de outros problemas no futuro. Será que vale a pena voltar mais vezes, para reverter algo que já aconteceu¿ Esta é a decisão que C.J. e Sebastiam terão de tomar enquanto tentam conviver com os resultados que suas viagens já causaram.

Goonies e Malcon X

“Te Vejo Ontem” é um pouco mais profundo que as dezenas de filmes de viagem no tempo, que sempre rendem boa bilheteria. O longa é produzido por Spike Lee, diretor que possui uma forte assinatura militante, baseada na temática Afro. É dele filmes como “Faça a Coisa Certa” (1989), “Malcon X” (1992) e o recente “Infiltrado na Clã” (2018). Por este motivo o longa da Netflix só podia ser ambientado em um subúrbio, com brigas de gangues inter-raciais, estudantes se sobressaindo no meio da pobreza e muita violência policial. 

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Hora de aprender

Além de misturar consciência negra com viagens no tempo, o enredo nos traz também uma história bastante oitentista, tipo “Goonies” (1985). Nela adolescentes tem de enfrentar seus problemas para conseguirem soluções que os adultos nem chegaram perto. No final das contas é uma ótima maneira de conscientizar a meninada. Mostra o lado mais duro da pobreza e ao mesmo tempo traz uma aventura divertida. Isto faz o espectador absorver a mensagem pesada do diretor, sem se dar conta. Certamente é uma boa estratégia para divulgar as teses de Spike Lee.

O Tempo Une

De qualquer forma, Viagens no Tempo ainda não existem. Se quisermos mudar o mundo, precisamos fazer isto agora. Absurdos como a xenofobia, o culto a violência e o racismo devem ser combatidos imediatamente por todos que se dizem do bem. Não existe como voltar ao passado para desfazer as bobagens que já fizemos. Nos resta melhorar o presente para garantir a existência de um futuro melhor. Pelo menos de um futuro que valha a pena estar presente, onde todos possam viver em igualdade. Certamente, apenas com este período de união teremos a chance de juntar todas as mentes do planeta para construirmos o que quisermos. Até mesmo para inventarmos a tão sonhada máquina do tempo.

Citações e Referencias

  • Claudette ‘CJ’ Walker – Eden Duncan-Smith, Annie, 2014
  • Sebastian J. Thomas – Apresentando Danté Crichlow,
  • Calvin Walker – Brian Bradley, Terra para Echo, 2014
  • Phaedra Walker – Marsha Stephanie Blake, The Architect, 2006
  • Professor – Michael J. Fox, De Volta Para o Futuro, 1985

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