Essa semana fiz uma reflexão nas minhas redes sociais na qual perguntava se as pessoas gostariam de saber a data da sua morte, se isso fosse possível.

Cerca de metade das respostas foram positivas, com justificativas de que se tivessem esse conhecimento poderiam se organizar melhor para ter seus objetivos de vida alcançados e as suas relações potencializadas. Passariam mais tempo com quem amam, se divertiram mais, aproveitariam mais a vida.

Com isso, fiquei pensando no quanto muitas vezes a gente espera para viver, acreditando que sempre vamos ter tempo. Na ocasião, refleti sobre o quanto estamos morrendo todos os dias, já que cada dia vivido é um dia a menos que temos ao nosso dispor para construirmos aquilo que desejamos. Quis refletir também sobre o quanto podemos reorganizar nossas prioridades de vida hoje, mesmo tendo muitos anos ainda pela frente.

Mas na reflexão de hoje quero aprofundar um pouco mais esse assunto. Quero falar sobre o quanto muitas vezes esperamos o melhor momento para ser quem somos, expor o que sentimos, falar o que pensamos – principalmente sobre coisas boas e com quem compartilha a vida conosco. Ou seja, o quanto esperamos para ser de verdade dentro dos relacionamentos.

A gente espera ter tempo para falar o que sentimos ou pensamos ou desejamos, mas nunca parece ser o momento certo. A gente pensa, repensa, escolhe as melhores palavras, desiste. E desiste porque se sente inseguro com a possível reação dos outros. Desiste de colocar em palavras tudo aquilo que sente porque não sabe o que vai ouvir de volta.

A gente não elogia as pessoas, a gente costuma ponderar muito bem antes de falar algo que possa soar sentimental, a gente tem uma trava para falar sobre saudades, a gente reluta em pedir desculpas, a gente costuma ter dificuldade em expressar carinho em gestos. A gente se expressa pela metade. Tudo isso porque como seres racionais, sentimos a necessidade de encontrar uma razão para tudo aquilo que fazemos e de ter controle sobre as coisas, como se deixar o outro saber da importância que tem ou do significado daquilo que faz precisasse ter justificativas ou ainda, a certeza e segurança de que algum resultado bom vem daí. E mais, atire a primeira pedra quem nunca pensou “deixa isso para lá, um outro dia eu falo”.

Eu costumo dizer que antes de qualquer coisa é preciso aprender a ser honesto emocionalmente consigo mesmo. Tanto em momentos onde as emoções boas preenchem o coração como naquelas situações nas quais as emoções negativas nos cegam. Honestidade emocional é saber reconhecer o que se está sentindo e saber admitir isso, primeiro para si, depois para as outras pessoas, independente de como isso será avaliado pelo outro – e mais, sem necessariamente esperar um retorno disso.

Tem um elogio para dar a alguém? Apenas faça. Talvez isso tenha um efeito na vida da pessoa e na relação de vocês que você nem faz ideia.

Gosta de alguém? Deixe essa pessoa saber sem esperar um “eu também” de volta – nem tudo precisa ser recíproco e se não for, ainda assim é amor, afeto, carinho.

Sentiu saudades? Deixe o outro saber.

Seja honesto com o que sente e não busque motivos para demonstrar. Isso porque independente da reação do outro você está falando de algo que é teu.

Mas… voltando à pergunta inicial: se você pudesse saber a data da sua morte, você gostaria de saber? O que isso mudaria? O que você falaria hoje para as pessoas que estão aí ao teu lado? Lembre: a gente sempre espera ter tempo pra falar, mas nem sempre dá tempo.

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