A CRIANÇA QUE VOCÊ FOI!

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A criança que fomos sabe muito sobre adulto que queremos ser e os caminhos que devemos seguir

Teve uma fase em que eu quis voar e não importava quanto eu caísse voltava a tentar, eu ainda não sabia que as quedas deixam severas sequelas, que alguns sentimentos vão crescendo à medida que outros diminuem. Percebi que após muitas cabeçadas, minha coragem já não era a mesma, que após muitos percalços meus tênues medos tinham ficado adultos.

Percebi que meus loucos sonhos eram agora apenas sonhos loucos, que a sensação de que o tempo acelerava a medida que os anos se passavam tinha trazido um sentimento cada vez mais cruel, e que eu sentia o tempo todo, o sentimento de ansiedade, e ele me torturava com a sensação de que eu sempre estava atrasado ou no lugar errado, então o sentimento de paz que a infância me trazia o tempo todo, foi ficando cada vez menos frequente, quem sabe até ausente.

Percebi que tempo estava me fazendo confundir paz com prazer, que eu buscava paz através do prazer, pois quando criança eu só precisava de prazer pois paz eu já tinha, mas ai o tempo faz eu fugir da dor achando que procuro prazer. Ai eu me dou conta que a vida nunca mata a criança que fomos, que quando percebemos alguns sentimentos morrendo em nós, estamos na verdade deixando morrer nossa inocência, estamos com medo de ser tolos, com medo de cair, de se envergonhar, estamos com medo de viver! Nos escondemos atrás das experiências como se a nossa criança que as vezes se apresenta nos envergonhasse. Se somos chamados de infantis nos revoltamos, mas por que a vergonha de algo inexorável e irredutível?

A criança que fomos não morreu, sobre muito amadureceu mas sobre muito ainda prevalece inocente, pequena e ingênua. A criança que fomos sabe muito sobre adulto que queremos ser e os caminhos que devemos seguir. A criança que fomos tem muito do que achamos ter perdido.

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