A ansiedade nas crianças

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Os avanços tecnológicos e o imediatismo vêm afetando a maneira das pessoas lidarem com o tempo. Todo mundo quer as coisas para agora ou, como no Google, num clique!

A cada dia os avanços tecnológicos e o imediatismo vêm afetando a maneira das pessoas lidarem com o tempo, e as virtudes como: a paciência, o autocontrole e a tolerância estão ficando cada vez mais raras. Todo mundo quer as coisas para agora ou, como no Google, num clique!

A ansiedade não é um problema somente em adultos, como também – e cada vez mais comum – em crianças. Este comportamento ansioso deixa os pais sem saber o que fazer.

Mas, como ajudar os pequenos a serem mais pacientes, a saberem esperar? A paciência não se desenvolve sozinha, portanto, as crianças precisam do auxílio e dos conselhos de adultos para conseguirem administrar a ansiedade. Não adianta, não tem cartilha ou fórmula mágica para criar filhos mais pacientes – esse é um exercício diário, que deve ser trabalhado nas pequenas situações do cotidiano.

De acordo com Roberta Reno, especialista em aprendizagem baseada no funcionamento do cérebro pela Universidade da Califórnia e Duke University, e em aprendizagem cooperativa pelas Universidades de Minnesota e de San Diego, a paciência tem se tornado um “artigo de luxo”, principalmente com tanta tecnologia ao alcance das crianças. “Os avanços tecnológicos fazem com que as crianças cresçam num mundo em que as coisas acontecem na hora em que elas querem”, explica.

O querer tudo de imediato, sem esperar, gera a ansiedade infantil. A especialista ainda menciona a formação familiar como fator de contribuição para a falta de paciência das crianças, que sempre têm pressa para serem atendidas. Segundo ela, os casais têm tido cada vez menos filhos, ou somente uma criança, o que faz com que esta tenha exclusividade dos pais e ganhe atenção assim que solicitada. A rotina familiar deve ser seguida e o ‘saber esperar’ ser ensinado naturalmente.

Estudos demonstram que, quando as crianças, desde pequenas, são ensinadas a aguardar certo tempo para serem atendidas, antes de atingir o que desejam, crescem com maior capacidade de êxito em suas relações sociais, familiares e de trabalho.

Ensinar a habilidade da paciência é um dos aprendizados que mais demandam tempo, porque além de serem impacientes por natureza e quererem as coisas de forma imediata, as crianças não entendem o conceito de tempo. Esse desafio se torna ainda mais intenso em uma sociedade em que tudo está cada dia mais pronto, rápido e imediato.

E não custa lembrar: o comportamento da criança na rua, na escola, nos restaurantes e em todos os outros ambientes que ela frequenta é apenas um reflexo de como ela vive em casa e, claro, de como os pais se comportam. Portanto, não adianta esperar que seu filho saiba esperar se, em casa, ele tem tudo quando deseja e vê os adultos na maior correria o tempo todo.

A paciência é uma virtude que deve ser cultivada pelas pessoas. Ela pressupõe um exercício constante de empatia, de se colocar no lugar do outro. Requer humildade para

respeitar a opinião dos outros, ainda que discorde dela. Pais que agem sem paciência no cotidiano internalizam tal postura nas crianças. Não se ensina às crianças pequenas os valores por meio de discursos, mas, sim, com exemplos.

Uma criança que sabe esperar se torna uma pessoa mais educada, pois entende que o mundo não gira ao seu redor e vive melhor em sociedade. as crianças mais pacientes também conversam melhor, já que sabem esperar o tempo de fala do outro para responder, além de conseguirem considerar e respeitar mais as diferenças. Criar filhos menos ansiosos também ajuda no aprendizado, já que eles conseguem parar para ouvir e, então, formular argumentos.

Com paciência e persistência, pais e educadores conseguirão formar cidadãos mais tolerantes e capazes de buscar soluções e alternativas para os desafios, com menos ansiedade, característica que têm marcado os conflitos da nova geração, que busca tudo aqui e agora.

Artigo escrito pelas professoras da rede municipal de ensino de São Marcos:

Daiane Casarotto Spigolon e Gisele Cátia Carraro

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