‘MDB ofereceu presidência para retirar moção de repúdio à Brochetão’: Juca revela bastidores da votação e denuncia ‘represália’ a vereadora do PTB

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Entrevista do líder do PP na Câmara expôs entranhas do poder político são-marquense e articulações para derrubar matéria: ‘Patrícia tinha confirmado voto favorável’

A política é a arte das negociações. E, às vezes, das negociatas. É o que revela episódio envolvendo a derrubada da Moção de Repúdio a Brochetão movida pelos vereadores de PP e PTB. Reprovada por 5×4 na sessão da última segunda (4), a matéria gerou polêmica e acirrou ainda mais os ânimos no Poder Legislativo de São Marcos, a popular ‘Casa da Mãe Joana’, conforme denominação de seu presidente.

Em entrevista ao Conexão 104 desta sexta (8), o líder do PP na Câmara não poupou palavras para escancarar as manobras ocorridas nos bastidores horas antes da votação. Pelo que disse, o MDB ofereceu a presidência da Câmara por 30 dias (ao vice Juca Camargo) em troca da retirada da matéria. A articulação teria envolvido as presidências do dois partidos.

“Recebi um comunicado através do nosso presidente de uma proposta do MDB: se nós retirássemos a Moção seria apresentado um atestado médico de afastamento por 30 dias (do Brochetão) para tratamento de saúde e eu assumiria a presidência por esse período”, revelou Juca.

‘PERDEU OPORTUNIDADE DE SE MANIFESTAR CONTRA VIOLÊNCIA QUE SOFREU ENQUANTO MULHER’

O experiente vereador progressista disse que ficou surpreso com o voto contrário à Moção da vereadora Patrícia Camassola Tomé ( MDB).

“Ela tinha me confirmado o voto e disse que podia contar com seu apoio. Perdeu o direito de se manifestar contra a violência que sofreu enquanto mulher. Houve omissão e negligência”, apontou, lembrando que a vereadora fez projetos contra a violência feminina.

Patrícia justificou o voto contrário dizendo que a Moção não citava o episódio ocorrido com ela, que em abril foi chamada de “arrogante, prepotente e orgulhosa”. Comentou que havia elemento político-partidário envolvido e que esse não era o melhor caminho para apaziguar a Câmara.

“Existe o Código de Ética. O que precisa é parar com essas ofensas e comparações com animais”, ponderou a vereadora.

Juca ainda apontou que Brochetão não poderia ter votado para desempatar o resultado, pois tinha interesse pessoal na matéria.

‘CARLA SOFREU REPRESÁLIA’: JUCA DENUNCIA QUARTO ATO ILEGAL DE BROCHETÃO EM 9 MESES

Na entrevista o vereador Juca Camargo também comentou situação envolvendo a ida da petebista Carla Scopel à Porto Alegre em evento do governo estadual. Por se tratar de viagem oficial para representar o município em solenidade de lançamento de programa destinado a repasse de verbas para castração de cães e gatos, Carla teria direito a carro e diária.

Contudo, Brochetão não autorizou a cedência do veículo e descontou o salário da parlamentar do PTB, que precisou se ausentar da sessão de 27 de setembro, dia da atividade no Palácio Piratini. Caso a denúncia tenha veracidade, seria o quarto ato ilegal de Brochetão em 9 meses na presidência do Legislativo (ofensas verbais a Patrícia e Juca, com quebra de decoro parlamentar; cassação da palavra de Luci e represália a Carla, em atitudes autoritárias e anti-regimentais).

“Isso fere o Regimento. Carla sofreu represália. Mas o presidente do MDB chamou ela pra conversar e disse que ressarciria as despesas. Só que quem teria que fazer isso seria à Câmara. Então não sei como vai ficar”, assinalou.

‘REPÚBLICA DOS CHUPINS’?: SÃO MARCOS CELEBRA 58 ANOS DE EMANCIPAÇÃO POLÍTICA

O vereador progressista também explicou a comparação de Brochetão com o passarinho popularmente chamado ‘Chupim’:

“Isso tem a ver com o aumento do IPTU. O Brochtão pegou o que a Luci trouxe e protocolou como sendo dele”, disse.

Até certo ponto sincera e contundente, a entrevista de Juca Camargo é reveladora de um modo de se fazer política tipicamente brasiliense – com acordos e conchavos, negócios e negociatas, artimanhas, autoritarismos e quebras de decoro parlamentar – que parece imperar também em São Marcos, município que completa 58 anos de emancipação política neste 9 de outubro como uma legítima “república dos chupins”…

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