São Marcos ganha novas agroindústrias: setor se destacou na Expointer com realce para a Serra

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Inaugurada em 2021 pela família Michelon na Edhit, agroindústria Fenix aposta na produção de aipim descascado

Município conta com 10 agroindústrias, duas iniciadas neste ano e três que são microempresas. Mais duas devem ser inauguradas em 2022. Agroindústrias serranas responderam por 25% das que participaram da Expointer e receberam prêmios. ‘É alimento de verdade’, aponta extensionista da Emater

“A produção agroindustrial é uma boa alternativa de renda para a agricultura familiar”. Foi com essas palavras que a presidente do Sindicato dos Trabalhadores Agricultores Familiares de São Marcos avaliou o segmento que está crescendo no município e especialmente na Serra Gaúcha, região do Estado que concentra o maior número deste tipo de empresa que alia agricultura e industrialização. Sandra Meneguzzo destacou que a produção agroindustrial “agrega valor aos produtos”, conquistando mercados e viabilizando a comercialização de mercadorias produzidas nas propriedades rurais de cunho familiar.

Conforme a Emater, entidade que agiliza o processo de obtenção do selo, São Marcos possui dez agroindústrias. Elas produzem desde alho, massas e conservas, até pães, doces, aipins e ovos. E no próximo ano também se incluirão à lista o suco de uva e os temperos. “O bom disso tudo é que são alimentos de verdade. Nada de produtos sintéticos e artificiais que não ajudam à saúde”, ressalta a extensionista Inês Pilatti. Ela aponta que além dos benefícios à saúde, há o potencial turístico das empresas agrícolas: explorado em diversos municípios, que criam rotas, mas ainda não utilizado em São Marcos, município que ainda não despertou para as potencialidades turísticas de seu Interior.

Maioria das agroindústrias são-marquenses está na Linha Edith

Extencionista da Emater Inês Pilatti e presidente do STAF, Sandra Meneguzzo em programa rádio que da voz e vez à família agricultora são-marquense

A Linha Edith é a localidade do interior são-marquense que concentra a maioria das agroindústrias em atividade no município. São da comunidade as agroindústrias Sapore del Forno (pães e massas, da família Menegon Zan), Lazzaretti (doces) e Fênix (aipim), da família Michelon e que foi inaugurada em 2020.

Também estão na Edith as microempresas agroindustriais de doces Menegon e Adrilu. A Qualivida (conservas) situa-se em Pedras Brancas. “Essas três iniciaram como agroindústrias, mas evoluíram e devido ao faturamento passaram à categoria de microempresas agroindustriais”, explica Inês.

As demais agroindústrias são-marquenses funcionam na Santana (alho, da família Zanella); em Santo Henrique (Tomé e da família Giotti, que iniciou neste ano); e em Tuiuti, onde em 2021 a família Trevisan começou à produção agroindustrial de ovos.

Suco de uva e temperos na lista para 2022

Selo ‘Sabor Gaúcho’ é garantia de qualidade e procedência: São Marcos tem 10 agroindústrias e novas duas devem inaugurar em 2022

Para 2022 Santo Henrique deve ganhar mais uma agroindústria. E ela não será de massas, como as duas já existentes: produzirá temperos. “É um empreendimento da família Andrighetti”, informa Inês, lembrando que também a comunidade de São Roque terá uma agroindústria no próximo ano. “Será voltada à produção de suco de uva e pertence à família Spigolon”, revela.

A extensionista da Emater salienta que todo o trâmite burocrático do processo inicia (e termina) com a Emater. “Para quem deseja abrir uma agroindústria o primeiro passo é entrar em contato conosco. A Emater vai até o local e orienta todo o trabalho, dando o suporte necessário às famílias agricultoras”, assinala Inês Pilatti. Pelo que disse, as exigências não são poucas e nem pequenas, com grande foco na higiene, limpeza e qualidade da água, que precisa ser de fonte tratada. Tudo para assegurar a qualidade e procedência dos alimentos agroindustriais, o que se expressa através de certificações como o selo “Sabor Gaúcho”.

Em Santo Henrique agroindústria Tomé produz massas caseiras: nutriçao de qualidade, comida que faz bem à saúde

Agroindústrias serranas fizeram bonito na Expointer

Nenhuma agroindústria de São Marcos esteve presente na 44ª Expointer. Mas em Esteio a Serra fez bonito: região que concentra a maioria dos estabelecimentos agroindustriais do Rio Grande do Sul, a Serra Gaúcha respondeu por mais de 25% das 176 agroindústrias presentes no Pavilhão da Agricultura Familiar no Parque Assis Brasil. E das 43 agroindústrias serranas presentes, 14 marcaram presença entre as 27 premiadas em 9 categorias, disputadas por 82 estabelecimentos inscritos.

“Isso representa muito para a região e é especialmente significativo para nós da Emater, que acompanhamos todo o processo”, avaliou a gerente regional da Emater, Sandra Dalmina.

Encerrada no último domingo (12), a 44ª Expointer registrou faturamento de R$ 1, 6 bilhão. O mais lucrativo foi o setor de máquinas e implementos agrícolas, que respondeu por R$ 1,4 bilhão do total. Os números da Agricultura Familiar foram animadores: o setor faturou R$ 2,8 milhões e contou com 228 expositores.

Pavilhão da Agroindústria Familiar foj destaquena 44° Expointer: faturamento de R$ 2,8 milhões e 228 espositores, com destaque para agroindústrias da Serra

Vencedores do 9º Concurso de Produtos da Agroindústria Familiar

VINHO TINTO FINO SECO

1º – Casa Zottis, de Bento Gonçalves
2º – Adega Mascarello, de Flores da Cunha
3º – Vinhos e Sucos Adams, de Nova Petrópolis

VINHO TINTO DE MESA SECO

1º – Vinícola de Bastiani, de Nova Roma do Sul
2º – Vinícola Vista Gaúcha, de Vista Gaúcha
3º – Agroindústria Orgânicos Mariani, de Bento Gonçalves

SUCO DE UVA INTEGRAL/NATURAL

1º – Vinhos de Cezaro, de Esteio
2º – Agroindústria Orgânicos Mariani, de Bento Gonçalves
3º – Vinícola de Bastiani, de Nova Roma do Sul

QUEIJO COLONIAL

1º – Ferrari Alimentos, de Carlos Barbosa
2º – Laticínio Ruppenthal, de Gramado
3º – Laticínios Pipo, de Nova Roma do Sul

SALAME

1º – Embutidos Fioresi, de Caçapava do Sul
2º – Embutidos Araldi, de Sarandi
3º – Ferrari Alimentos, de Carlos Barbosa

CACHAÇA PRATA

1º – Harmonie Schnaps, de Harmonia
2º – Cachaçaria 3 Fortuna, de Muçum
3º – DS Destilados, de Pinto Bandeira

CACHAÇA ENVELHECIDA PREMIUM

1º – Velho Alambique, de Santa Tereza
2º – Weber Haus, de Ivoti
3º – Cachaçaria 3 Fortuna, de Muçum

CACHAÇA ENVELHECIDA EXTRA PREMIUM

1º – Weber Haus, de Ivoti
2º – Harmonie Schnaps, de Harmonia
3º – DS Destilados, de Pinto Bandeira

MEL

1º – Casa do Mel TX, de Caçapava do Sul
2º – Agroindústria Mel Machado, de Viadutos
3º – Apicultura Rempel, de Campinas do Sul

Bento Gonçalves é o município do RS que possui o maior número de agroindústrias com destaque para o vinho colonial

Agroindústrias integram famoso roteiro turístico em Bento Gonçalves, atraindo visitantes e gerando renda.

Entre os produtos oferecidos pelas agroindústrias da Serra na Expointer deste ano estiveram doces, geleias, pães, embutidos e queijos. Mas o principal destaque foi mesmo o velho e bom vinho colonial, produto que está ligado à identidade cultural da Serra Gaúcha.

Coube à Bento Gonçalves, município com o maior número de agroindústrias no Estado (40), o protagonismo: das cinco agroindústrias de Bento que expuseram na Expointer, três foram de vinho colonial (também marcaram presença uma de suco e uma de cachaça). “Bento se destaca no Estado pela força, qualidade e quantidade de suas agroindústrias”, assinalou a gerente regional da Emater.

Muitas das Agroindústrias de Bento integram o roteiro turístico “Caminho de Pedras”. São pontos de parada obrigatórios dos turistas que visitam o municípioque encontrou no turismo rural (e também agroindustrial) uma importante fonte de renda, trabalho e valorização cultural, diversificando sua matriz econômica e sendo hoje um dos mais importantes segmentos de sua economia.

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