Desvio de canos e ordens adulteradas pela Corsan viram alvo de investigação

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Canos possuem marca da Corsan e seriam enterrados logo.

Polícia Civil de São Marcos investiga possíveis desvios ocorridos internamente. Em agosto, canos da estatal foram apreendidos em terrenos particulares. O SMO recebeu denúncia de cobranças indevidas através de ordens adulteradas na última semana

A Polícia Civil de São Marcos apreendeu, no dia 4 de agosto, um lote de canos identificados com a marca da Corsan com valor comercial estimado em torno de R$ 1,8 mil (um mil e oitocentos reais). O material estava em terreno particular localizado na Rua Angelo Siota, bairro São José. Foi instalado inquérito policial para investigação que inicialmente aponta para um desvio ainda maior, que está sendo apurando, envolvendo instalações irregulares em outras localidades e realização de obras com material desviado da empresa pública.

“Os canos possuem a identificação e não podem ser revendidos sob nenhuma hipótese, é muito importante deixar claro que o valor mencionado é do material recuperado, mas o prejuízo certamente é muito maior e isso vai ser apurado até o final do procedimento policial”, revelou o delegado titular de São Marcos Rafael Keller ao SMO esta semana.

Ele destaca que os canos apreendidos estariam no local para nova instalação e ainda não haviam sido enterrados. “A gente está apurando outras instalações possivelmente fraudulentas, em que os canos já estariam enterrados”. O delegado explica que a investigação se dá por possível corrupção, entre outros crimes que serão verificados no decorrer do inquérito, como possivelmente uma organização ou associação criminosa.

Ordens de serviço adulteradas foram denunciadas ao SMO. Em 2017 auditoria já apontava irregularidades

Além da apreensão dos canos, um esquema de adulteração em ordens de serviço foi denunciado por funcionário da Corsan ao São Marcos Online, assim como ao MP e Polícia Civil, em que as irregularidades originaram cobranças indevidas para a Corsan no município.

Segundo relatos e documentos apresentados, no suposto esquema a empreiteira contratada receberia da Corsan por serviços não executados ou inexistentes, como por exemplo repavimentações de obras que foram realizadas pela prefeitura e fiscalização de pontos que não existem, conforme reportagem em vídeo abaixo.

No vídeo ainda é possível identificar que em determinadas ordens há inconsistências como obras realizadas em tempo recorde e obras realizadas em parceria com a prefeitura, o que não seria permitido, segundo informações do funcionário.

As ordens referentes aos locais mostrados no vídeo, entre outras estão de posse da reportagem e da Polícia Civil. Nelas também há evidências de serviços cobrados de forma replicada, como por exemplo a mesma foto de um local e ordens com endereços diferentes entre outras formas de burlar o sistema que receber pelo serviço não existente. Cabe destacar que as ordens de serviço são emitidas e fiscalizadas pela própria Corsan e o pagamento é feito automaticamente à empreiteira.

O caso não é recente pois, ainda em 2017 chegou a ser instaurado processo administrativo junto ao Ministério Público após denúncia mas, não houve nenhum desdobramento desde então e a prática continua. Também, conforme auditoria externa contratada pela própria Corsan na época, ao qual a reportagem teve acesso, serviços eram cobrados a maior, ou seja, superfaturados com registro de horas excessivas na utilização de equipamentos. Auditoria constatou ainda falta de fiscalização e de gestão fiscal do contrato, que envolvia também subcontratação de serviços com empresa ligada a funcionário.

 

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