Comércio justo e sustentabilidade: a importância de conhecer a origem do que você consome

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A busca pelo equilíbrio no convívio com a natureza deve fazer parte do nosso estilo de vida

Quando pensamos em sustentabilidade é importante ter consciência de que se trata de um conceito bastante amplo e, por isso mesmo, envolve todas as áreas da nossa vida. A busca pelo equilíbrio no convívio com a natureza deve fazer parte do nosso estilo de vida, o que envolve estar sempre atento ao impacto que as nossas escolhas possuem não só na nossa vida, mas também na vida daqueles que estão ao nosso redor. Quando vamos às compras não é diferente, além do preço e qualidade, devemos nos perguntar como aquele produto chegou até a prateleira, afinal você compraria um produto barato, mesmo sabendo que ele foi produzido em condições desumanas de trabalho? e se ele fosse produzido a partir da extração ilegal de recursos naturais? É a partir dessa ideia que nasceu o conceito de “fair trade” ou comércio justo, um modelo de comércio pautado na ética e que considera os aspectos sociais e ambientais no relacionamento entre o produtor e o consumidor. 

Essa nova forma de enxergar as relações de comércio é considerada um movimento social global em prol da sustentabilidade, pois promove o encontro entre produtores responsáveis e consumidores conscientes e incentiva métodos de produção sustentáveis através da aplicação de boas práticas ambientais. O principal objetivo do movimento é garantir que pequenos produtores possam disponibilizar os seus produtos de forma mais direta no mercado, eliminando os atravessadores e possibilitando ao consumidor conhecer a origem do que consome. Essa aproximação, além de incentivar a agricultura familiar e os pequenos negócios, também favorece a melhoria das condições de vida dos agricultores e artesãos que, apesar de serem os principais responsáveis pela disponibilidade dos produtos que consumimos, frequentemente não recebem uma remuneração justa e condizente com o seu trabalho. 

É importante não confundir esse modelo de comércio com a caridade, o comércio justo é uma alternativa acessível e simples de fazer negócios e que traz benefícios para todos os envolvidos. Produtores, comerciantes e consumidores passam a formar uma rede de parceria e os interesses de cada um são considerados e respeitados. Nos últimos anos, com o aumento do debate sobre o futuro do planeta, cresceram também as iniciativas que buscam mudar os padrões de consumo da sociedade. Atualmente, existem iniciativas de rotulagem, selos e certificações de fair trade lideradas por diversas organizações em diferentes países e que impulsionam grandes marcas a aderirem ao movimento e priorizarem uma cadeia produtiva mais justa e que com menos impacto no meio ambiente. Mas vale lembrar que cabe a nós, consumidores, exercermos o poder de escolha com responsabilidade, afinal se os nossos desejos e necessidades definem o que deve ser produzido, podemos definir também como deve ser produzido. 

Na sua próxima ida às compras, considere substituir o mercado pela feira livre, trocar a fruta importada pela que é plantada na sua região, dar preferência aos produtos artesanais ou produzidos em cooperativas e empreendimentos solidários. O fortalecimento do comércio justo como alternativa sustentável não pode ser uma responsabilidade exclusiva da indústria, toda grande mudança começa no âmbito individual. Somos nós, consumidores, que como num efeito formiguinha, acabamos por forçar a mudança de padrões.

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Fernanda dos Santos Jorge, contadora pelas Faculdades Porto-Alegrenses (FAPA),
especialista em Controladoria pelo PPGCONT-UFRGS.
Mestre em Contabilidade pela UFRGS. Doutoranda em
Inovação, Tecnologia e Sustentabilidade pelo PPGA-UFRGS. Atualmente, atua como gestora no Terceiro Setor.

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