O sonho de ser jogador de futebol: ‘Alojamento não tinha colchão, alagava quando chovia e alimentação não era adequada, mas as dificuldades fortalecem’

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São-marquenses Micael Lazzarotto, que joga no Canadá; Carlos Eduardo Bombana, que atua na Grécia; e Airton Moraes Michellon, que defende o Pelotas, falam dos desafios de ser jogador profissional e das dificuldades encontradas nas categorias de base do futebol brasileiro, evidenciadas pelo incêndio no CT do Flamengo, tragédia que completa um mês neste 8 de março

O incêndio ocorrido no Ninho do Urubu (Centro de Treinamentos do Flamengo inaugurado em dezembro de 2018 e que custou mais de R$ 23 milhões) expôs a falta de estrutura adequada nas categorias de base do futebol brasileiro. Talvez por se tratar de um dos maiores, mais ricos e populares clubes do país, a tragédia que interrompeu sonhos e culminou na morte de 10 adolescentes (13 escaparam e 3 foram hospitalizados com ferimentos graves) causou forte impacto, revelando a precariedade que está por trás do aparentemente milionário futebol nacional, onde alguns poucos atletas ganham milhões, mas a maioria recebe salários entre R$ 3 e R$ 11 mil, isso quando recebem em dia. https://www.salario.com.br/profissao/jogador-de-futebol-cbo-377110/

Um mês depois, ainda não há uma determinação do que causou o incêndio no CT do Flamengo em 8 de fevereiro. Mas investigações indicam que um curto-circuito no ar condicionado pode ter provocado as chamas, que rapidamente se propagaram pelo alojamento onde estavam os garotos dos time Sub-15 e Sub-17. Feito em estrutura provisória dentro de um container, até que o futuro alojamento da base fique pronto, o local contava com apenas uma porta de saída e não estava regular junto aos Bombeiros.

https://esportes.estadao.com.br/noticias/futebol,incendio-no-ninho-do-urubu-ct-do-flamengo,70002713388.

Diante do fato, e tendo em vista que neste dia 8 de março a tragédia completa um mês, o São Marcos Online conversou com três atletas são-marquenses – Micael Lazzarotto, que joga no futebol canadense; Carlos Eduardo Bombana, que atua na Grécia; e Airton Moraes Michellon, que defende o Pelotas – para saber como eles e seus colegas de clube receberam a notícia, que causou forte comoção, levando a mídia a produzir matérias sobre a dura realidade nas categorias de base do futebol brasileiro.

Entre as inúmeras reportagens, destaque para matéria feita pelo Intercept Brasil: com o título “A vida de um jogador de base na bagunça dos grandes times do Brasil: sorte sua se houver arroz e feijão”, a matéria reproduz texto escrito pelo jogador Ramiro Simon (confira no link abaixo, que vale a pena).

https://theintercept.com/2019/02/13/futebol-de-base/

Conversando com os três atletas são-marquenses – que iniciaram no Projeto Crescimento da AMSM e deixaram o município para conseguirem se tornar atletas profissionais -, o São Marcos Online pode perceber que, por trás do sonho de ser jogador de futebol, há uma vasta gama de obstáculos a serem superados. É uma caminhada que exige fé, trabalho, persistência, perseverança e muita dedicação e competência. Também foi possível notar que o futebol pode servir como uma ponte para um futuro melhor. Porque no depoimento desses jovens está presente não só o futebol, mas também lições de vida e de superação de obstáculos. Eles são exemplos da importância social do esporte e da relevância de projetos que podem representar um futuro melhor para crianças e adolescentes.

Acompanhe na matéria que segue o que Mika, Kadu e Airton tem a dizer e a ensinar àqueles que sonham em calçar a chuteira e, quem sabe, um dia vestir o uniforme de um grande clube de futebol do Brasil e do mundo. A reportagem segue no próximo dia 9 de março, quando destacará um projeto que desenvolve as categorias de base em São Marcos: as escolinhas de futebol Atlético RS, do professor Jhosef. São mais de 120 crianças e adolescentes que, como muitos, cultivam o sonho de ser jogador profissional. Conheça mais sobre esse importante projeto esportivo e social na segunda parte da reportagem, que será publicada no próximo sábado (9). Nesta primeira parte, fique com as histórias que Kadu, Airton e Micael tem para contar…

Um mês após tragédia no CT do Flamengo, ninguém foi responsabilizado e famílias das vítimas aguardam indenização

‘Nos identificamos pelos sonhos daqueles garotos e por saber como é viver numa concentração’: goleiro Airton Michellon fala sobre o mundo do futebol e de sua trajetória até defender o Pelotas

Após passar por Juventude, Red Bull, Oeste e pelo futebol da Áustria, são-marquense Airton Michellon é goleiro do Pelotas

“Essas notícias são sempre chocantes de se receber.” Foi com essas palavras que o atleta são-marquense Airton Moraes Michellon, 24 anos, resumiu ao São Marcos Online sua impressão do incêndio ocorrido no CT do Flamengo, tragédia que completa um mês neste 8 de março. Atuando no Pelotas, Airton destacou que por mais que não conhecesse nenhum dos adolescente, acabou se identificando com eles.

– Nós nos identificamos pelos sonhos daqueles garotos e por saber como é viver em uma concentração.

O goleiro destaca que o garoto que sonha em ser jogador precisa se resignar e aceitar as condições nem sempre confortáveis dos alojamentos.

– As categorias de base são a porta de entrada para o futebol e muitas vezes tínhamos que nos contentar com pouco para não desistir do nosso sonho.

Em sua avaliação, apesar do ocorrido no Ninho do Urubu, a situação já foi pior.

– A estrutura dos clubes antigamente era pior e atualmente está melhor, apesar dessa tragédia no Rio. Como é comum no Brasil, as coisas acontecem para depois se tomar alguma providência. Acredito que, no geral, a estrutura para esses meninos irá melhorar, com as autoridades fiscalizando e exigindo segurança, alimentação, estudos e toda a estrutura necessária para formar não apenas um atleta, mas sim um cidadão – pondera o jovem.

‘O futebol é um mundo de aparências e a maioria só vê o glamour dos grandes jogos’: Airton iniciou no Projeto Crescimento e, após defender Juventude, Red Bull, Oeste e time da Áustria, está no Pelotas

Airton iniciou no Projeto Crescimento da AMSM, e no futebol de campo da UCS

O goleiro Airton Michellon começou a ir atrás do sonho de ser jogador de futebol aos 11 anos.

– Iniciei no Projeto Crescimento da AMSM, onde permaneci até os 13 anos. Naquela época me dividia entre o futsal e o futebol, na UCS. Tive que optar e escolhi o campo, ficando na UCS até 2009, quando a Universidade decidiu que não teria mais times de competição. Fiquei em casa até março, quando um ex-treinador conseguiu que eu fizesse um teste no Juventude. Fui aprovado e fui subindo de categoria até

estrear pelo profissional em 2013 – revelou o atleta, lembrando que em São Marcos já defendeu o São Roque no Municipal.

O goleiro lembra que sua estreia aconteceu num jogo decisivo.

– Era a semifinal do Brasileiro da série D – recorda.

Com suas boas atuações, Airton logo assumiu a titularidade no clube caxiense.

– Em 2014, após a pausa para a Copa do Mundo, me tornei titular e terminei a Série C. No ano seguinte fiquei no Juventude durante o Gauchão e início da Série C, quando fui vendido ao Red Bull Salzburg, da Áustria. Atuei no futebol austríaco até janeiro de 2017, quando retornei ao Brasil emprestado ao Red Bull de São Paulo, onde fiquei até junho de 2018, quando fui emprestado ao Oeste (Barueri) para jogar a Série B. De lá vim para o Pelotas, retornando novamente ao Rio Grande do Sul para disputar o Gauchão.

O atleta destaca as diferenças entre o futebol gaúcho e paulista.

– A maior diferença (entre os dois Estados) é que São Paulo é o centro econômico do país. Consequentemente, os times têm um poder financeiro maior e o campeonato é mais valorizado e visado pela imprensa e pelos atletas.

Com a experiência adquirida ao longo de sua trajetória como profissional, Airton salienta a importância do trabalho e da dedicação.

– O futebol é um mundo de aparências e a maioria das pessoas só vê o glamour dos grandes jogos televisionados das grandes competições. Mas a realidade é que o atleta precisa trabalhar muito todos os dia para chegar num grande clube, o que também passa por ter uma oportunidade. A dica que posso dar para quem está começando é acreditar nos seus sonhos e ter em mente que nada vai cair do céu e será preciso trabalhar muito para realizar tudo que almejou – pondera o atleta.

Goleiro de São Marcos foi destaque na vitória histórica do Pelotas sobre o Inter e se prepara para o Brapel: ‘Era só alegria no vestiário; Pelotas é uma cidade que respira futebol, a rivalidade é enorme’

Airton foi eleito o melhor em campo pela Rádio Gaúcha na vitória do Pelotas sobre o Inter no Beira-Rio

Nascido e criado em São Marcos, Airton Moraes Michleon é filho do casal Bruno Silvestre Michelon e Rita de Cacia Moraes Michellon. Ambos residem em São Marcos e torcem pelo filho. Como os torcedores do Pelotas, Bruno e Cacia ficaram orgulhosos com a brilhante atuação de Airton na vitória histórica do Lobão sobre o Inter no Beira-Rio por 2×1, de virada, em jogo realizado pela 2ª rodada do Gauchão, em 29 de janeiro. Com defesas brilhantes no final do segundo tempo, quando o Inter veio pra cima do Pelotas atrás do empate, Airton foi eleito o melhor em campo pela Rádio Gaúcha.

– Fui muito feliz na partida e pude ajudar meus companheiros a conseguir aquela importante vitória. Depois do jogo era só alegria no vestiário: uma satisfação imensa e o sentimento do dever cumprido.

Como lembra o goleiro são-marquense, fazia 39 anos que o time da zona sul não ganhava do colorado no Beira-Rio. A vitória encheu de ânimo a equipe que, após cinco anos, retornou à Série A do futebol gaúcho. Segundo Airton, o resultado foi fundamental para o Pelotas.

– Após aquela vitória sobre o Inter, a torcida, que estava desconfiando do nosso grupo pela derrota dentro de casa na estreia (0x1 para o Juventude), viu o nosso trabalho e nos ajudou muito dali pra frente.

Na zona de classificação (com 11 pontos, o Pelotas está em 6º), o time de Airton tem dois jogos decisivos (e muito difíceis) pela frente: encara (fora de casa) os dois últimos colocados (Veranópolis em 10 de março e Brasil no dia 17). Após enfrentar as duas equipes que lutam para escapar do rebaixamento, o Lobão encerra sua participação na primeira fase diante do líder Grêmio, em jogo marcado para 20 de março, na Boca do Lobo. Conforme os resultados obtidos nessas três partidas, o time de Airton poderá figurar entre os 8 classificados a fase final da competição.

– São jogos complicados e a esperança é muito grande, pois estamos a um passo da classificação – pondera.

Ele destaca que o clássico contra o Brasil está gerando grande expectativa na cidade (as duas equipes voltam a se enfrentar pela Série A do Gauchão após cinco anos), onde as pessoas – antes de torcerem para Inter ou Grêmio – torcem para os times locais.

– Pelotas é uma cidade que respira futebol e a rivalidade entre os dois times (Brasil e Pelotas) é enorme. Quanto mais se aproxima o clássico, mais tensa a cidade fica e os torcedores dos dois lados se inflamam. Estamos trabalhando para chegar bem no dia do jogo. E como atuaremos fora de casa, teremos que suportar a enorme pressão da torcida adversária – assinala Airton, lembrando que o jogo será decisivo para o Brasil, time que luta para escapar do rebaixamento à Série B (o Xavante tem 7 pontos, 1 a mais que o Avenida, primeiro time que hoje estaria rebaixado).

Após brilhar no Beira Rio com defesas decisivas, goleiro são-marquense Airton caiu nas graças da torcida do Lobão

‘No Canadá há muito incentivo ao esporte’: Micael Lazzarotto fala de como é viver no país que tem um dos maiores IDH do mundo: ‘País multicultural, com qualidade de vida, segurança e educação’

Micael Lazzarotto, 25 anos, está a 4 anos no Canadá e atua no Tronto Skill

“Minha vida no Canadá é muito boa se comparada com a do Brasil. O Canadá é um país multicultural e famoso pela qualidade de vida, com segurança e povo educado: estou muito feliz por estar num país de primeiro mundo e é aqui que, se Deus quiser, vou constituir família e criar meus filhos”.

Foi com essas palavras que o são-marquense Micael Lazzarotto, 25 anos, resumiu ao São Marcos Online a vida que leva no Canadá. Ele está no país situado ao norte da América do Norte (bem perto do Polo Norte e do Ártico, onde estão as maiores geleiras do mundo!) há quatro anos. E, pelo que disse, não pretende sair de lá tão cedo.

– Vir para o Canadá foi uma oportunidade incrível que surgiu em minha vida e meu plano para o futuro é seguir por aqui. Pretendo formar família e quero que meus filhos tenham uma vida boa, o que com certeza é mais fácil do que no Brasil. Porque no Canadá há mais qualidade de vida, melhor educação e segurança. Então pretendo ir ficando por aqui e ir para o Brasil só pra visitar a família em São Marcos – assinalou o jovem.

As palavras do são-marquense expressam uma realidade conhecida mundialmente: o Canadá, que possui a 7ª maior economia mundial, é o país com um dos maiores Índices de Desenvolvimento Humano (IDH) do mundo. Em alguns quesitos (como índice de analfabetismo, renda per capita e expectativa de vida), supera os Estados Unidos, tendo boa distribuição de riqueza e baixa desigualdade social.

– Toronto tem muitos lugares bonitos para ir e depois dos treinamentos sempre procuro fazer coisas diferentes para não estar só por casa. O legal é que o Canadá é um país multicultural e na gastronomia dá para escolher a comida que quiser. E a noite Toronto é uma cidade muito linda, todos se sente seguros de andar na rua, não há perigo de ser assaltado, nem se compara com a situação do Brasil. O povo é muito educado, outra coisa que nem se compara com a situação brasileira – relata Micael.

‘Trabalhava à noite e ia correndo a São Luiz para manter o preparo físico e seguir focado no meu sonho. Dormi em alojamentos que alagavam e não tinham alimentação adequada. As dificuldades tornam você mais forte e maduro’

“As dificuldades, pela vontade de vencer, você acaba superando e nem ligando: por estar tão focado em seu sonho, consegue superar tudo isso. E no fim elas te deixam mais forte e maduro”

Para Micael, o futebol serviu como uma ponte para um futuro melhor e mais promissor.

– Para mim, que era do Colina Sorriso e não tinha uma condição financeira muito boa, o futebol abriu portas e me oportunizou estar onde estou. Claro que não foi fácil, porque a carreira de jogador é difícil e exige que a pessoa não desista nunca. Eu, por exemplo, superei muitos obstáculos e fiz ‘peneiras’ em diversos times – recorda.

Micael lembra que, no início, precisou conciliar o sonho de ser jogador de futebol com o trabalho.

– Comecei a trabalhar desde cedo e, quando trabalhava à noite, saía e ia correndo até São Luiz para manter o preparo físico, sempre focado no meu sonho.

O atleta – que defende o Toronto Skills, atundo como atacante e meia-atacante – desde cedo sonhou em ser jogador de futebol.

– Lembro que de criança, quando via os jogos na TV, na minha cabeça era simples se tornar um jogador de futebol. Mas quando vivenciei a base vi que não era assim: dormi em alojamentos que alagavam quando chovia e não tinham alimentação adequada. Mas são dificuldades que, pela vontade de vencer,

você acaba superando e nem ligando: por estar tão focado em seu sonho, consegue superar tudo isso. Estou há 4 anos no Canadá e, durante esse tempo, fiquei sem ir ao Brasil e ver minha família. São dificuldades que você precisa superar pelo amor ao esporte e vontade de sempre querer mais e vencer na vida – indica.

O atleta ressalta que o jovem precisa “dar tudo de si”.

– Meu conselho pra gurizada que está iniciando e sonha em ser jogador de futebol é dar sempre o melhor de si em treinamentos e jogos, tentando evoluir e nunca desistir. Precisa saber que não vai ser fácil, mas as dificuldades tornam você mais forte e maduro, tanto mentalmente quanto sentimentalmente. Tem que ser forte, porque não é fácil; mas nada é impossível e só depende de você.

‘Joguei o Municipal pro Morro e pro Elite e queria jogar novamente’: Mika aponta ligação entre esporte e educação no Canadá, com incentivo ‘desde pequeno’

‘No Canadá há muitas escolinhas de futebol para crianças e eles incentivam a praticar esporte e fazer a faculdade’

Micael conta que chegou ao futebol canadense através de um empresário.

– Em 2014 estava jogando num time de Santa Catarina e recebi proposta para ir pra Alemanha. Conheci esse empresário e mantivemos contato. Voltei ao Brasil e ele me convidou pra ir jogar no Canadá. Resolvi aceitar e graças a Deus deu tudo certo. Hoje estou bem e assinei contrato com o Toronto Skills por dois anos – conta.

Segundo ele, o futebol canadense está evoluindo. Pelo que disse, as categorias de base são qualificadas e há muitas escolas de futebol para crianças.

– Todos os times têm categorias de base. Há muitas escolinhas de futebol pras crianças. O esporte é muito importante pra eles e está começando a aumentar o nível. No futebol estão investindo mais: como é um país frio, investiam bastante em beisebol, basquete e roquei. Mas esse ano inauguraram uma nova liga de futebol que será bem competitiva. O nível vai subir muito e estou ansioso pra jogar – ressalta.

Outro aspecto revelado pelo são-marquense é a ligação entre esporte e educação ocorrida no Canadá.

– No Canadá, desde pequeno eles incentivam as crianças para todos os esportes. Mas eles incentivam que você termine a faculdade antes de ser atleta. O próprio time incentiva isso, pois caso não dê certo como atleta você tem outros caminhos a seguir depois.

Ele observa que a situação é bem diferente da brasileira e são-marquense.

– Tive em São Marcos no início de fevereiro, quando visitei minha família (Micael é filho de Mismael Lazzarotto e Marinete Farias). Fiquei uns 20 dias. O que percebo é que em nosso município o esporte não é muito valorizado e não tem aquele incentivo que deveria ter, como de resto em todo o Brasil, onde não tem esse mesmo incentivo que existe no Canadá.

Durante sua estadia em São Marcos, Mika visitou as escolinhas de futebol.

– Tive nas escolinhas do Jhosef, falei com a gurizada e vi que falta mais incentivo e uma estrutura melhor. E de um modo geral precisar ter mais incentivo pros jovens em São Marcos, porque os jovens são o futuro da cidade e se os jovens não forem incentivados e não quiserem mais jogar bola, na hora em que os velhos pararem o futebol vai morrer. Falta muito incentivo ao esporte em São Marcos – avalia Micael.

Ele lembra que já disputou o Municipal e revela que gostaria de atuar novamente na competição.

– Joguei o Municipal pro Morro e pro Elite e queria jogar novamente.

Em relação ao incêndio ocorrido no CT do Flamengo, ele destaca que o incidente teve grande repercussão no Canadá.

– Meus companheiros de time me perguntaram como ocorreu, queriam que explicasse pra eles. Ficamos ficaram bem tristes, porque sabemos como é ficar na base de um time sem ir pra casa por um tempo e acontecer uma coisa dessas – diz Micael Lazzarotto, revelando que foi avisado do ocorrido por sua irmã.

‘Enfrentei dificuldades, times não tinham colchão nos alojamentos’: Kadu Bombana fala de obstáculos superados até chegar à Grécia: ‘O incêndio foi um choque, o Brasil é visto como o país do futebol’

Cadu Bombana atua no futebol da Grécia, onde joga no A.O Ypato

O país do futebol. Assim o Brasil (maior vencedor de copas do Mundo) é conhecido no exterior. Na nação do samba, do carnaval e da maior floresta do planeta, o futebol aparece como símbolo de qualidade. Seja pelo gingado de Garrincha, pela habilidade de Pelé, pela magnificência de Zico, pela malandragem de Ronaldinho Gaúcho, ou pela genialidade de Neymar, o certo é que os brasileiros gozam de fama e prestígio no trato com a bola, sendo reconhecidos mundialmente.

– Para os gregos o Brasil é país do futebol, então quando saiu a notícia do incêndio (no CT do Flamengo), foi um choque para eles. Na realidade chocou não só os gregos, mas o mundo inteiro – comenta o são-marquense Carlos Eduardo Bombana.

Aos 26 anos, Kadu atua no futebol grego. Defende o A.O Ypato, equipe da 3ª divisão.

– O futebol grego é de muita força. Os melhores times são o Olimpiakos, o AEK e o Paok de Thessalonika – destacou.

Kadu conta que, na Grécia, as categorias de base existem apenas nos times da primeira divisão, que possuem estrutura.

– Os times das outras divisões não têm alojamentos. Os jogadores são meninos das cidades de onde os times são – revela.

Ele diz que, antes de chegar a Grécia, enfrentou muitas dificuldades nas categorias de base de times brasileiros onde atuou.

– Passei por muitas dificuldades no Brasil no tema alojamento. Alguns lugares onde joguei não tinham nem colchão para a gente dormi. Também não tínhamos uma boa alimentação e isso em times que estavam na 1ª divisão do Campeonato Brasileiro – salienta.

‘As dificuldades fazem ficar mais forte, ser jogador de futebol é um sonho de muitos meninos’

Cadu, que iniciou no Projeto Crescimento elogia projeto das escolinhas de futebol: ‘professor Jhosef e comissão técnica estão de parabéns’

Kadu Bombana conta chegou a Grécia através de um empresário que viu um vídeo dele no Youtube. Mas também no país europeu precisou superar obstáculos.

– No começo passei por algumas dificuldades também aqui na Grécia, pois alguns times não pagavam. No início foi tudo muito difícil, mas hoje está tranquilo – ressaltou.

Segundo Kadu, a vida no país europeu situado no Mediterrâneo é boa.

– Algumas pessoas falam em crise, mas aqui não existe isso. No geral a vida é tranquila e muito boa: as pessoas saem bastante para se divertir e não trabalham muitas horas. A gastronomia é interessante: eles comem muito porco, frango, ovelha e frutos do mar, mas não muita carne bovina como no Brasil – assinala.

Pelo que disse ao São Marcos Online, sua intenção é seguir no futebol europeu.

– Meu plano para o futuro é ficar na Europa jogando. Ainda vai demorar um pouco para eu voltar a São Marcos.

Filho de Gilberto e Darlei Bombana, Kadu já disputou o Municipal de São Marcos pelo Elite. Assim como Airton, ele também iniciou no Projeto Crescimento da AMSM. Em sua avaliação, ainda há muito que se fazer para que o futebol evolua no município.

– Quem está de parabéns é o Atlético RS com o professor Jhosef e sua comissão técnica – apontou.

Conforme Kadu, o importante para quem está começando é não desistir, encarando os obstáculos como uma oportunidade de fortalecimento pessoal.

– Ser jogador de futebol é um sonho de muitos meninos. Um conselho que posso dar é nunca desistir, por mais difícil que seja a caminhada. Qualquer um vai enfrentar obstáculos, mas são essas dificuldades que te fazem ficar cada vez mais forte – assinala o atleta são-marquense que atua no futebol grego.

A reportagem segue no próximo dia 9 de março, quando destacará um projeto que desenvolve as categorias de base em São Marcos: as escolinhas de futebol Atlético RS, do professor Jhosef. São mais de 120 crianças e adolescentes que, como muitos, cultivam o sonho de ser jogador. Conheça mais sobre esse importante projeto esportivo e social na segunda parte da reportagem, que será publicada no próximo sábado (9).

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