‘Marighella’: no país de Moro e Mourão, Moura lança filme e causa frisson!

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Longa de estreia como diretor do “Capitão Nascimento, de Tropa de Elite” foi exibido no Festival de Berlim, em fevereiro, e pode estrear no cinema brasileiro em abril. Em tempos de Oscar e de culto ao cinema norte-americano, vale considerar que, acima de tudo e de todos, Marighella é um filme brasileiro de ação!

A qualidade cinematográfica da obra é o que menos interessa. ‘Marighella’ – longa de estreia como diretor de Wagner Moura, que se notabilizou como ator interpretando o ‘Capitão Nascimento’, de ‘Tropa de Elite’, posteriormente fazendo sucesso na série Narcos, onde fez o papel de Pablo Escobar – mal foi lançado e já está dando o que falar. Exibido no Festival de Berlim entre 7 e 17 de fevereiro, o filme causou intenso alvoroço e acirrou ainda mais os já arrefecidos ânimos da pátria amada e idolatrada Brazil. https://www.cartacapital.com.br/cultura/marighella-de-wagner-moura-estreia-na-berlinale-com-protestos/

E como no país do carnaval e do futebol (que de uns tempos pra cá também se tornou o país da politicaria) o cinema é delegado a um segundo plano, poucos se importam em analisar a qualidade técnica do filme em si, focando o aspecto político e ideológico da película.

– O que deveria ser analisado em primeiro lugar são os méritos artísticos da obra – ressaltou Moura em entrevista ao jornalista Pedro Bial em julho de 2017, quando estava começando as filmagens.

Claro que numa nação onde o lema do governo deve ser repetido nas escolas (“1984’, de George Orwell, explica o que está acontecendo), resgatar a vida de Carlos Marighella (o deputado “negro e comunista” que se tornou guerrilheiro urbano e enfrentou a ditadura militar com base na luta armada) é no mínimo provocativo.

– Sempre me interessei pela vida de pessoas que resolveram fazer algo que não era para elas, mas sim por uma ideia, um conceito. E Marighella é um figura importante e personagem fundamental de nossa história recente que tentou ser apagado pela ditadura militar. Meu filme é sobre Marighella e sobre a luta armada, mas é sobretudo sobre a infâmia e a forma mentirosa com que a história pode ser contada – salientou Moura, explicando a Bial porque escolheu essa temática.

https://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/diversao-e-arte/2019/02/16/interna_diversao_arte,737993/quem-foi-marighella-filme.shtml

Mas o filme de Moura, que possui inegável conotação política (como indagou o ator-diretor: há algum mal no cinema ser “politizado”?) é muito mais que isso. Além do bem e do mal, o que vale é celebrar o fato de o cinema brasileiro estar diante de um filme de ação. Porque, como disse o cineasta em sua “conversa com Bial”, Marighella é, acima de tudo (e de todos!), um filme de ação, daqueles cuja trama prende a atenção dos telespectadores do início ao fim; afinal, como ponderou o diretor, não haveria outro gênero cinematográfico para expressar uma vida de ação como foi a de Marighella, assassinado por agentes da ditadura em 4 de novembro de 1969.

– Quero fazer um filme de ação. Existe uma lacuna de mercado desse gênero no cinema do Brasil. Pesquisas indicam que o filme que o brasileiro mais quer ver não é comédia, é de ação, o tipo de filme que a gente menos produz. E as ações que a ALN de Marighella fazia eram fantásticas do ponto de vista cinematográfico. Sem falsa modéstia, é um filmaço. Parei um ano da minha carreira de ator em Hollywood, porque esse filme é um compromisso de vida – ressaltou Wagner Moura na parte final da entrevista (confira no link abaixo).

https://www.youtube.com/watch?v=ub3Dm2Cod44

‘Em tempos de Oscar e de culto ao cinema norte-americano, vale considerar que, acima de tudo e de todos, Marighella é um filme brasileiro de ação!’

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O cinema de ação é, aliás, um gênero pouco explorado no Brasil, onde a indústria cinematográfica sempre foi mais voltada às comédias, dramas e pornochanchadas. Mas o filme que tem o músico Seu Jorge no papel do guerrilheiro quebra esse paradigma. Genuinamente Made in Brazil em seu conteúdo, Marighella tem o formato de um filme norte-americano. Caso consiga se livrar de eventuais pré-conceitos político-ideológicos, o telespectador brasileiro que se criou curtindo filmes de ação Made in Usa, poderá gostar de assistir Marighella, uma produção que contou com razoáveis recursos e muito empenho do talentoso ator e, agora, diretor Wagner Moura. https://segredosdomundo.r7.com/quem-foi-carlos-marighella-e-como-sua-historia-virou-filme/

Em tempos de Oscar – cerimônia acompanhada por milhares de brasileiros no último domingo (24), quando se prestou culto ao cinema norte-americano – vale considerar que, acima de tudo (e de todos!), Marighella é um filme de ação. E, segundo os críticos especializados, um bom filme de ação. É preciso pensar nesse aspecto cinematográfico e esquecer um pouco eventuais ranços ideológico-partidários, vendo no filme um avanço para o cinema nacional. https://g1.globo.com/pop-arte/cinema/noticia/2019/02/15/wagner-moura-lanca-marighella-no-festival-de-berlim-e-posa-com-placa-de-marielle-franco.ghtml

E para quem acha que investir em cinema é desperdício, basta pensar na relevância que a indústria cinematográfica norte-americana teve (e tem) na hegemonia desta nação. A força dos EUA reside em seu poderio militar e econômico, mas tem no cinema um importante pilar de sustentação. Foi e continua sendo através da indústria do cinema que os EUA exportam sua cultura e seu modo de ser, legando ao mundo padrões de comportamento, ideologias e formas de interpretar a realidade, impondo suas visões de mundo e versões da história como legítimas e verdadeiras. https://br.vida-estilo.yahoo.com/estreia-de-marighella-no-brasil-sera-em-ocupacao-mtst-afirma-guilherme-boulos-184625671.html

Após passar por Berlim, cidade do histórico muro que separou o mundo, Marighella agora terá que superar um muro de ódio, intolerância e preconceito que divide o Brasil

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Wagner Moura – que há alguns anos se mudou para Hollywood, onde fez importantes trabalhos como ator – aprendeu com os norte-americanos a fazer cinema. Depoimentos dão conta de que ele abriu mão de bons contratos de ator para se empenhar de alma na realização do filme, que começou a ser rodado em dezembro de 2017. A previsão é que seja exibido no Brasil a partir de 18 de abril deste ano. https://ombrelo.com.br/cultura-pop/marighella-conheca-a-historia-e-saiba-detalhes-do-filme/

Mas a estreia (que deve acontecer num acampamento do MST, como anunciou o ex-presidenciável Guilherme Boulos) é incerta: logo após ser selecionado para a mostra principal do festival alemão (Berlim é um dos mais importante festivais de cinema do mundo e da Europa, junto com Cannes, em Paris), Marighella foi alvo de intenso combate pelos extremistas tupiniquins; inclusive já há promessas (por parte daqueles que defendem um Brasil livre) de boicotes e protestos em salas de cinema brasileiras que se arriscarem a exibir a película. Um dos motivos é que o filme tem uma mensagem subliminar da importância de resistir e lutar em tempos ditatoriais, quando o Estado de Repressão perigosamente flerta com o Estado Policial, colocando em risco as liberdades individuais…

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https://jconline.ne10.uol.com.br/canal/cultura/imagem-e-som/noticia/2017/07/12/wagner-moura-critica-patrulha-ideologica-muita-cobranca-da-esquerda-294941

Claro que Moura apostou alto ao gravar um filme sobre um combatente da ditadura militar no momento em que a extrema-direita comanda o Brasil. E em Berlim ele não fez a mínima questão de despolitizar a obra: pelo contrário, valeu-se da tradição política do festival alemão para incendiar ainda mais a fogueira nacional. Ergueu placa em homenagem a ex-vereadora carioca Marieli Franco (segundo ele “a guerrilheira negra assassinada pelas mesmas ‘forças’ que mataram Marighella”); homenageou Jean Willis (o deputado do PSOL que cuspiu em Bolsonaro na fatídica votação da defenestração de Dilma e que deixou o Brasil por ser ameaçado de morte); e, ainda por cima, declarou ao mundo que, 50 anos depois, o Brasil vive tempos semelhantes aos enfrentados por Marighella, o militante negro que, após se eleger deputado federal pelo PCB, criou a Ação Libertadora Nacional (ALN), defendendo a luta armada como forma de combater a ditadura militar.

– Marighella era cercado por garotos de 19 e 20 anos. Eu, quando tinha essa idade, era um idiota. Talvez um dos efeitos coletarias mais importantes desse momento que a gente vive agora seja a politização dos jovens – avaliou Wagner Moura. https://brasilescola.uol.com.br/historia/carlos-marighella.htm

Baseado no livro Marighella – O homem que incendiou o mundo (Companhia das Letras, 2012), do jornalista Mário Magalhães, o filme (cujo roteiro foi feito por Moura em parceria com Felipe Braga) tem no elenco, além de Seu Jorge: Adriana Esteves, Bruno Gagliasso, Herson Capri e Humberto Carrão, entre outros atores de renome no Brasil. A crítica especializada fala bem da obra, que representa um avanço para o cinema nacional. Em Berlim, Marighella acabou não competindo pelo Urso de Ouro, premiação entregue aos vencedores e que já teve dois brasileiros indicados: Central do Brasil (1998), com Fernanda Montenegro, e Tropa de Elite (2008), que contava com o próprio Wagner Moura no papel principal. https://www.youtube.com/watch?v=7Mw386dVhcY

O que resta saber agora é se, após passar por Berlim, cidade onde foi erguido o histórico muro que separou o mundo, Marighella conseguirá transpor um muro de intolerância, ódio, preconceito e incompreensões que divide o Brasil. Afinal, na terra de Moro e Mourão, o filme de Moura (que sequer foi assistido) já causou muito alvoroço e intenso frisson… https://www.jornaldopais.com.br/reprovado-filme-marighella-do-petista-wagner-moura-bate-recorde-de-avaliacao-negativa-apos-protestos-politicos/

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    • Olá Cristiana, não se trata de uma coluna, mas de uma sessão especial onde uma vez por semana tratamos de temas de âmbito nacional e de interesse público. Trazendo referências aos leitores sobre o assunto em destaque. Assim como todas as editorias, exceto colunistas, o Rada Online é produzido pela equipe do São Marcos Online.

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