Afetividade na Educação Infantil

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Com esse artigo queremos trazer reflexões feitas por Henri Wallon e sua importância para a afetividade na educação infantil, bem como a sua dedicação com os assuntos relacionados aos problemas na área da educação.

Queremos também ressaltar a importância da afetividade, e os vínculos afetivos na aprendizagem, e na questão dos limites.

Vemos a importância da dedicação do professor com olhar afetivo, para conhecer seu aluno não somente cognitivo, mas também o emocional, pois só assim o professor poderá auxiliar seus alunos nas interações necessárias, ajudando assim a formação do caráter do seu aluno, pois no decorrer desse estudo, irei falar sobre a construção do caráter da criança baseado no afeto e nos limites.

Percebemos a importância desse assunto, quando vemos que uma criança de educação infantil passa mais tempo com nós professores nas creches do que com seus familiares em suas casas, se nós educadores não tivermos um olhar diferenciado para essa criança, ela passará a sua infância sem carinho, visto que durante a semana ela somente vai para suas casas para dormir.

Na perspectiva de Wallon, a vida emocional deve ser considerada por todos os que participam das atividades cotidianas dos indivíduos. É necessário que o professor conheça o fenômeno emocional não somente o cognitivo. Assim é mais fácil garantir as interações, as trocas e qualquer tipo de experiência vivida na escola, e com isso exercer influência na estrutura da personalidade da criança.

A emoção compete o papel de unir os indivíduos por suas relações mais orgânicas e mais intimas, e essa confusão deve ter consciência ulterior as oposições e os desdobramentos dos quais poderão gradualmente surgir as estruturas da consciência. (Wallon 2007, pág 124).

Consideramos o estudo da afetividade como um suporte necessário à atuação do professor. Por isso é preciso repensar a eficácia das relações afetivas em sala de aula, onde o professor é o parceiro necessário para as interações extra familiares.

Possibilitar relações afetivas em sala de aula é função pedagógica, portanto é papel do professor. Acredita-se que o conhecimento é o suporte necessário para assegurar a administração das emoções na sala de aula.

Percebe-se que todo o trabalho de Wallon, a afetividade é o tema central, onde a afetividade tem um papel imprescindível no processo de desenvolvimento da personalidade. É um domínio funcional, onde ocorre antes o nascimento da afetividade e depois a inteligência.

Existe uma fragilidade na noção de afeto. O professor precisa saber que afeto não se resume em beijos e abraços, e sim um contato mais cognitivo, não apenas físico. Na medida em que as crianças se desenvolvem, suas necessidades afetivas tornam-se mais exigentes.

Portanto afeto não significa somente beijar e abraçar, mas sim conhecer, ouvir, respeitar, admirar o seu aluno, demonstrando que o conhece e que confia na sua capacidade, mostrando também interesse na sua vida.

Muito tem se falado em educação com afeto, mas o ato de educar não pode ser visto apenas como depositar informações, nem transmitir conhecimentos. Há muitas formas de transmitir conhecimentos, mas o ato de educar só se dá com afeto, só se completa com amor.

A tarefa de todo educador, não apenas do professor, é a de formar seres humanos felizes e equilibrados. Só iremos conseguir isso com a cumplicidade entre o educador e o aluno, para ter cumplicidade precisamos de respeito, compromisso e mais que tudo isso precisamos ter amor. Precisamos querer ensinar e se permitir aprender.

Esse é o grande desafio da educação, conciliar educação com afeto, o professor tem que atingir o aluno, quem educa precisa olhar a essência e não somente uma turma, cada criança tem suas peculiaridades, características próprias, é papel do educador, conhecer bem seus alunos. Como educar sem saber que tipo de aluno se pretende formar.

Acreditamos que essa mudança só será possível, quando o professor perceber que ele não detém o conhecimento, e sim seu conhecimento só fará algum sentido se ele conseguir tocar seu aluno, ouvir as perguntas e os medos, dessa forma incentivando a criança a fazer perguntas, e não somente dar respostas.

Só consegue estabelecer vínculo que não for indiferente, e só conseguimos olhando a essência dos nossos alunos, pois é na convivência que revelamos quem somos. Devemos tratar os erros dos alunos individualmente e os acertos coletivamente, para assim ele perceber que o educador se preocupa com sua vida e faz elogios nos seus acertos.

Artigo escrito pelas professoras da Educação Infantil
Vania Mara Casal
Juliane Camargo Brito

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