Vazio existencial

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Modernidade líquida é a época atual em que vivemos, como referiu o sociólogo Bauman, era dos excessos, da supervalorização do consumo, das celebridades instantâneas e momentâneas, do imediatismo, da ausência de comprometimento… Liquida pela sua fluidez e volatilidade porque a vida moderna mostra como tudo é efêmero e vão, a cultura do vazio impulsiona a ação na busca irrefreada do prazer e do poder.

Na sociedade liquida a depressão e a ansiedade, aumentaram consideravelmente, pois existe a busca por um padrão de perfeição e felicidade que só existe no mundo das aparências, padrões estes relacionadas à satisfação imediata das necessidades fictícias e não vitais. Consumir tudo e todos ao mesmo tempo e ainda assim sentir-se insatisfeito.

Existe a ausência de algo maior, a procura sem fim de encontrar meios para suprir um vazio existencial. Dessa instabilidade e ausência de perspectiva nasce a angústia. E quando se esgotam os recursos pela busca do eterno prazer e o vazio invade emerge um alto grau de desesperança e o sentimento profundo de angústia sentida como irremediável.

Porém compor uma vida não se reduz a adicionar episódios agradáveis, a vida é maior que a soma de seus momentos e todos possuem monstros interiores que assustam, mas o como se reage às circunstâncias que vão sendo oferecidas que direcionam a algo maior que a eterna satisfação, a busca do sentido da vida.

O vazio que vivemos na atualidade é a morte das ideologias, o domínio da tecnologia em detrimento do contato com o outro, a perda das tradições, o empobrecimento do ser e a supervalorização do ter. As angústias atuais exemplificam a melancolia de alguém sem vínculos verdadeiros, sem consistência íntima, mergulhado num vazio existencial e na falta de uma razão de ser.

Se cada pessoa a partir de si mesma, de seu potencial, de suas experiências, lutar por aquilo que deseja e ter claro seus propósitos de vida compreenderá que este vazio é um sintoma da falta de sentido.

Estranho é esse sentimento de se sentir cheio de tudo e ao mesmo tempo tão vazio.

1 Comentário

  1. Interessante reflexão. De Zygmund Bauman, além de Modernidade Líquida, vale citar “Mal-Estar na Pós-Modernidade”, obra que, de certa forma, dá continuidade a ideia freudiana de “Mal-Estar na Civilização”. Além disso, são essenciais (e complementares a Sociedade Líquida), os livros: Amor Líquido, Vigilância Líquida e, especialmente, “A Cultura no Mundo Líquido Moderno”. Além disso, vale citar “Era do Vazio: ensaios sobre o individualismo contemporâneo”, de Gilles Lipovetsky. E, é claro, o clássico, “O Ser e o Nada”, de Jean Paul Sartre, obra que remete a “Ser e Tempo”, de Martin Heidegger.

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