Síndrome de Down e Educação Inclusiva

0
129
Imagem ilustrativa

Atualmente, a diversidade se constitui como uma mola propulsora de mudanças em todas as dimensões da vida. As mudanças provocadas com a inclusão escolar e social das pessoas com deficiência produzem benefícios no âmbito das atitudes humanas, nas políticas públicas, nas inovações tecnológicas, do ambiente e do ser humano.

A Lei de Diretrizes e Bases (n° 9394/96) trata a Educação Especial como “uma modalidade de educação escolar voltada para a formação do indivíduo, com vistas ao exercício da cidadania, que deve realizar transversalmente, permeado a todos os níveis e demais modalidades de ensino nas instituições escolares”.

O processo de inclusão escolar vem mobilizando a sociedade para um novo olhar, frente as diferenças humanas, tentando comprometer toda a sociedade que, cada indivíduo é um ser humano diferente e partindo desse princípio, valorizando as características de cada um. Com isso o aluno deve ser compreendido como um ser único que tem sua história de vida, constituindo assim um ser diferente, pois é preciso compreender que não existem pessoas melhores ou piores e sim pessoas diferentes.

Nesse sentido Mantoan (1992, p. 107) assinala que:

Os indivíduos com deficiência mental configuram uma condição intelectual análoga a uma construção inacabada, tendo uma lentidão significativa no progresso intelectual. Apesar disso a inteligência com crianças com deficiência mental apresenta uma certa plasticidade ao reagir satisfatoriamente a solicitação adequada do meio, sendo imprescindível uma ação educativa adequada para que elas possam estruturar condutas que aparecem espontaneamente no desenvolvimento de crianças normais.

Se a educação é o fator mais importante na transformação para todos os indivíduos, é necessário que a criança com Síndrome de Down tenha uma educação de qualidade, que atenda suas necessidades educativas especiais, assim fica evidente a complexidade e a importância da sua educação.

Por outro lado, também é muito importante a capacitação de profissionais para trabalhar com dignidade em sala de aula com esses alunos, pois a inclusão é um desafio a ser conquistado no dia a dia e requer dedicação, profissionalismo e acima de tudo amor.

De acordo com as palavras de Freire (1996, p.63):

É de inclusão que se vive a vida. É assim que os homens aprendem, em comunhão. O homem se define pela capacidade e qualidade de troca que estabelece e isso não seria diferente com os portadores de necessidades especiais.

Em conversa com professores de uma escola de ensino regular, a respeito de suas opiniões sobre os alunos com necessidades especiais frequentarem classes comuns. Obtive as seguintes respostas: “desde que o professor receba apoio pedagógico”, “um ato irresponsável, pois não há uma preocupação se o professor tem condições para trabalhar com essas crianças, às vezes faltam recursos e apoio”. Desta forma, acredito que a inclusão precisa acontecer, mas é difícil para nós, enquanto educadores, lidarmos com esses alunos, pois não tivemos a formação adequada para isto. Precisamos de mais aperfeiçoamento, segundo os professores: “acho que precisa ter mais responsabilidade e bom senso, “a inclusão é algo que, se bem feito e orientado, pode auxiliar muito os alunos”; “seria bom, mas os professores deveriam ser qualificados e preparados para receber esses alunos”; “um direito de todos, mas nem sempre a necessidade de alguns”; “penso que é um crime que se está cometendo com essas crianças, pois muitas vezes são deixadas de lado para trabalhar com os demais”; “acho que nós professores não fomos preparados para receber esses alunos, não sabemos como trabalhar com eles no sentido de ajuda-los a progredir”; “precisamos de maior preparo e formação para atender esses alunos”.

Ter alunos com algum tipo de deficiência em sala de aula requer conhecimento e também auxilio por parte de profissionais especializados, além de apoio da coordenação da escola.

Melo, Lira e Fación (2008, p.) ressaltam justamente “(…)a necessidade de presença, nas escolas regulares de profissionais que estejam realmente preparados para lidar com essa realidade”. Ainda segundo os autores:

A viabilização da inclusão nas escolas regulares exige não somente professores especializados , mas que as salas de apoio sejam uma realidade e explicam que esse professor não necessita ser exclusivo de uma escola, podendo atender a um grupo de escolas, mas deve ser especializados e saber realizar avaliações, organizar sistemas de trabalho, avaliar sua eficiência, avaliar problemas de comportamento e definir estratégia. (ano, página)

Fica evidenciado que além das dificuldades encontradas, ainda falta orientação no trabalho com esses alunos, devido à falta de capacitação dos

professores. Seria importante ter na escola uma equipe de profissionais capacitados para dar a orientação necessária para trabalhar com os alunos com necessidades, mas isso nem sempre é possível. O professor precisa ser auxiliado no processo de inclusão e nunca trabalhar de forma solitária. Conforme Bueno (1999, p.):

Fica claro que a simples inserção de alunos com necessidades educativas especiais, sem nenhum tipo de apoio ou assistência aos sistemas regulares de ensino, pode redundar em fracasso, na medida em que esses alunos apresentam problemas graves de qualidade, expressos pelos altos níveis de repetência, de evasão e pelos baixos níveis de aprendizagem.

De acordo com a realidade, para que haja efetiva inclusão devem ser desenvolvidas praticas que favoreçam relações significativas que culminem com a aprendizagem.

Ou seja, a inclusão já é uma realidade nas escolas regulares, o professor deve trabalhar com esses alunos para que a diferença seja compreendida como uma característica do ser humano e que ela não tira a dignidade de ninguém. No entanto, o professor não deve dar privilégios, nem abandonar, nem superproteger esses alunos, e sim trata-los igualmente, para que não se sintam descriminados.

Algumas vezes esses alunos não conseguem acompanhar os conteúdos propostos aos alunos ditos “normais”, mas é importante para eles estarem inseridos na sociedade para se socializarem, criar hábitos, ter rotinas. Desse modo, cabe a escola e as outras instituições sociais promoverem as condições de acessibilidade, dar oportunidade para quem se encontra em situação de desvantagem ou de desigualdade, para que tenham suas singularidades respeitadas.

Artigo escrito pelas professoras:

Juliane Camargo Brito – Escola de Educação Infantil Amor Perfeito

Vânia Mara Casal – Escola de Educação Infantil Ternura

Deixe uma resposta

Por favor, digite seu comentário
Por favor, coloque seu nome aqui