Relacionamento, a decisão mais importante da vida

0
270
Imagem ilustrativa

E então me perguntam, o questionamento comumente dirigido a todos os que se aproximam ou que já passaram dos 30 anos. – Por que você não se relaciona de modo monogâmico com alguém? Em resumo a pergunta quase sempre tem um ar de: -está encalhado, -deve ser chato, -não quer nada sério, -só quer saber de curtir, -deve ser homossexual. E por aí vai o tanto de pensamentos que se ocultam por trás dessa pergunta.

Honestamente eu entendo a surpresa da maioria dos questionadores, entendo que a maioria das pessoas não consegue entender como alguém é capaz de curtir sua própria companhia, quando a grande maioria não se relaciona por sentir algo especial, mas por não suportar ficar a sós consigo próprio. Esse talvez seja o motivo de tanta efemeridade nos relacionamentos, pois cada vez mais as relações ficam superficiais e até hipócritas.

Em costumo me eximir da resposta, pois quem não aprendeu a apreciar sua própria companhia dirá que isso é impossível. Mas o que penso é que a maioria das pessoas está fantasiando encontrar alguém que aniquile seus problemas, seus conflitos internos, suas fraquezas, seus delírios. Então se procura no outro algo que lhe falta, as vezes até encontram, mas esse relacionamento está certamente fadado a um sentimento aterrorizante muito em breve, o sentimento de posse que irá consumir um dos dois ou ambos, até que essa posse crie um ódio mutuo que irá fazer ambos culparem um ao outro até criarem coragem ou serem obrigados a se afastarem, e então irão culpar um ao outro enquanto buscam um próximo salvador de forma quase desesperada, pois se sentirão infelizes enquanto não tiverem alguém que lhes impeça de ficarem a  sós consigo mesmo. Mas a pergunta é, do que estão fugindo? Fogem da mudança, fogem de se responsabilizar pelos seus erros, mesmo que seja se responsabilizar pelas escolhas, pois se você escolheu um escroto a escolha foi sua, e não adianta dizer que foi enganado pois muitas vezes as evidencias estavam estampadas, mas não se quis ver, e o pior cego não é aquele que não enxerga mas aquele que não quer ver.

As pessoas não se relacionam com alguém pensando em uma família, as pessoas se relacionam pensando em não ficarem sozinhas, em não serem diferentes. E esse desespero as remete a escolhas superficiais, com base no medo da solidão e da rotulação social e não nas sensações afetivas, as pessoas tentam, e o mundo está cheio de gente que tenta, mas isento de pessoas que fazem acontecer. Uma relação é algo sério, é como uma profissão, se escolher algo que não é pertinente a suas aptidões, algo que não lhe faça vibrar, vai logo detestar tal trabalho, e talvez mesmo detestando permaneça nele porque a força da psicoadaptação é mais forte que a razão, e a pessoa irá preferir fazer algo que não goste do que arriscar perder seu conforto. O mesmo vale para uma relação mal escolhida ou escolhida com base no desespero da solidão, logo a frustração será eminente. Igual quem escolhe um trabalho pelo desespero de não se ter o que fazer, no início é bom, mas assim que a fixa cai as horas não passam e aquilo fica insosso. Na relação também, no início é bom pois se tem alguém pra nos impedir de enxergar nossas próprias sombras, mas logo vem a realidade e o outro fica sem graça, fica sem sentido, e o sentimento de alívio virá frustração.

Namoro foi feito pra acabar, ou virá uma união ou uma experiência. Mas seja qual for trará consequências que mudam a trajetória da vida dessas pessoas, é preciso ter coerência na escolha, mas principalmente coerência sobre a capacidade de se relacionar, e honestidade de assumir a necessidade de amadurecer, de se conhecer, pois só assim eu posso saber quem melhor se adéqua a meu perfil.

Então minha resposta é simples. Eu sou responsável pelo que não deu certo em minhas relações, e eu identifiquei muitas coisa que precisam ser mudadas, elas levam tempo e talvez esse tempo não tenha chegado ou talvez eu não queira alguém querendo alguém, mas querendo algo, querendo uma construção e não uma obra pronta, pois dentro desse contexto essa obra não existe, ela se constitui pela evolução de duas pessoas que decidem evoluir juntas e não se servir da evolução do outro. Se livrar do medo do que os outros pensam ou dizem, do medo da solidão e do vitimismo quando o assunto é relacionamento é o desafio de qualquer pessoa que leva essa questão a sério, uma relação é como um empreendimento, tem que se amar fazer aquilo, tem que se qualificar da melhor forma possível para que o mesmo tenha sucesso, tem que se ter persistência para não parar nos primeiros obstáculos, tem que se ter honestidade para assumir os erros convertendo em aprendizado, tem que se ter objetivo. Ou será só mais um empreendimento que irá ser sempre mediano ou fechar as portas em breve. Como os tantos relacionamentos contemporâneos.

Deixe uma resposta

Por favor, digite seu comentário
Por favor, coloque seu nome aqui