O brincar que encanta o lugar

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Imagem ilustrativa

Brincar é uma importante forma de educação, é por meio deste ato que a criança pode reproduzir o seu cotidiano. O ato de brincar possibilita o processo de aprendizagem da criança, pois facilita a construção da reflexão da autonomia e da criatividade, estabelecendo, desta forma, uma relação entre o jogo e a aprendizagem.

Através do brincar a criança desenvolve capacidades como a atenção, a memória, a imitação, a imaginação, ainda propiciando à criança o desenvolvimento de áreas da personalidade como: efetividade, motricidade, inteligência, sociabilidade e a criatividade. Brincar é indispensável à saúde física, emocional e intelectual, por isso o lúdico deve estar presente na vida das crianças como atividade diária.

Na brincadeira a criança interpreta a realidade e tem a possibilidade de agir.

O direito de brincar e de assim produzir a cultura está assegurado por lei nas Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil. Cabe, porém, a cada instituição infantil seja ela pública ou privada estabelecer princípios que garantam tempo, espaço, bem como oferecer estruturas e brinquedos que possibilitem o brincar livre com o máximo de benefícios para as crianças, mas esta responsabilidade está nas mãos do professor interagindo e se envolvendo com as crianças, o qual precisa enxergar a criança como sujeito do mundo e a brincadeira como parte do processo.

O adulto, portanto não deve ser o dono da brincadeira, mas interagir nela em que suas ações contribuam e enriquecendo de acordo com a sua faixa etária. Com as crianças de ate 03 anos de idade os professores podem não apenas disponibilizar os brinquedos, mas apresenta-los e mostrar as suas possibilidades da brincadeira. Já com as crianças maiores, o professor passa a observar mais e interfere menos, não se abstendo totalmente, mas mantendo uma interação equilibrada.

Ao brincar de que é a mãe da boneca, por exemplo, a criança não apenas imita e se identifica com a figura materna, mas realmente vive intensificamente a situação de poder gerar filhos e de ser uma boa mãe, forte e confiante. Um pedaço de madeira torna-se um boneco e um cabo de vassoura um cavalo.

Na brincadeira a criança encontra uma afinidade de opções diversificadas para a criação de cenários, personagens e significados. Ela pode assumir outros papéis desprendendo-se de si mesma, além de transformar os objetos que tem a sua disposição em elementos cheios de significados. (Vigostki 1991, pág 65).

Outro aspecto da imaginação na brincadeira livre corresponde ao brincar de serem “outros”, o que significa desprender-se de certa forma de si mesma para assumir outros papéis como: pai, mãe, filho, cachorro, policial, super herói e outros. E é assim que a criança tem a possibilidade de conhecer a si mesma e de representar o modo que vê, sente e interpreta o mundo ao seu redor.

O diálogo entre o adulto e a criança continua sendo importante. Acredito que em determinadas situações, o professor pode e deve dar um “empurrãozinho” na brincadeira das crianças.

A instituição estará respeitando a criança como um sujeito que faz parte de determinada sociedade e como cidadão capaz de agir e fazer escolhas. Provavelmente esta criança que se sente parte do mundo e que sabe que pode agir sobre ele terá maior senso crítico no futuro e decisões mais coerentes e adotar uma postura que influencie o mundo ao seu redor.

Enfim, embora a brincadeira livre na Educação Infantil deva ser iniciada e desenvolvida pela criança, a presença do professor se faz necessária em relação à organização dos espaços para a brincadeira e a escolha dos brinquedos a serem oferecidos e a interação do adulto com a criança durante a brincadeira. E para que o professor seja capaz de tomar tais atitudes de forma a respeitar o direito de a criança brincar e produzir cultura necessita primeiramente enxerga-la como sujeito pleno como indivíduo capaz de

interpretar e recriar o mundo em que vive e agir sobre ele por meio da brincadeira.

Artigo da professora da Escola de Educação Infantil Amor Perfeito

Ilhane Giotti

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