Médicas cubanas deixaram de atender em São Marcos nesta semana

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Gisela lamenta a decisão mas defende posicionamento do governo de Cuba. Fotos: Angelo Batecini Junior - SMO.

Profissionais trabalhavam nas unidades básicas de saúde dos bairros São José e Francisco Doncatto. O São Marcos Online entrevistou Gisela Correa e traz orientações da Secretaria de Saúde do município. Novos médicos já demostraram interesse por São Marcos.

As duas médicas cubanas, Gisela Correa Lara e Milainis Telles Marti, que atuavam em São Marcos já encerraram suas atividades no município, após a decisão do governo cubano de encerrar o Programa Mais Médicos mantido desde 2013 com o governo brasileiro.

A decisão se deu após pronunciamento do presidente eleito Jair Bolsonaro, colocando em cheque a qualificação do médicos e ao exigir revalidação dos certificados profissionais.

Confira a opinião da médica cubana Gisela, que atendia a comunidade no ESF do bairro São José. A reportagem do São Marcos Online conversou com ela na segunda-feira, dia 19, quando as médicas cessaram suas atividades na cidade.

“Cuba decidiu retirar o programa principalmente porque o futuro presidente do Brasil ofendeu os médicos cubanos. Estamos aqui há 5 anos sem um único erro, com um mortalidade infantil zero, atendendo a população de forma humanitária e sem a necessidade de provar que somos médicos. Entendemos que temos que cumprir as leis deste país em fazer a revalidação, está bem, mas tem que se dar um prazo para que nos preparemos” argumentou a médica.

“Eu finalizo a missão Mais Médicos aqui com muito orgulho, no sentido de que meus pacientes estão satisfeitos com minha atenção, são 5 anos e conheço todos aqui do São José e tenho um envolvimento muito bom” revela Gisela.

“O problema é que ao finalizar o Programa Mais Médicos, as pessoas não olham as consequências, serão 3.700 municípios sem médicos cubanos, um presidente tem que ter em mente e pensar nas consequências do que está fazendo” alertou a médica cubana.

“Anteriormente já houve uma discussão sobre da continuidade com o programa, onde o presidente Temer foi mais consequente analisando e consultando pessoas que conhecem o tema, já o Bolsonaro está se manifestando contra os cubanos apenas, quando em primeiro lugar duvidar se são médicos, em segundo lugar quando nos acusa de sermos escravos, quando assinamos um contrato por vontade própria e sabendo quanto iriamos ganhar, ninguém me obrigou” afirmou.

Gisela finalizou dizendo que sente ofendida e apoia a decisão do governo do seu país, destaca que em Cuba a saúde e a educação são de graça e por isso teve oportunidade de se tornar médica. Destacou que se trata de um sistema que preconiza a igualdade e que o país é bloqueado economicamente e precisa do Mais Médicos para suprir muitas carências como fonte de divisas, que segundo ela, aliadas ao turismo somam as principais fontes e todo o dinheiro arrecadado é para se manter um país socialista.

As médicas tinham carga horária de 40 horas semanais e atendiam em média 30 pacientes por dia, conforme dados da Secretária Municipal da Saúde.

A orientação da secretaria é para os pacientes se deslocarem normalmente até as Unidades Básicas de Saúde, onde vão passar por triagem, e posteriormente as equipes vão encaminhar o melhor atendimento, se necessário para outras UBS’s ou para o Centro de Saúde.

Não existe ainda data específica para o Governo Federal encaminhar substitutos e novo edital para contratação foi lançado nesta quarta-feira, dia 21. Conforme a Secretária Municipal da Saúde, Maristela Lunedo, a previsão é para que em janeiro a situação se reestabeleça com a chegada de novos médicos.

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