Luz de alerta – psicóloga analisa caso de massacre em Suzano SP

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Foto: Miguel Achincariol / AFP - Fachada da Escola Raul Brasil, onde ocorreu o massacre, na cidade de Suzano São Paulo

A tragédia em Suzano nos mostra a extrema necessidade de uma atenção à constituição psíquica na atualidade. O ódio representado no assassinato destes jovens seguido de suicídio é um sentimento extremo, ha uma complexidade na dinâmica psíquica presente no ato criminoso, Freud, fundador da psicanálise, formulou o conceito de pulsão de morte, um ímpeto que o individuo possui para a destruição. O excesso interno da pulsão de morte que o sujeito experimenta – inconscientemente – se transforma na violência do ato, em uma atuação do ódio. Para ele a mente humana em sua dimensão mais irracional, recorre aos instintos mais primitivos para tentar dissolver os dramas mentais.

Segundo relatos, os autores do atentado desejavam encenar, repetir Columbine- massacre escolar ocorrido nos EUA em 1999- demonstravam uma vontade de serem vistos, de serem autores de um fato histórico, mártires. Creio que um dos objetivos deste ato é narcísico, demostrar poder, superioridade perante o sentimento de vitimização, seja na forma de bullyng ou como sentimento de exclusão, rejeição, atribuído a escola em anos anteriores, onde o sujeito se sente menor, como se o mundo o odiasse, projetando no outro suas frustrações e a causa de sua revolta.

Após tirar as vida de inocentes, os dois assassinos suicidaram-se, em um tipo de pacto. Um suicídio simbólico, o final do ato. Penso que o suicídio se deu pela impossibilidade de encontrar na vida um lugar, pois aquele que atenta contra a própria vida deseja acabar com o sofrimento do qual padece e não consegue representar, a vida adquire o peso da insuportabilidade e a morte é vista como solução, como expressão máxima da autodestruição, é um desfecho do conflito psíquico.

Estes adolescentes buscaram no universo virtual, outro mundo, mais válido para eles que o real. Ao observar seus posts, suas pesquisas, é possível ver os sinais, o sangue, a violência, todo o drama mental que estavam vivenciando e após a afirmação do mundo virtual fizeram a passagem ao ato.

Mas culpar o universo virtual é um discurso muito simplista para uma situação tão complexa. A utilização de games pode influenciar pessoas com determinada estrutura de personalidade, como traços perversos, psicopáticos e outros transtornos, como qualquer mídia pode exercer certa influência no sujeito, mas precisa haver uma identificação do sujeito com determinada conduta.

É importante dar mais atenção para outras questões envolvidas neste universo, como ao isolamento dos jovens, aos pais que não buscam conhecer mais sobre as atividades de seus filhos nas redes sociais, a falta de dialogo, ao excesso de presentes e a falta de limites, a liberdade ampla e sem restrições onde tudo é permitido onde não a espaço para frustrações enfim o discurso é amplo, desde leis de controle de armas , aumento na segurança das escolas, bullyng, drogas, saúde e doença mental enfim são inúmeros os fatores pelos quais esta tragédia nos faz refletir.

Mas citando o padre Fabio de Mello nenhuma destas justificativas representam o porquê os jovens mataram, “a violência é o desdobramento de carências afetivas, da necessidade de ser visto e notado, ainda que da pior maneira”. Logo, retorno a constituição psíquica e a celebre frase:

“A psicanálise, é em essência, uma cura pelo amor!” – Sigmund Freud

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