Educar: desafio da atualidade

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Atualmente as crianças têm apresentado inúmeros problemas de comportamento, seja externalizantes como a ocorrência de extrema irritabilidade, nervosismo, rebeldia, desobediência, dominância, agressividade, provocação ou comportamentos internalizantes como desinteresse por atividades acadêmicas, tristeza, depressão, retraimento social, dentre outras.

Muitas vezes estes comportamentos são estimulados, sem a família se dar conta, seja por meio de disciplina inconsistente, pouca interação positiva, pouco monitoramento, ou supervisão insuficiente das atividades da criança bem como as relações deterioradas dentro da família. E a família é o contexto social mais importante para o desenvolvimento do ser humano, seja ele social, psicológico ou cultural.

Os pais são o modelo de comportamento, devem auxiliar os filhos a poderem se expressar e resolver seus problemas sem precisar emitir comportamentos inadequados.

Os profissionais da psicologia buscam auxiliar a família a tornar-se agente de mudança do comportamento infantil. As disfunções iniciam-se na infância com a tendência atual de educar com uma postura demasiadamente liberal, onde os pais abdicam da autoridade, satisfazendo a todos os desejos da criança sem frustra-la seja por culpa de estar pouco presente devido à rotina de trabalho deste século, seja por ter receio de deixar de ser amado ou pela praticidade que o SIM envolve enquanto impor limite requer muito investimento, desde psicológico, de tempo, de mudança familiar entre outras questões.

A queixa dos pais de que os filhos não obedecem às ordens dadas por eles, pode ser reflexo das dificuldades que estes apresentam em estabelecer limites adequadamente. Esta situação possivelmente está relacionada com a dificuldade de comunicação, habilidade que possibilita o estabelecimento de limites, favorecendo uma interação social positiva com o filho.

Logo as praticas terapêuticas alteram as estratégias parentais de manejo dos filhos.e ajudam os pais a readquirir coragem e autoconfiança para realizar as mudanças necessárias na família construindo uma relação baseada no respeito mútuo, no diálogo e na franqueza, através do vinculo entre pais e filho que resultará em uma criança feliz e psicologicamente saudável.

Segundo Mendez, Olivares e Ros os pais devem ter competências para manipular as contingências e assim modificar o comportamento dos filhos. Assim, prevenir o comportamento problema, no espaço-temporal no qual ele se produz, no momento preciso. E também perceber o quanto reforçam ou mantém no dia a dia, estas atitudes.

O problema de comportamento é a ponta do iceberg, ele reflete dificuldades intimas e dificuldades no relacionamento familiar. O comportamento de uma criança e as reações dos pais a ele, nem sempre está sob controle consciente, os pais respondem com base em suas experiências pessoais. A terapia irá auxiliá-los a perceber este fato e aumentar o senso de competência, domínio e auto-estima aliviando suas ansiedades neste processo tão complexo que é educar.

Os pais devem oferecer a criança oportunidades para que experienciem sentimentos de raiva, agressividade e magoa dentro dos limites de um relacionamento que garanta segurança física e emocional para que ela aprenda a suportar um mundo que não é perfeito. Um relacionamento seguro deve combinar carinho, firmeza e consistência. Dar carinho como recompensa de um bom comportamento para que não seja necessário que o filho use do comportamento negativo para obter atenção. Ser firme significa ausência de ambiguidade entre os pais. Os limites e as consequências de excedê-los devem ser explicados de antemão para que na hora que seja necessário aplicá-lo seja feito de forma não ameaçadora, mas esclarecedora. A consistência atua como base segura para o comportamento da criança, que internalizará como parte de seu repertório pessoal, com a regularidade de resposta dos pais a seus comportamentos.

Uma intervenção feita com os pais significa um processo de muni-los com conhecimentos específicos e habilidades que lhes permitam promover o desenvolvimento e a competência de suas crianças.

Para educar os filhos não basta sabermos o que precisamos fazer. Mas também, o que não devemos fazer. Temos tempo de qualidade com nossos filhos, de sentarmos com eles, de nos preocuparmos em interagir com eles ou estamos ausentes emocionalmente ainda que presente fisicamente?

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