Curta o Verão: o que o são-marquense faz pra aproveitar o calor da estação!

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Praia, Piscina ou Cachoeira? O que você prefere para aproveitar o calor da estação? São Marcos Online visitou clubes e balneários e conferiu movimento nas ‘Areias Brancas’ do litoral: ‘Tem muito são-marquense’

“Vem chegando o verão, o calor no coração / Essa magia colorida, coisas da vida”. A letra de “Uma Noite e Meia”, música da cantora Marina Lima que se tornou hit de sucesso nos anos 1990, dá o tom do que é a estação do calor. “Não demora muito agora, toda de bundinha de fora / Top less na areia, virando sereia…”, diz o segundo verso da composição de Renato Rocketh, evocando aquelas imagens típicas da estação. Também a banda Skank se valeu do verão para fazer uma composição: “Noites de um Verão Qualquer, Eu me sufoco nesse ar / Dentro da febre desse abraço, eu tento respirar…”.

O verão – com seu calor sufocante, com sua magia inebriante, com suas “bundinhas de fora e top less na areia”, com seu clima de amor, prazer e a sedução – inspira não só músicos, mas também poetas: a peça teatral “Sonhos de uma Noite de Verão”, escrita por William Shakespeare em 1590, se tornou clássico da literatura, repercutindo no cinema: o filme “Sonho de uma Noite de Verão” (1999), que projetou Michelle Pfeiffer, reproduz nas telas o enredo escrito pelo poeta inglês há quase meio século.

Porque faz tempo que o verão é cantado – em prosa e verso – por poetas e escritores. Em 1982 o verão inspirou as telenovelas e a Rede Globo lançou a clássica “Sol de Verão”: a novela – que marcou a estreia do ator Miguel Falabella e projetou Tony Ramos, fazendo grande sucesso nacional – tinha num enredo marcado pelo romantismo e amor, potencializados por aquelas imagens características da estação: a praia, o sol, os biquinis, os corpos bronzeados e sarados…

Mas o verão não foi tema apenas para as artes: também a indústria automobilística se valeu da “magia da estação”: foi assim que, em 1964, surgiu a Chevrolet Veraneio, caminhonete lançada pela GM para ser usada nas férias de verão e levar a família à praia.

‘O verão está bom, a praia está cheia e o hotel, lotado’

Seja na arte ou na vida, o certo é que o verão tem seu charme, seu encanto, sua magia: com dias longos e que parecem não ter fim (anoitece às 21h, bem diferente do inverno, quando às 18h já é escuro), a estação do calor mexe com as pessoas, movimentando piscinas, balneários e, é claro, o litoral. As altas temperaturas motivam pais e filhos a saírem de casa e buscarem contato com a água para se refrescarem e se divertirem, promovendo confraternização entre amigos e familiares.

Foi o que constatou o São Marcos Online neste quente mês de janeiro (um dos mais quentes da história!), após visitar clubes e balneários (como a AMSM e a Mulada) e conferir o movimento naquela que tradicionalmente é a praia mais frequentada pelos são-marquenses: Areias Brancas, um dos vários balneários do município de Arroio do Sal e que há muitos anos é o local preferido de diversas famílias de São Marcos.

É lá que está localizado o Hotel Bolzan, um dos mais tradicionais do litoral norte gaúcho: pertencente aos são-marquenses Jonir Bolzan (Neco) e seus quatro irmãos (três mulheres), o local é reduto das famílias de São Marcos, como atesta Neco.

– Tem muito são-marquense. Nossa, tem bastante mesmo – comentou ao conversar com a reportagem do São Marcos Online.

Ele revelou que na última semana de janeiro mais de 10 apartamentos de seu hotel, que conta com 82 apartamentos, estavam ocupados por famílias de São Marcos.

– O pessoal de São Marcos vem bastante, mas recebemos gente de toda a região da Serra – observou Neco, que durante o inverno reside em Caxias do Sul.

Hotel Bolzan está a uma quadra do mar

Neco lembra que o Hotel foi inaugurado há 42 anos, em 1977, por seu pai Silvino. Já naquela época Neco, que tem 52 anos, ajudava a família no atendimento aos hóspedes, que procuravam o hotel para passar o verão.

– Daquele tempo pra hoje Areias Brancas mudou bastante. Não dá nem pra comprar. Com a vinda do hotel e a construção do Chopão, começaram a ter mais opções de lazer. Porque antes as famílias vinham a Areias e os filhos não tinham muitas opções. Mas agora os jovens gostam também – destacou.

Neco disse que o verão de 2019 está sendo ótimo.

– Está muito bom mesmo. O verão desse ano está bom, o clima está ajudando, a praia está cheia e desde 22 de dezembro o Hotel está sempre lotado – revelou.

Ele espera que o movimento siga intenso até a Páscoa, feriado em que os são-marquenses costumam frequentar seu Hotel.

– A páscoa é um feriado tradicional em que o pessoal de São Marcos costuma vir ao Hotel Bolzan, em Areias Brancas – apontou Neco.

‘Amo Areias Brancas, é o meu segundo lar’

Nascer do sol em Areias Brancas, praia tradicional dos são-marquenses

Uma das são-marquenses que frequenta a praia de Areias Brancas é a professora de Educação Artística Magela Romani, 40 anos. Ela conta que há mais de três décadas veraneia no local.

– Faz uns 37 anos que vou a Areias Brancas. Meus pais (Arno e Amélia Romani) tinham uma casa num local que era chamado de Descanso Romarsol, da famílias Romani, Marcon e Soldatelli, que nos anos 1980 eram sócias das Esquadrias São José – recorda.

Magela diz que, naquele tempo, chegar à praia era uma verdadeira aventura, pois a descida da Serra do Pinto ainda não havia sido asfaltada e as estradas eram precárias. Foi na década de 1980 que ela começou a frequentar Areias Brancas.

– Fazíamos muitas aventuras, empinávamos pipas e nos terrenos baldios que havia perto de nossa casa meu pai construiu parquinho, lugar pra jogar bocha e quadra de vôlei. Foi um tempo muito legal e fiz muitas amizades na praia. Amo Areias Brancas, é o meu segundo lar e é onde passei partes importantes da minha infância e adolescência – relatou, emocionando-se ao lembrar dos passeios que fazia junto com sua irmã Rochele, já falecida, na charrete puxada por um bode.

(Foto E): Magela com sua irmã Rochele: passeios de charrete pela beira da praia nos anos 80. Foto D: Magela Romani com sua filha Liz: 37 anos de Areias Brancas e lembranças do Descanso Romarsol.

– Essa charrete era do homem que hoje tem o dindinho – lembrou, assinalando que a família costumava passar os meses de verão na praia, indo também nas férias de inverno.

Atualmente Magela vai à praia com o esposo Tchony e sua filha Liz, de 11 anos, que herdou da mãe o gosto por Areias Brancas (o casal construiu uma casa no antigo terreno da família, a poucas quadras do mar).

– Também amo Areias Brancas – comenta a garota, que durante os veraneios costuma adotar os gatinhos da praia, cuidando e alimentando os animais.

– Hoje a praia mudou bastante. Aumentou a população, muitas casas novas foram construídas. Também foram feitas pavimentações, o comércio cresceu e Areias já juntou com Arroio do Sal. Mas as lembranças daquele tempo ainda permanecem – observa Magela, revelando que desde 2003 possui um diário onde registra (com textos e desenhos) os momentos vividos na praia…

‘A piscina é importante pro meu filho’: AMSM teve aumento de sócios e títulos estão à venda

Seja nas piscinas dos clubes da cidade, no rios e cachoeiras dos balneários do interior, ou nas praias do litoral gaúcho e catarinense, o certo é que grande parte dos são-marquenses busca desfrutar o calor em contato com a água, aproveitando o período de férias também para confraternizar com amigos e familiares.

É o caso da são-marquense Flaviane Magrini, que costuma frequentar as piscinas da Associação dos Motoristas (AMSM), onde leva seu filho de 3 anos.

– Faz pouco tempo que me associei e estou achando o clube muito bom. Principalmente a estrutura das piscinas, tanto a térmica como as de fora. Costumo vir com meu filho e, às vezes, com avós e primos. A gente reúne a família e faz uma confraternização – destaca a são-marquense.

De fato, esse é um dos perfis dos sócios da Associação que diariamente usam as piscinas: mães que aproveitam o clube para entreterem seus filhos, propiciando momentos de descontração.

– Venho pelo meu filho, que tem 3 anos. É bem importante pra ele, que na piscina interage com outras crianças. E também o contato com a água é bastante saudável, ainda mais que meu filho teve problemas de saúde e ainda não caminha. E a piscina acaba auxiliando no tratamento dele como se fosse uma fisioterapia – revela a mãe.

Bernardo Rech, 9 anos, frequentador da AMSM

Para o pequeno Bernardo, de 9 anos (filho de Mateus Rech e Elis Magrin) a piscina é lugar de diversão.

– Gosto de mergulhar e encostar a barriga no chão da piscina – revelou o garoto entre um mergulho e outro, quando, molhado, conversou com o São Marcos Online.

 

Para as mães, tirar os filhos de casa e levarem-nos ao clube para gastarem suas energias também significa tranquilidade. Porque no clube eles se entretém com segurança: a AMSM conta com monitores nas piscinas e toda uma estrutura remodelada, como destaca a Relações Públicas (RP) Chaline Schallenberger.

– Nesta temporada o grande efeito foi a parte de estruturação, as obras realizadas ano passado: a nova estrutura do bar e da piscina externa, onde foi removida a rampa para colocar cobertura inflável no inverno, possibilitando natação e hidroginástica, que também acontecem no verão – aponta.

Entre outras obras, houve ampliação dos banheiros, das saunas e do bar, que mudou de lugar, ficando num espaço mais amplo e convidativo, onde os associados podem desfrutar de lanches e bebidas.

Pelo que disse, as melhorias realizadas atraíram novos sócios.

– Se associaram bastantes pessoas neste verão. Títulos estão à venda e é possível adquirí-los a partir de R$ 4 mil à vista, ou por R$ 4,5 mil à prazo, em uma mais oito. Também há os títulos que as pessoas querem vender e deixam o nome na lista do clube. A negociação é feita direto com o vendedor e quem compra paga uma taxa de transferência a AMSM – informa Chaline.

‘Em contato com a natureza, pescando um peixinho sossegado’:  Mulada reúne são-marquenses e caxienses com cachoeira magistral

Como afirma o dito popular, verão é vida. Ainda mais no Rio Grande do Sul, onde o inverno é longo e frio, a estação do calor colore a natureza e dá um novo ânimo às pessoas, que saem mais de casa e aproveitam os finais de semana para se divertirem. Muitos optam pela praia, mas alguns preferem os campings em beiras de rios, como os casais Simone Dalanhol e Jair Pelizzari e Leandra Renon e Arionaldo Fimaenghui.

Neste final de janeiro eles estavam acampados na Mulada e conversaram com o São Marcos Online, revelando porque escolhem o local para seus momentos de lazer.

– Viemos passar os finais de semana tranquilos e longe do barulho da cidade – resume Leandra.

– Gosto também do mar, mas prefiro o camping: a gente fica mais sossegado e é melhor porque tem sombra, não ficamos todo o tempo expostos ao sol, como na praia – pondera Simone.

Ela conta que há anos acampa na Mulada.

– Viemos desde o tempo do seu Ari Mazzotti – observa, lembrando o antigo proprietário do camping construído às margens do Rio da Mulada, junto a ponte Fioravante Bertussi.

– Estamos acampados desde novembro e a barraca vai ficar até março – informa.

Já Leandra e Arionaldo construíram uma cabana de madeira e estão no local desde o inverno de 2018.

– Viemos pela natureza, para passar os finais de semana junto com os amigos, porque reunir a turma é uma coisa muito bacana – aponta.

Leandra destaca que a pesca é outro atrativo.

– Gostamos de acampar e ficar numa boa, em contato com a natureza, pescando um peixinho e se divertindo – diz a são-marquense.

‘Comecei a pescar de guri, com meu avô, na varinha de bambu’

A pesca é o que também atraí o caxiense Ivandro da Silva, 29 anos, a região de Criúva e Mulada. Morador do bairro Santa Fé e funcionário da Marcopolo, ele costuma frequentar o Camping Aventura.

– Faz uns três anos que viemos, sempre em família e com os amigos – diz.

Acampado com seus pais e alguns amigos na beira do açude, ele contou ao São Marcos Online que costuma “virar a noite” pescando.

– A mãe e eu ficamos a noite inteira acordados. Gosto de pescar desde pequeno, comecei com meu avô, na varinha de bambu. Pesco mais em açude. Aqui dá bastante peixe, principalmente carpa. Mas já vi pegarem jundiá e traíra também – relata.

Ivandro explica porque prefere o balneário.

– Não gosto muito da praia, prefiro ficar no meio do mato, que é um lugar quieto e mais sossegado, sem a barulheira da cidade. E na pescaria a gente sempre faz várias amizades e vai aprendendo coisas novas – comenta, dizendo apreciar o camping pelo sossego e beleza.

– Esse lugar é um paraíso.

Conforme os proprietários – Adriana Morandi e Zenoir Rodrigues da Silva – o Camping Aventura funciona diariamente, até às 21h. A entrada para passar o dia custa R$ 15 por pessoa e para acampar, R$ 20.

Adriana diz que o local é bastante frequentado por famílias. Não é permitido som alto, pois o objetivo é proporcionar uma opção de lazer e descanso para as famílias se reunirem, churrasquearem e se refrescarem do calor.

– Desde que proibimos o som ficou mais tranquilo, com um público bem família: crianças, pais, e avós – aponta Adriana.

O camping conta com duas piscinas com água natural corrente, sendo uma pouco profunda para crianças, garantindo segurança às famílias.

‘Viemos pelo lazer, é bom para as crianças: ‘Camping Aventura tem piscinas com água natural corrente’

Segurança e sossego é o que atraí o casal Alexandro e Sabrina ao Camping Aventura. Os jovens de 25 e 23 anos, pais de Yasmin (2 anos) e João Pedro (5 meses) disseram que optam pelo local pela praticidade.

– Viemos pelo lazer, pelo sossego e porque é bom de vir com as crianças, já que a piscina não é funda e daí não precisa estar toda hora correndo atrás – comentou Sabrina.

– Costumamos passar o dia e depois voltamos pra casa. De Caxias até aqui dá uns 50 minutos e é quase tudo asfalto – destaca Alexandro.

O casal informa que, após residir em São Marcos, onde estão alguns familiares, atualmente mora em Caxias do Sul.

– Eu sou do Paraná e ela é de Novo Hamburgo. Primeiro viemos a São Marcos, mas depois nos mudamos pra Caxias – conta Alexandro

Ele explica porque escolhe curtir o verão no balneário e não na praia.

– Não gosto de água salgada, por isso não vou muito ao mar e prefiro o balneário – destaca.

No fim – seja na piscina, no rio, ou no mar -, o importante é desfrutar o calor para se divertir e confraternizar. Seja na AMSM, na Mulada ou em Areias Brancas, o que vale é que você curta o verão, porque ele é curto: em março inicia o outono, os dias escurecem mais cedo e logo os primeiros ventos frios de abril lembrarão que não tardará muito para o inverno voltar…

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