ARTE CONCEITUAL

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A Arte Conceitual considera a ideia por trás de uma obra artística superior à própria obra, ao resultado final, considerado dispensável. Grandes ou pequenas, boas ou más, pinturas e esculturas são supérfluas. Só interessa a ideia, a criação mental do artista.

Em oposição à tradição cada vez mais abstrata e formalista que seus contemporâneos estavam solidificando, Duchamp colocou a arte como ideia a sua convicção infinitamente estimulante de que a arte pode ser feita de qualquer coisa. Mas só a partir de meados da década de 60 e de uma geração mais jovem é que a contribuição revolucionária de Duchamp incendiou a imaginação de tantos artistas que o seu “movimento de um homem só” converteu-se em multidão.

Em meados da década de 60, teve início um vale-tudo em arte que durou cerca de uma década. Fazia parte de uma rejeição geral desse artigo de luxo único, que é o tradicional objeto de arte. Um trabalho de Arte Conceitual, em sua forma mais típica, costumava ser apresentado ao lado da teoria. O uso de diferentes meios para transmitir significados era comum na Arte Conceitual. As fotografias e os textos escritos eram o expediente mais comum, seguidos por fitas K-7, vídeos, diagramas, etc.

Utilizando-se de imagens comuns, por exemplo, a cadeira de Kosuth, em que se pode argumentar não ter acrescentado nada ao conhecimento de qualquer pessoa, acostumada com uma cadeira, não costumava ser bem recebida pelo público. Além disso, o problema maior era que, não acrescentando nada, essas experiências fora do eixo convencional tornavam difícil o julgamento do que era realmente uma obra de arte ou simplesmente amadorismo.

Entretanto, grande parte dos artistas conceituais tinha por objetivo, com esse tipo de procedimento, realizar exatamente o contrário: popularizar a arte, fazer com que ela servisse como veículo de comunicação. Seria uma oposição à ideia do Minimalismo (Difícil de compreender; torna as obras pouco acessíveis ao expectador comum).

O termo Arte Conceitual é usado pela primeira vez num texto de Henry Flynt, em 1961, entre as atividades do Grupo Fluxus. O mais importante para a arte conceitual são as ideias, a execução da obra fica em segundo plano e tem pouca relevância. Além disso, caso o projeto venha a ser realizado, não há exigência de que a obra seja construída pelas mãos do artista. Ele pode muitas vezes delegar o trabalho físico a uma pessoa que tenha habilidade técnica específica. O que importa é a invenção da obra, o conceito, que é elaborado antes de sua materialização.

Devido à grande diversidade, não há um consenso que possa definir os limites do que pode ou não ser considerado como arte conceitual. Além da crítica ao formalismo, artistas conceituais atacam ferozmente as instituições, o sistema de seleção de obras e o mercado de arte. A obra de Arte Conceitual exibida em uma exposição nada mais é do que um documento, um relato das reflexões do artista. O Grupo Fluxus foi um movimento que marcou as artes das décadas de 1960 e 1970, opondo-se aos valores burgueses, às galerias e ao individualismo. A principal referência foi o movimento Dadaísta e a obra de Marcel Duchamp, que influenciaram a contestação dos valores estabelecidos e o espírito anárquico do grupo. Os artistas do Fluxus buscavam inserir a arte no cotidiano das pessoas, defendendo a ideia de que todos deveriam compreendê-la.

John Cage, na tentativa de criar composições não narrativas e aleatórias, incorporando ruídos e interferências do meio, inspirou os artistas na tentativa de dialogar com o cotidiano em seus trabalhos. Propõe uma arte não egocêntrica, envolvida com o acaso, seja de palavras, formas ou ações, a arte deveria transmitir algum significado qualquer que fosse e que não precisava ser único. O maior objeto era difundir. Nas exposições do grupo, as obras tinham sempre um teor de provocação e crítica, com a presença de um humor extravagante. Como objetivo, seus participantes visavam uma revolução cultural, social e política através da arte. Com a morte de Maciunas, em 1978, o Fluxus chegou ao fim. No entanto, seus artistas continuaram ativos, mas seguindo caminhos diversos.

A Arte Conceitual é o ápice do radicalismo da proposta estética da modernidade cultural. O objeto estético, na Arte Conceitual, desmaterializa-se. O artista caminha sobre um sutil equilíbrio semântico, entre a inovação e a banalidade, entre o óbvio e a possibilidade de incompreensão do público.

O artista plástico Hélio Oiticica produziu obras que incorporam todo o espaço ambiental. O espectador envolve-se com a obra usando todos os seus sentidos. A série: “Penetráveis” é composta de obras criadas por Oiticica a partir de 1960. Trata-se de espaços em forma de labirinto nos quais o espectador pode entrar e vivenciar experiências sensoriais relativas ao tato, ao olfato, ao paladar, à visão e à audição.

De todos os movimentos artísticos do século XX, a Arte Conceitual foi, talvez, o mais genuinamente internacional e de mais rápido crescimento. Quando se reexamina o período, há a sensação de um movimento artístico que se alastrou quase por combustão espontânea. O Conceitualismo não democratizou a arte nem eliminou o objeto de arte único, tampouco suprimiu o mercado da arte ou revolucionou a propriedade artística.

O mercado da arte estava meramente ampliado em sua infinita flexibilidade. O trabalho da Arte Conceitual é tudo aquilo desprovido dos aparatos materiais da pintura ou mármore tradicionalmente associado com os objetos de arte.

Em suma, a Arte Conceitual dirige-se para além de formas, materiais ou técnicas. É, sobretudo, uma crítica desafiadora ao objeto de arte tradicional. As proposições conceituais negam a aura de eternidade, o sentido do único e permanente e a possibilidade de a obra ser consumida como mercadoria.

 

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